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A Espanha, atual campeã e uma das sedes da Copa do Mundo de 2030, terá de enfrentar de forma explícita como a racismo, a xenofobia e a islamofobia se manifestam no futebol do país, segundo reportagem publicada pelo Terra.
Casos repetidos envolvendo Vinicius Júnior e reações de clubes
Nos oito anos em que Vinicius Júnior atua no Real Madrid, o jogador já denunciou 20 casos de racismo, aponta a matéria. Em 2021, um episódio no Camp Nou foi arquivado porque a polícia não conseguiu identificar o torcedor do Barcelona responsável pelos insultos.
Torcedores de Mallorca, Atlético de Madrid, Valencia, Real Valladolid e Osasuna também já tiveram o brasileiro como alvo. O caso mais emblemático aconteceu no Estádio Mestalla, em Valência, em 2023, quando Vinicius reagiu a provocações, foi expulso na ocasião e teve o cartão vermelho anulado posteriormente.
O Real Madrid aplicou, em 2024, uma multa e proibiu um torcedor menor de idade de frequentar o estádio por um ano por conta de atos racistas. O presidente da Fifa, Gianni Infantino, criticou o episódio em comunicado, afirmando ainda que "o futebol mostrou, durante esta Copa do Mundo, como é poderoso para unir a sociedade".
Cânticos islamofóbicos em amistoso e postura de Lamine Yamal
Em março, durante um amistoso contra o Egito, torcedores espanhóis entoaram cânticos com as palavras "quem não pula é muçulmano". A situação levou à ativação do protocolo antirracismo da Fifa, com o sistema de som do estádio pedindo que os torcedores parassem.
Lamine Yamal, de 19 anos e adepto do Islamismo, condenou os cânticos em publicação no Instagram: "Sei que eram direcionados à equipe rival e não eram pessoais contra mim, mas, como muçulmano, não deixa de ser uma falta de respeito e algo intolerável", escreveu o jogador.
A Real Federação Espanhola (RFEF) disse que buscava identificar os suspeitos e a Fifa abriu um processo disciplinar; até o momento da publicação não havia desfecho informado.
Protocolos em vigor e sanções previstas
Desde 2009 a Uefa dispõe de um protocolo em três etapas: aviso público no estádio, suspensão temporária com retirada dos jogadores e, em último caso, abandono da partida. Essas medidas servem para coibir manifestações discriminatórias de torcidas.
No começo de 2025, a Fifa lançou seu próprio protocolo, que também cobre ofensas entre jogadores e comissões técnicas. Para denunciar preconceito em campo, a orientação é fazer um gesto em "X" com os braços cruzados; o árbitro pode parar o jogo, aplicar suspensão temporária e, se necessário, declarar derrota por W.O. do time envolvido. As regras foram incorporadas ao artigo 15 do Código Disciplinar e há multa máxima de 5 milhões de francos suíços (R$ 31,69 milhões) para casos de racismo em jogos.
Durante metade da Copa do Mundo — entre 11 de junho e 1º de julho — a Fifa identificou cerca de 89 mil publicações online abusivas envolvendo o torneio, das quais 11% continham injúria racial. A Humans Rights Watch (HRW) avaliou que, apesar de condenar incidentes, a Fifa poderia fazer mais para combater a discriminação fora de campo.
Relatórios citados pela reportagem apontam também que a Europa foi identificada, em 2024, como o segundo maior foco de incidentes islamofóbicos pela Organização de Cooperação Islâmica (OIC), embora a Espanha não tenha figurado entre os países com mais casos.
Foto: Leonardo Catto
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