Era o preto do Rio de Janeiro das intervenções urbanas, humanas, africanas e afetivas.

Um cabra com uma visão sarcástica da humanidade, cheio das ideias carregadas de infinitudes, no enfrentamento ao racismo estrutural e insidioso.

Um artista plástico, referência histórica do MNU do Rio de Janeiro e outras bandas do mundo, com traços finos tendo como propósito as grandes revoluções humanas.

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 Um homem dos palavrões:” Como posso falar do racismo sem falar palavrões?”

O homem das marcas, do “Trator de Veludo”, do “Faça a Coisa Certa”, “Nota Preta”, “Coisa de Crioulo.”

Um ativista com relação intima com a valorização do protagonismo negro:

“A comunidade negra conhece Nelson Mandela, mas não conhece Abdias Nascimento.

Tudo que fiz o tempo todo está ligado a questão racial.”

A última vez que , essa ativista encontrou Luiz Carlos  Gá foi em uma terça-feira, do ano de 2016, no VLT Carioca, em uma viagem técnica do Instituto Raízes de Áfricas, ao Rio de Janeiro .

A conversa foi apressada e substantiva.

A viagem técnica  tevecomo interesse conhecer profissionais, ferramentas e modelos de gestão utilizados pela Incubadora Afro Brasileira, buscando o desenvolvimento de empreendimentos de base econômica, agregados ao valor étnico para implementação no estado de Alagoas.

Gá era grandiloquente em tudo que fazia, mas. reafirmava sua amorosidade ao mundo a partir da vivência por ser avó de Matheus, o neto muito amado no mundo do artista.

Um agitador de caminhos, revolucionário de ideias, Gá agora terá seu merecido descanso.

Reencontrará o imortal, Marcos Romão.

Pode descanse, seu cabra, por aqui, você semeou Matheus.

Que o Orun o receba com muita festa.

Salve, Salve!

 

Cojira-Rio lamenta a perda de Luiz Carlos Gá, criador da logo do Prêmio Abdias

Nós, da Cojira-Rio/SJPMRJ, externamos nossos sentimentos aos familiares e amigos pelo falecimento de nosso companheiro de ativismo antirracista: Luiz Carlos Gá, que foi para Orum neste domingo (26/02).

Gá era designer gráfico, artista plástico, foi pioneiro na comunicação visual afro-centrada e atuou como professor na Escola de Belas Artes (UFRJ), na Universidade Estácio de Sá e na Escola de Artes do Senai, entre outras instituições.

Para nosso orgulho, Gá aceitou o desafio e criou a logomarca e a concepção dos materiais visuais da primeira edição do Prêmio Nacional Jornalista Abdias Nascimento (2011). Na ocasião, aplicou o Adinkra Awohokie – ideograma que representa a independência e a liberdade, vitais para o exercício do bom jornalismo.

Adinkra é um conjunto de ideogramas que compunham um sistema de escrita africano, dentre vários outros, que têm o objetivo de valorizar e preservar o legado e as tradições africanas.

Sobre o assunto, Gá nos deixa como legado um estudo feito em parceria com a professora Elisa Larkin, viúva do ex-senador Abdias Nascimento e presidenta do Ipeafro: o livro “Adinkra – Sabedoria em símbolos africanos”.

Luiz Carlos Gá agora é nosso ancestre. A Cojira-Rio lamenta profundamente esta perda irreparável.

Rio de Janeiro, 27/02/2023
Cojira-Rio/SJPMRJ