O longa A Odisseia, dirigido por Christopher Nolan e orçado em 250 milhões de dólares, chegou às telonas brasileiras em 16 de julho de 2026 envolto em debates sobre seu elenco. A polêmica teve início antes mesmo da estreia, quando a escalação da atriz Lupita Nyong'o para interpretar Helena de Troia gerou ataques preconceituosos na internet.

Diversos usuários criticaram a escolha alegando falta de representação fiel, enquanto o empresário Elon Musk afirmou que o diretor teria sacrificado a integridade da obra. Por outro lado, Nolan minimizou os comentários, classificando-os como irrelevantes, e o ator Jon Bernthal defendeu publicamente a colega de elenco.

++ Quais as diferenças de 'A Odisseia' de Nolan para o épico de Homero?

Publicidade

Leia Também:

Ausência de atores gregos na produção

Um aspecto marcante ignorado pelos críticos é que nenhum dos atores do elenco principal da superprodução é de origem grega. O elenco conta com Matt Damon como Odisseu, Anne Hathaway na pele de Penélope, Tom Holland como Telêmaco, Zendaya no papel da deusa Atena e Charlize Theron interpretando Calipso, além de Benny Safdie como Agamêmnon.

Apesar da ausência de atores gregos em todo o elenco, os ataques mais intensos focaram na atriz queniano-mexicana, que no filme interpreta dois papéis: Helena e sua irmã Clitemnestra. Outros membros da equipe, como o cantor Travis Scott e o ator Elliot Page, também enfrentaram comentários preconceituosos de cunho racista e transfóbico.

Especialistas reforçam que a obra original de Homero não descreve a personagem como uma mulher branca de cabelos loiros. Essa imagem padronizada se consolidou por meio de representações artísticas europeias ao longo dos séculos, e não pelo texto clássico da Antiguidade.

Posicionamentos sobre o debate racial

Em declaração à revista Elle, Lupita Nyong'o explicou que não pretende perder tempo rebatendo as críticas. A atriz destacou que a narrativa é mitológica e que a escolha do elenco reflete a diversidade do mundo contemporâneo.

Veículos de imprensa classificaram as reações contrárias como abertamente racistas. Enquanto críticos cobravam fidelidade histórica apenas para a figura de Helena, ignoravam o fato de que todo o restante do elenco também é composto por estrangeiros à Grécia antiga.

Três milênios após ser apontada como a causa da Guerra de Troia na mitologia, a personagem volta a figurar no centro de um conflito cultural, desta vez disputado nas redes sociais do cinema hollywoodiano.

FONTE/CRÉDITOS: Thays Andrade