A primeira apresentação do espetáculo de teatro “Longussu Xenupre Dudu Yatílhade”, em curta temporada, foi realizada gratuitamente no interior de Pernambuco, no município de Águas Belas (Agreste), no último sábado (16 de maio), às 19h, na aldeia Fulni-ô (território indígena). Agora, a peça teatral ganha quatro sessões, todas no Espaço O Poste, nos dias 22, 23, 29 e 30 de maio, às 19h das sextas-feiras e sábados. Os ingressos custam R$ 15 (meia-entrada) e R$ 30 (inteira), com venda antecipada na internet. Uma das apresentações na Capital pernambucana tem recurso de acessibilidade em Libras (Língua Brasileira de Sinais) para pessoas com deficiência auditiva. A classificação indicativa  é livre.

Com realização independente do Grupo O Poste Soluções Luminosas, a obra coletiva e autoral — “Longussu Xenupre Dudu Yatílhade” — significa “A nova força indígena preta da nossa terra (Nordeste)”. O título do espetáculo vem da junção de quatro línguas de povos originários: Yorubá (africana), Brobó/Karaxuanassu (indígena), Umbundo (africana) e Yaathê (indígena). Protagonista em Pernambuco no teatro negro, afroindígena, popular e ancestral, O Poste continua criando novas montagens a partir das pesquisas e aprofundamentos e por meio das vivências artístico-culturais. Além disso, o espaço e o grupo dialogam diretamente com pautas de identidade racial, gênero, classe, oralidade, ancestralidade, periferia, ciência, comunidade, educação e transformação social. 

Agrinez Melo, Naná Sodré e Samuel Santos — idealização, produções, pesquisas e gerenciamento do grupo e espaço O Poste — formam o elenco pernambucano. Além de atuar, o trio de artistas assume a dramaturgia (textos). Quem assina a direção é Samuel Santos, também à frente da cenografia e da criação da luz. Agrinez é responsável pela criação do figurino, feito pelas mãos de Francis Souza (PE). Já os adereços levam a produção de Célia Regina (PE). 

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“A criação e o desenvolvimento de ‘Longussu Xenupre Dudu Yatílhade’ surgem das consultorias e vivências com povos Fulni-ô (Águas Belas) e Marataro Kaeté (Igarassu/PE - Região Metropolitana do Recife), da assessoria dos idiomas em Yorubá, Brobó e Umbundo e dos estudos na sala de ensaio. O espetáculo reúne textos (dramaturgia), performances e corpo em retomada. O objetivo da sua realização é justamente a valorização e aproximação das pesquisas da linguagem teatral baseada nas línguas faladas pelos povos originários e sua oralidade para a cena”, destaca Agrinez Melo. 

Os quatro idiomas falados no espetáculo são ancestrais: Brobo/Karaxuanassu é do povo Xukuru, kaxwriêtã é do povo karaxuwanassu, que compõe o tronco linguístico do Xukuru (existente na Serra do Ororubá, no município de Pesqueira, Agreste de Pernambuco); Umbundo, a língua bantu mais falada em Angola (país do continente africano); Yaathê, idioma indígena falado exclusivamente pelo povo Fulni-ô, de Águas Belas/PE; e Yorubá fala-se principalmente na Nigéria (país de África) e na religião candomblé e pelos terreiros de matrizes africanas de Pernambuco, da tradição Nagô. As consultorias foram realizadas por Lepê Correia (Yorubá), Pajé Juruna (Brobó/ Karaxuanassu), Vanderlan Matos (Yathê) e Kuta Ndumbu (Umbundo) responsáveis pelo repasse do saber e acesso à informação. 

“É muito mais do que um espetáculo, é presença, rito e retorno, além de um chamado que atravessa o corpo. Em cena, o corpo como retomada, a oralidade como dramaturgia e as línguas originárias pulsando vivas, situando o ara, que tem o significado de corpo no idioma Yorubá, em sua totalidade”, acrescenta Agrinez. 

“Longussu Xenupre Dudu Yatílhade” já é o espetáculo mais desafiador do grupo O Poste. Isso porque quatro línguas originárias desenvolvem-se como tradição oral, fortalecendo conceitos de identidade, saberes ancestrais e afro-brasileiros com rodas de conversa e convivência entre as narrativas. 

