Entre as criações autorais e diversas da artista Ingrid Veloso está “Cartomargem”. Ela considera que é um conceito, com a busca de pesquisar a comunicação simbólica como uma tecnologia ancestral. A ideia desenvolve-se por meio da ressignificação de arquétipos presentes em cartas oraculares (tarô e baralhos), trazendo também uma aprendizagem integrativa como ferramenta de alcance e percepção independente de realidades digitais. Inclusive porque arquétipos são imagens universais, símbolos e padrões de comportamento que estão no inconsciente humano. 

A comunicação simbólica, por exemplo, é composta por signos, gestos, linguagem corporal, expressões faciais, palavras e imagens para representar ideias, sentimentos ou objetos. 

Vale dizer que não é necessário ter experiência com tarô para vivenciar “Cartomargem”. O importante é o interesse nos processos criativos e o sentir-se confortável principalmente para os ensaios fotográficos, onde experimentam-se personagens, gestos, narrativas visuais e diferentes formas de expressão diante da câmera. 

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“É um projeto artístico de pesquisa visual sobre os 22 arcanos maiores do tarô e que vai se desdobrando. O conceito compreende imagem, gesto e rito como tecnologias ancestrais, entendendo a comunicação simbólica para além da escrita verbal e reconhecendo os símbolos como estruturas vivas que atravessam memória, ancestralidade, espiritualidade e experiência coletiva. Com essa ocupação das cartas dos 22 arcanos, enquanto território de encarnação da energia arquetípica, artistas configuram a imagem de acordo com suas percepções de vida”, destaca Ingrid Veloso.  

“Cartomargem” abriu uma chamada livre para fotografia encenada, com prioridade para pessoas negras, LGBTQIAPN+, periféricos, povos e comunidades tradicionais de terreiro, povos ciganos e de matriz africana, assim como pessoas com deficiência e outros grupos historicamente sub-representados nos espaços artísticos e culturais. As inscrições foram realizadas até o dia 22 de junho, pelo formulário na internet. 

Já os quatro encontros presenciais para as produções das obras acontecem na Escola Municipal de Artes João Pernambuco, no bairro da Várzea (Recife), todos os sábados do mês de julho, das 8h às 12h, com alimentação, auxílio para transporte e cachê total pela participação de R$ 300 (frequência mínima de 75% e participação da sessão fotográfica para recebimento do valor). A carga horária total é de 30 horas, unindo formação, experimentação artística e criação coletiva. 

“Cada arcano se torna um território de criação. Cada território é habitado por um corpo que ressignifica símbolos e arquétipos a partir de suas próprias vivências. Realizado em formato de laboratório criativo híbrido e buscando fortalecer a diversidade, o projeto consegue deslocar o tarô para a margem, compreendendo a periferia além do seu espaço geográfico, até porque é um lugar de existência, de vida e de narrativas históricas, sociais etc. Com a utilização da simbologia do tarô, “Cartomargem: fotografia encenada” se coloca como ferramenta para esse contexto social, através da reinterpretação dos arcanos maiores por esses corpos, buscando significados dentro da sua própria realidade e fazendo esses resgates de arquétipos”, explica. 

A fotografia encenada é justamente a base conceitual para a produção das obras, elaborando composições em parceria e com a instrução de profissionais de diversas linguagens artísticas, entre elas corporal, figurino, cenário e fotografia. Essa troca com coletividade ocorre durante as vivências criativas no espaço da Escola Municipal João Pernambuco. O processo também é acompanhado pela relatoria poética, responsável pela captação de todo desenvolvimento, possibilitando uma leitura simbólica e interpretativa que introduz o entendimento sobre cada arcano interpretado. 

“A proposta traz um aprofundamento de como os arquétipos presentes nessas cartas de tarô podem ser reinterpretados pela fotografia encenada, o que automaticamente gera novas leituras desses símbolos apegados às experiências e perspectivas das pessoas participantes. Cada expressão é uma camada de significado, compondo uma atmosfera que valoriza as simbologias dos arquétipos retratados”, detalha. 

“Cartomagem: fotografia encenada” tem a realização da BR3CHA, direção executiva da Mola Projetos e apoio da Escola Municipal de Artes João Pernambuco, além de incentivo público, com o financiamento do Sistema de Incentivo à Cultura do Município do Recife (SIC), por meio do Fundo de Incentivo à Cultura (FIC), que pertence à Fundação de Cultura da Cidade do Recife, à Secretaria de Cultura e à Prefeitura da Cidade do Recife. 

Equipe de acompanhamento artístico

Uma diversidade de profissionais artístico-culturais de Pernambuco compõe a equipe de acompanhamento para as produções das obras: Priscila Ferraz (relatoria poética), Ingrid Veloso (fotografia), Foster de Barros (cenografia), Rebeca Gondim (preparação de corpo) e Patrícia Souza (figurinista) estão na formação principal para os encontros presenciais na Escola Municipal João Pernambuco. 

Convocatória das inscrições

A seleção prioriza pessoas negras, indígenas, LGBTQIAPN+, povos e comunidades tradicionais de terreiro, povos ciganos, pessoas com deficiência e outros grupos historicamente sub-representados nos espaços artísticos e culturais;

Alimentação durante todos os quatro encontros presenciais e ajuda de custo para transporte; 

Carga horária de 30 horas e cachê total de R$ 300 (frequência mínima de 75% e participação da sessão fotográfica para recebimento do valor); **confira - forms.gle/MRj3xFfUtAa3BM6r5**

A seleção contempla 11 pessoas, com cada uma delas desenvolve interpretações artísticas para dois arcanos maiores, totalizando 22 cartas; 

As pessoas participantes têm acompanhamento de uma equipe formada por cenógrafo, figurinista, preparadora corporal e fotografia, além de acesso a materiais didáticos e recursos criativos que apoiam o desenvolvimento de cada trabalho.

Observação: não é necessário ter experiência com tarô. O mais importante é ter interesse em processos criativos e sentir-se confortável em participar de ensaios fotográficos, experimentando personagens, gestos, narrativas visuais e diferentes formas de expressão diante da câmera.


Calendário de atividades (2026)

22/06 - fechamento do formulário de inscrição 

26/06 - resultado e divulgação das pessoas contempladas

27/06 - apresentação online (encontro inaugural)

04/07, 11/07, 18/07 e 25/07 - presencial das 8h às 12h na Escola Municipal João Pernambuco (laboratório) 

Agosto - sessões fotográficas (a definir datas, locais e horários) 


Ficha técnica

Idealizadora, pesquisadora e fotógrafa: Ingrid Veloso 
Direção executiva: Maria Rocha & Mola Produções
Relatoria poética: Priscila Ferraz
Cenógrafo: Foster de Barros 
Preparação de corpo: Rebeca Gondim 
Figurinista: Patrícia Souza 
Designer: Katarina Scervino
Curadoria: Rebecca França 
Realização: BR3CHA
Apoio: Escola Municipal João Pernambuco
Incentivo público: financiamento do Sistema de Incentivo à Cultura do Município do Recife (SIC), por meio do Fundo de Incentivo à Cultura (FIC), que pertence à Fundação de Cultura da Cidade do Recife, à Secretaria de Cultura e à Prefeitura da Cidade do Recife.