O Ministério da Cultura (MinC) anuncia a implantação do primeiro MovCEU Flutuante do Brasil, um projeto-piloto inovador que visa democratizar o acesso à cultura em regiões remotas da Amazônia. A iniciativa será desenvolvida em Amaturá, no Alto Solimões (AM), em colaboração com a prefeitura local, levando infraestrutura cultural itinerante a comunidades ribeirinhas e indígenas.

Essa embarcação cultural itinerante atenderá tanto a sede do município quanto as comunidades ribeirinhas e aldeias indígenas da região. A parceria prevê que o MinC doará os equipamentos e mobiliários essenciais, enquanto a Prefeitura de Amaturá ficará responsável pela adaptação da estrutura fluvial.

Amaturá, situado no Alto Solimões a aproximadamente 1.000 quilômetros de Manaus, conta com uma população de pouco mais de 11 mil habitantes. A dinâmica de vida local, onde os rios são vias cruciais para deslocamento e integração, ressalta a importância do transporte fluvial para a garantia de serviços públicos e atividades culturais.

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A concepção deste projeto do MinC insere-se no Programa Territórios da Cultura. Ele nasceu de demandas levantadas na 4ª Conferência Nacional de Cultura, que sublinharam a urgência de criar políticas públicas específicas para as particularidades dos territórios amazônicos.

“O objetivo é expandir o acesso às políticas públicas de cultura para populações historicamente desfavorecidas em relação a esses investimentos”, explica Cecília Sá, subsecretária de Espaços e Equipamentos Culturais do MinC. Ela destaca a necessidade de um olhar particular para a região amazônica, buscando “chegar com infraestrutura cultural para potencializar a produção local, ampliar repertórios e promover intercâmbio cultural”.

Cultura sobre as águas na Amazônia

O MovCEU Flutuante será instalado em uma bajara, tipo de embarcação comum na Amazônia para transporte. Essa estrutura será adaptada para se tornar um equipamento cultural móvel, atendendo a sede de Amaturá, bem como comunidades ribeirinhas e aldeias indígenas que dependem exclusivamente do transporte fluvial.

Com mais de 80% de sua população composta por povos indígenas, Amaturá enfrenta desafios de isolamento em certas épocas do ano devido às condições de navegação. O MovCEU Flutuante, portanto, surge como uma solução estratégica para garantir atividades culturais, formações e acesso a bens culturais em locais com oferta limitada.

Nazaré Rocha, prefeita de Amaturá, expressa o orgulho do município: “Receber o primeiro MovCEU Flutuante do Brasil é motivo de orgulho para Amaturá. Esse equipamento vai fortalecer a cultura local, incentivar os fazedores de cultura e ampliar o acesso às atividades culturais, especialmente para as comunidades mais distantes.”

A embarcação será equipada com uma biblioteca comunitária, com acervo do PNLD Literário, e um cinema a céu aberto com tela externa. Haverá também palco e concha acústica inflável para apresentações artísticas, além de estrutura para palestras, oficinas e atividades formativas, complementada por equipamentos de audiovisual e projeção cultural.

A prefeita Nazaré Rocha complementa que Amaturá já possui uma rica tradição cultural, visível em suas festas populares e manifestações indígenas e ribeirinhas. “Com essa iniciativa, nossa cultura poderá chegar ainda mais longe. Agradecemos ao Governo do Brasil e ao Ministério da Cultura por investirem em um projeto que respeita a realidade da Amazônia e amplia os direitos culturais da nossa população.”

Cecília Sá reitera a versatilidade do projeto: “Ele serve para teatro, música, cinema, literatura e diversas outras atividades. A ideia é criar uma infraestrutura que permita que a produção cultural da região seja vivenciada ali e também conhecida pelo Brasil inteiro.”

Modelo para o futuro: expansão e diversidade cultural

Cecília Sá esclarece que o modelo implementado em Amaturá servirá como um projeto-piloto. Ele orientará futuras iniciativas em outros territórios fluviais do Brasil, permitindo uma compreensão aprofundada sobre o funcionamento, os custos e os tipos de embarcação mais adequados para cada região.

“É a primeira vez que estamos olhando para esses territórios sem uma padronização”, destaca a subsecretária, reforçando a abordagem personalizada. O MinC já está em conversas para replicar a experiência em outras áreas da Amazônia, no Pará, no Pantanal e em comunidades ribeirinhas por todo o país.

Esta iniciativa marca um avanço significativo no reconhecimento das particularidades territoriais e da vasta riqueza cultural gerada no interior do Brasil. “É necessário que a gente chegue nesses lugares e que o Brasil conheça o que é produzido culturalmente nesses territórios. Essa diversidade é uma das maiores riquezas do país e precisa se expressar para todo mundo”, finaliza Cecília Sá.

O Programa MovCEUs e a Rede Territórios da Cultura

Os MovCEUs representam equipamentos culturais móveis projetados para expandir o acesso à cultura em diversas localidades brasileiras. Eles operam como espaços itinerantes, oferecendo atividades culturais, programas de formação, inclusão digital e fortalecimento comunitário, levando serviços e oportunidades a populações de diferentes regiões.

Este projeto faz parte do Programa Territórios da Cultura, uma rede de equipamentos culturais do MinC que engloba os CEUs das Artes, os CEUs da Cultura e os MovCEUs. O novo MovCEU Flutuante integra-se a essa rede, contribuindo para ações de formação, planejamento e gestão compartilhada entre os diversos equipamentos culturais.