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Neguinho da Beija-Flor, com uma trajetória de 50 anos na avenida e 15 títulos conquistados, celebrou sua carreira marcante em um evento que reuniu intérpretes e personalidades do carnaval. A discussão, realizada na Biblioteca Parque Estadual do Rio de Janeiro, focou na profissionalização dos cantores de samba-enredo e revisitou momentos cruciais da vida do artista de Nilópolis, destacando a importância da valorização dos profissionais do carnaval.
O evento, que leva o nome do homenageado, contou com a mediação do jornalista João Carlos Barreto e a participação de nomes como Celsinho de Andrade, filho do intérprete Avelino de Andrade, Eraldo Caê, ex-auxiliar de Jamelão, e Juan Reis, jovem intérprete.
Vídeos e depoimentos de figuras da Beija-Flor, como Selminha Sorriso e o presidente Almir Reis, marcaram o início das celebrações, relembrando a ascensão de Neguinho e sua contribuição para o primeiro campeonato da escola.
“Nunca imaginei que eu criaria coisas para o Carnaval, que viveria fatos tão marcantes como criar o grito de guerra para minha escola, proporcionar a ela o primeiro campeonato”, compartilhou Neguinho, que também lamentou a desvalorização do artista de carnaval, citando um episódio na Itália onde o samba foi erroneamente associado a Gilberto Gil, em vez de nomes como Jamelão e Martinho da Vila.
O intérprete enfatizou a disparidade salarial entre cantores de samba-enredo e outros artistas musicais, incluindo do próprio gênero samba fora do contexto carnavalesco. “A diferença de remuneração de um cantor normal de samba, que tenha uma carreira fora do carnaval, para um intérprete é simplesmente 100 vezes maior. O intérprete de escola de samba é o menos valorizado”, afirmou, clamando por maior reconhecimento financeiro e geral para todos os segmentos das escolas de samba.
João Carlos Barreto corroborou a fala, citando casos de esquecimento de grandes nomes do samba em funerais, e ressaltou a necessidade de honrar o passado para construir o presente.
Celsinho de Andrade trouxe à tona a fidelidade de Neguinho à Beija-Flor, comparando-a com a de seu pai à Portela, e lamentou a perda desse tipo de vínculo no carnaval atual, cada vez mais profissionalizado.
Eraldo Caê compartilhou uma anedota sobre a preparação de Jamelão antes dos desfiles, ilustrando a intensidade e a peculiaridade dos bastidores do carnaval.
Juan Reis, representando a nova geração, expressou sua admiração por Gilsinho e seu sonho de seguir os passos dos grandes intérpretes, honrando o legado deixado.
O evento, organizado pela Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro, visa fomentar debates e a criação de efemérides anuais em homenagem a personalidades do carnaval, como Neguinho da Beija-Flor e Maria Augusta.
A roda de conversa foi encerrada com Neguinho da Beija-Flor interpretando “A Voz do Morro”, um clássico de Zé Keti, reafirmando seu lugar como um dos maiores representantes do samba.
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