Os anos finais do Ensino Fundamental são uma das etapas mais desafiadoras da educação brasileira. É nesse período que se intensificam problemas como evasão escolar, distorção idade-série, violências e dificuldades de aprendizagem, impactos que atingem de forma desproporcional estudantes negros, periféricos e moradores de territórios marcados por desigualdades históricas.

Com o objetivo de fortalecer o debate sobre equidade na educação pública, a Ação Educativa lança a publicação Indicadores da Qualidade nos Anos Finais do Ensino Fundamental, um instrumento de autoavaliação participativa que propõe que estudantes, educadores, gestores, famílias e comunidades construam, coletivamente, diagnósticos e planos de ação voltados à melhoria das escolas.

Desenvolvida em parceria com o Ministério da Educação (MEC) e a Secretaria de Educação para Todos (SETA), a publicação amplia a coleção Indicadores da Qualidade na Educação ao dedicar um volume específico aos anos finais do Ensino Fundamental, reconhecendo que essa etapa exige políticas públicas e práticas pedagógicas próprias.

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Entre os diferenciais do material está o entendimento de que não existe uma única forma de viver as adolescências. A publicação propõe que marcadores como raça, classe, gênero e território façam parte da reflexão sobre qualidade da educação, reconhecendo que esses fatores influenciam diretamente o acesso, a permanência e as oportunidades de aprendizagem.

Mais do que reunir indicadores, o material apresenta uma metodologia para que cada comunidade escolar desenvolva processos coletivos de avaliação, ampliando a compreensão sobre qualidade da educação para além dos resultados de provas e avaliações externas. A proposta incorpora dimensões como gestão democrática, participação estudantil, convivência, inclusão, permanência escolar e a relação entre escola e território.

"O desafio de garantir qualidade nos anos finais do Ensino Fundamental passa por reconhecer que as escolas não podem ser avaliadas apenas pelos resultados de provas. É preciso ouvir estudantes, educadores, famílias e comunidades para compreender os desafios de cada território e construir respostas coletivas. Essa publicação nasce para fortalecer esse processo e contribuir para que as escolas desenvolvam ações capazes de assegurar o direito à educação de todos os adolescentes", afirma Edneia Gonçalves, coordenadora da Ação Educativa.

O lançamento foi marcado por um seminário promovido pela Ação Educativa, em parceria com o MEC e a SETA, reunindo pesquisadoras responsáveis pela elaboração da publicação e representantes das instituições parceiras para discutir os desafios das adolescências nos anos finais do Ensino Fundamental e o papel da autoavaliação participativa na construção de políticas públicas comprometidas com a equidade e a qualidade da educação.