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A tradicional sede do Samba do Cruz, localizada no bairro da Casa Verde, na zona norte de São Paulo, foi demolida na quarta-feira (29) após uma decisão judicial conceder a reintegração de posse da área à administração municipal para a criação do Parque Municipal Campo de Marte.
O local abrigava o Grêmio Esportivo e Recreativo (GRE) Cruz da Esperança, um centro cultural e comunitário fundado em 1958 por um grupo de taxistas negros. O encerramento forçado das atividades destrói um espaço que promovia futebol de várzea, capoeira, religiosidade de matriz africana e ações sociais.
Patrimônio histórico da Pequena África paulistana
Mesmo diante da derrubada das estruturas físicas, os organizadores reforçaram nas redes sociais que a história do grupo permanece viva. A região é reconhecida por pesquisadores e moradores como parte da Pequena África paulistana, marcada pela forte presença e resistência da população negra no século 20.
As rodas de samba e as partidas esportivas ajudavam a financiar a manutenção do espaço e a compra de uniformes para os times locais. Para os frequentadores, essas práticas não eram secundárias, mas constituíam a própria identidade do território.
Mobilização comunitária e impasse judicial
Antes da execução da ordem de desocupação, a comunidade recolheu mais de 26 mil assinaturas em um abaixo-assinado. O documento solicitava a permanência do clube, a abertura de diálogo com o poder público e o reconhecimento da entidade como patrimônio cultural imaterial de São Paulo.
Os dirigentes também criticaram o modelo de concessão privada do futuro parque municipal. Segundo a liderança, as regras apresentadas inviabilizavam a continuidade das manifestações culturais e não garantiam a autonomia do projeto.
A Prefeitura de São Paulo alegou no processo que o terreno de 15 mil metros quadrados é público e classificou a permanência do clube como ocupação irregular. Embora tenha havido tentativas de negociação, o Cruz da Esperança não aceitou os termos propostos por não ter garantias para suas atividades tradicionais.
Apesar do fim do endereço físico após quase sete décadas de existência, os representantes da comunidade reafirmaram o compromisso de manter o legado cultural e social construído por gerações no local.
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