“Diante de uma diversidade de fatos reais, aprendizagens a respeito do saber e do conhecimento de territórios indígenas e realidades existentes, enfim chegou o momento de apresentar a peça de teatro inédita como resultado da imersão. As palavras e as encenações são pensadas e elaboradas coletivamente entre nós, artistas do Espaço O Poste. Ao mesmo tempo, o espetáculo possibilita que cada corpo e mente em movimento de existência leve para a cena memórias, a partir de histórias e vivências de pertencimento, e realidades do passado e presente, olhando para o futuro”, declara. 

O projeto “Longussu Xenupre Dudu Yatílhade” tem incentivo público, com o financiamento do  Funcultura (Fundo de Incentivo à Cultura de Pernambuco), por meio do Governo de Pernambuco, Fundarpe e Secretaria de Cultura (Secult-PE). Pela primeira vez em cartaz, o espetáculo é encenado cinco vezes em sua estreia na história do Grupo O Poste Soluções Luminosas. 

Houve uma oficina durante a programação no interior do Estado de Pernambuco, reforçando a necessidade da formação pedagógica como contrapartida da arte social. A oficina “O Corpo Ancestral Dentro da Cena” ocorreu gratuitamente nas terras Fulni-ô para estudantes indígenas da aldeia, no dia 15 de maio. Essa atividade de treinamento corporal — facilitada por Agrinez Melo, Naná Sodré e Samuel Santos — desdobra a pesquisa de mesmo nome, com a assinatura do grupo O Poste. 

Vale lembrar que o grupo e espaço de teatro “O Poste”, em atividade desde 2004 e com sede no Recife, é formado por artistas das culturas popular, preta e indígena. Com raízes na ancestralidade, comunidade afroindígena e terreiro de matriz africana, é referência da arte autoral periférica e urbana, além da resistência por movimentar o centro do Recife com atividades artístico-culturais. Em 2009, tornou-se de fato um grupo de produção artística, realizando pesquisas teatrais e ações formativas baseadas no resgate ancestral e na preservação da história. 

Produção

“Longussu Xenupre Dudu Yatílhade” também contempla a juventude pernambucana de artistas autorais, também profissionais da técnica e produção. Cecília Chá, Larissa Lira, Sthe Vieira e Thalis Ítalo, que formam o Núcleo O Postinho, têm conquistado espaços com toda essa coletividade, ocupando funções tanto artísticas como de operação nos espetáculos, giras de diálogo e nas diversas celebrações. 

Espetáculo “Longussu Xenupre Dudu Yatílhade” (2026 - classificação indicativa: livre) - confira a agenda das apresentações 

22/05 (sexta-feira) e 23/05 (sábado): Espaço O Poste (rua do Riachuelo, nº 641, bairro da Boa Vista, centro do Recife/PE), às 19h, R$ 15 (inteira) e R$ 30 (inteira) - ingressos à venda antecipadamente na internet 

29/05 (sexta-feira) e 30/05 (sábado): Espaço O Poste, às 19h, R$ 15 (inteira) e R$ 30 (inteira) - ingressos à venda antecipadamente na internet 

Uma das apresentações no Recife dispõe do recurso de acessibilidade em Libras (Língua Brasileira de Sinais) para pessoas com deficiência auditiva


Ficha técnica

Dramaturgia: Agrinez Melo, Naná Sodré, Samuel Santos

Direção, cenografia e criação da luz: Samuel Santos

Atuação: Agrinez Melo, Naná Sodré e Samuel Santos

Consultoria em língua originária ancestral: Lepê Correia (Yorubá); Pajé Juruna (Brobó/ Karaxuanassu); Vanderlan Matos (Yathê) e Kuta Ndumbu (Umbundo)

Criação de figurinos: Agrinez Melo

Confecção de figurinos: Francis Souza

Adereços: Célia Regina

Cocar: Africool 

Confecção de acessórios para personagens: Larissa Lira, Caminho de Dentro (por Sthe Vieira) e Cecília Chá

Audiovisual e design gráfico: Talles Ribeiro 

Operação da projeção: Thalis Ítalo 

Operação de luz: Cecília Chá

Operação de microfones: Larissa Lira

Contrarregra: Sthe Vieira

Mídias sociais: Estúdio Dionísio

Assistência de produção: Núcleo O Postinho

Fotografia: Dudu Silva

Facilitação da oficina “O Corpo Ancestral Dentro da Cena”: Agrinez Melo, Naná Sodré, Samuel Santos

Produtor local (Águas Belas/PE): Caíque Ferraz

Realização: Grupo O Poste Soluções Luminosas

Incentivo público: financiamento do Funcultura (Fundo de Incentivo à Cultura de Pernambuco), por meio do Governo de Pernambuco, Fundarpe e Secretaria de Cultura (Secult-PE).