Nesta terça-feira (1º), durante o segundo dia do I Seminário de Avaliação dos Resultados da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, um painel centralizou as discussões sobre o fortalecimento da Política Nacional Cultura Viva. O evento reuniu gestores públicos, pesquisadores e representantes de Pontos de Cultura, com o objetivo de apresentar os resultados do primeiro ciclo da Política Nacional Aldir Blanc e traçar estratégias para ampliar seu alcance em todo o país.

A mediação da mesa, conduzida por Alexandre Santini, presidente da Fundação Casa de Rui Barbosa, enfatizou a origem compartilhada das duas políticas públicas, ambas nascidas da mobilização do setor cultural.

Santini ressaltou que a sinergia entre a Cultura Viva e a Aldir Blanc impulsiona a descentralização dos investimentos culturais. Ele lembrou que aproximadamente R$ 220 milhões do ciclo inicial foram direcionados à Política Nacional Cultura Viva, expandindo significativamente sua presença em estados e municípios.

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Expansão e capilaridade da Cultura Viva

João Pontes, diretor da Política Nacional Cultura Viva do MinC, apresentou um balanço dos investimentos desde 2023. Ele destacou que a alocação de recursos da Aldir Blanc foi crucial para aumentar a capilaridade da política.

A meta inicial era fomentar cerca de 15 mil Pontos de Cultura no primeiro ciclo, um número expressivamente superior ao alcançado nos dez anos anteriores da Política Nacional Cultura Viva. "A Cultura Viva ganhou a dimensão do Brasil. Pela primeira vez conseguimos alcançar uma capilaridade nacional, levando os Pontos de Cultura para milhares de municípios", afirmou Pontes.

Nos últimos três anos e meio, cerca de R$ 966 milhões foram investidos em Pontos e Pontões de Cultura, beneficiando mais de 23 mil iniciativas por todo o país. A expectativa é superar 30 mil iniciativas fomentadas até o final deste ano, consolidando a presença da Cultura Viva nos territórios brasileiros.

O diretor também detalhou os ajustes para o segundo ciclo, incluindo a definição de valores mínimos para editais de Pontos de Cultura. Essa medida visa balancear a ampliação do número de iniciativas com a garantia de condições adequadas para a execução das atividades culturais. "Precisamos equilibrar a ampliação do acesso com a qualidade da entrega para as comunidades. Não basta contemplar mais iniciativas; é preciso garantir condições para que elas realizem seu trabalho com qualidade", reiterou.

Impacto nos territórios: relatos de sucesso

As vivências diretas dos territórios foram compartilhadas por Daiana Martins, do Ponto de Cultura Casa de Artes Irmãs Martins, de Nilópolis (RJ), e por Maria Eugênia Guimarães, da Associação Movimento de Preservação Ferroviária Sorocabana, em Sorocaba (SP).

Ambas as representantes narraram como os recursos da Aldir Blanc impulsionaram o fortalecimento de equipamentos culturais comunitários, expandiram atividades permanentes e viabilizaram melhorias na infraestrutura, na programação e na interação com as comunidades locais.

Daiana Martins ilustrou como o suporte recebido revitalizou o espaço da Casa de Artes Irmãs Martins, permitindo obras de acessibilidade, aquisição de equipamentos e a expansão de oficinas e ações comunitárias. Ela enfatizou que a política pública valoriza iniciativas já enraizadas: "A cultura não se leva para o território. A cultura já está no território. O que a gente pede é simples: cheguem com respeito, cheguem com recurso, cheguem com escuta".

Maria Eugênia Guimarães, por sua vez, descreveu o trabalho de preservação da memória ferroviária em Sorocaba. Ela explicou que a política possibilitou integrar diversas ações em um projeto contínuo, abrangendo programação cultural, formação, comunicação e atividades educativas. "A PNAB tornou possível pensar todas essas iniciativas como uma única estratégia de fortalecimento da associação, e esse é um ganho que ninguém tira da gente", concluiu.

Análise acadêmica e monitoramento da política

Encerrando o painel, Luana Vilutis, coordenadora do Consórcio Universitário Cultura Viva pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), apresentou análises baseadas em estudos do Ministério da Cultura e no Diagnóstico Econômico da Cultura Viva.

A pesquisadora sublinhou a contribuição da Aldir Blanc para a ampliação da presença da Cultura Viva nos municípios e destacou o papel fundamental das organizações comunitárias, dos trabalhadores da cultura e das redes territoriais na implementação da política pública. "Temos hoje um instrumento muito poderoso para monitorar e avaliar a política pública. Esses estudos nos ajudam a compreender quem está sendo alcançado e a aperfeiçoar os próximos ciclos da PNAB", afirmou Vilutis.

A programação do I Seminário de Avaliação dos Resultados da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura prossegue ao longo desta terça-feira (1º). Novos painéis abordarão resultados do primeiro ciclo, participação social, articulação federativa e monitoramento, além de promover o diálogo entre gestores, pesquisadores e agentes culturais de todo o país.