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A profissional editorial Elga Fontes lançou em Portugal a chancela Kiala, uma iniciativa do grupo Vírgula d’Interrogação focada exclusivamente na publicação de autores negros. O projeto surge para combater a histórica sub-representação e a falta de diversidade no mercado literário do país.

Com raízes na língua kimbundu de Angola, a palavra "Kiala" significa "trazer luz" ou "iluminar". Segundo a criadora, o nome reflete o objetivo central de dar visibilidade a vozes que ainda permanecem à margem do circuito comercial tradicional.

Desafios estruturais no mercado editorial

Com formação em Línguas e Estudos Editoriais, Elga destaca que a escassez de pluralidade se deve a barreiras estruturais. A precariedade do mercado local faz com que as editoras apostem majoritariamente em títulos comerciais estrangeiros, ignorando produções fora do padrão normativo.

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Além das limitações financeiras do setor, a fundadora aponta o racismo e as heranças do colonialismo como fatores decisivos para essa ausência nas livrarias. Como forma de combate, a chancela adota inclusive um guia de termos a evitar durante os processos de tradução.

Primeiros lançamentos e perspetivas

O catálogo da Kiala estreou com a obra de não-ficção "Feminismo na Periferia", de Miki Kendall, e agendou o lançamento do romance "A Morte de Vivek Oji", da autora nigeriana Akwaeke Emezi. O foco principal é consolidar um acervo de referência com diferentes géneros e perspetivas.

FONTE/CRÉDITOS: Vitor Lúcio Andrade