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Nas próximas eleições gerais no Brasil, marcadas para daqui a três semanas, o debate sobre a representatividade ganha força com a urgência de um voto antirracista. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aponta que a maioria do eleitorado é negra, o que confere a esse grupo o poder de redefinir os rumos políticos do país, exigindo que candidatos assumam compromissos reais contra a desigualdade racial.

Apesar de o eleitorado negro e pardo representar 62,6% do total, a sub-representação nos espaços de poder permanece alarmante. Críticos e especialistas questionam por que partidos políticos ainda criam barreiras para que candidaturas negras, indígenas e quilombolas acessem os recursos garantidos por lei. A Constituição prevê o repasse de ao menos 30% do Fundo Especial de Financiamento de Campanha para esses grupos.

A disparidade também afeta as mulheres, que somam 52,8% dos eleitores brasileiros. A baixa presença feminina no Congresso Nacional e nas assembleias estaduais evidencia a necessidade de reformas estruturais. Além disso, as desigualdades étnico-raciais são frequentemente deixadas em segundo plano nos debates presidenciais, ignorando o impacto de ações afirmativas que beneficiam toda a sociedade.

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Para construir uma democracia de fato justa e próspera, analistas defendem que o eleitorado deve cobrar um posicionamento firme contra o racismo estrutural. Apenas representantes comprometidos com a equidade social deveriam receber a confiança do voto popular nas urnas.

Ana Cristina Rosa é jornalista especializada em comunicação pública e vice-presidente de gestão e parcerias da Associação Brasileira de Comunicação Pública (ABCPública).

FONTE/CRÉDITOS: Folha de São Paulo, por Ana Cristina Rosa