A Marcha das Mulheres Negras de São Paulo realiza a 11ª edição no sábado, 25 de julho, com concentração prevista a partir das 13h na Praça Roosevelt, no centro da capital. A mobilização, cujo lema retoma a memória da primeira marcha paulista realizada em 25 de julho de 2016, coloca a exigência de justiça por Luana Barbosa no centro das reivindicações.

Programação e percurso

A agenda da tarde inclui uma aula pública em formato de roda com as intelectuais Cida Bento, Lenny Blue e Astrogilda, a leitura coletiva do manifesto de 2026, intervenções artístico-culturais e a Marchinha de acolhimento às crianças. Entre as atrações musicais anunciadas estão Ilú Obá de Min e Luana Hansen.

O cortejo parte da Praça Roosevelt e percorre pontos centrais da cidade, passando pela Biblioteca Mário de Andrade até o encerramento no Theatro Municipal, onde estão previstas intervenções artísticas, entre elas as de Dandara Kuntê e Periferia segue sangrando. A organização prevê atividades de acolhimento e música na concentração.

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Além do ato principal, os grupos de trabalho da Marcha mantêm, ao longo do ano, atividades de formação política, comunicação, acolhimento e incidência territorial, conforme apresenta a organização.

Memória da origem e exigência de responsabilização

A trajetória que a mobilização celebra remonta à Marcha Nacional das Mulheres Negras de 18 de novembro de 2015, em Brasília, que reuniu cerca de 50 mil mulheres. Em 25 de julho de 2016, aproximadamente 3 mil mulheres ocuparam as ruas de São Paulo na primeira edição local dessa data.

A memória de Luana Barbosa atravessa a origem e o presente da marcha: segundo o material da organização, Luana, mulher negra, lésbica, periférica e mãe, morreu em abril de 2016, em Ribeirão Preto, após uma abordagem policial que a deixou gravemente ferida. O manifesto de 2026 repete a cobrança por responsabilização, afirmando que, até o momento, nenhum dos responsáveis foi preso e que a família ainda aguarda justiça.

O documento também coloca no centro a luta contra a violência policial e outras formas de violência que atingem mulheres negras, conectando memória e reivindicação por responsabilização e garantia do direito à vida.

Plataforma de reivindicações e posicionamento eleitoral

O manifesto da Marcha de 2026 elenca uma série de pautas, entre as quais a demanda por reparação histórica, combate aos feminicídios, lesbocídios e transfeminicídios, trabalho digno, fim da escala 6x1 sem redução salarial, fortalecimento da saúde pública e garantia dos direitos sexuais e reprodutivos.

Na educação e na cultura, a Marcha defende o ensino público que reconheça saberes negros, indígenas, quilombolas e dos povos de terreiro, a proteção de manifestações culturais afro-brasileiras e periféricas e o enfrentamento à censura de expressões como o funk. O manifesto também denuncia o racismo ambiental e os impactos desiguais da crise climática sobre comunidades negras.

Quanto à dimensão eleitoral, o documento, atribuído à organização, defende a derrota da extrema direita, a ampliação da presença de mulheres negras cis e trans em espaços de poder, o cumprimento das cotas eleitorais e o enfrentamento à violência política. O manifesto assume posição favorável à reeleição de Lula em 2026, atribuindo essa escolha à necessidade de impedir o retorno de um projeto político que, na avaliação da Marcha, aprofundou a violência, o desmonte de direitos e as desigualdades no país.

A mobilização de 2026 reúne memória e projeto: justiça por Luana Barbosa, reparação histórica, Bem Viver e a presença de mulheres negras nas ruas e nas urnas.

Foto: Geledés Instituto da Mulher Negra