O primeiro eixo do Seminário Nacional das Rodas de Samba, realizado recentemente no Rio de Janeiro, destacou o impacto significativo das rodas de samba na economia criativa e no ecossistema urbano. O sambista João Grand Jr. abordou como esse movimento cultural, através da Rede Rodas de Samba, contribui para a formulação de políticas públicas e gera mais de 180 eventos mensais na cidade.

Um levantamento recente revelou a existência de 112 rodas ativas, que resultam em impressionantes mais de 182 eventos mensais no Rio de Janeiro. Segundo o seminário, poucas manifestações culturais demonstram tamanha capilaridade e representatividade, consolidando as rodas de samba como um pilar fundamental da cena cultural e da economia criativa carioca.

A trajetória de Pedro Oliveira e a Savana

O empresário Pedro Oliveira, proprietário da casa de samba Savana, compartilhou sua inspiradora jornada. Ele relatou a superação de um episódio de racismo, quando um gerente de banco se recusou a fechar um contrato devido à sua cor, quase o levando a desistir de seu sonho.

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Apesar do obstáculo, Oliveira consolidou seu empreendimento na Pequena África, no Centro do Rio, e hoje a Savana é reconhecida por suas ações de acessibilidade social, garantindo que todos se sintam acolhidos no espaço.

“Estava tudo certo para um local, mas, na hora de fechar o contrato, o dono falou que com preto ele não fechava”, relembrou Oliveira, destacando o impacto da discriminação. “Isso me fez pensar durante dois dias seguidos que ser empresário não era para mim. Mas aí achamos esse local onde estamos agora, na Pequena África, e abrimos a Savana”.

O empoderamento feminino no samba com Ellen Oliveira

Ellen Oliveira, criadora do Festival Divas do Samba no Distrito Federal, que celebra 10 anos, ressaltou o crescente protagonismo feminino no evento. A cada edição, a participação de mulheres se expande, abrangendo desde a organização nos bastidores até a composição da banda-base, que é exclusivamente feminina.

“Trabalhar com festival, com exclusividade, é muito difícil porque você começa com quase nada e é muito complicado”, admitiu Ellen. No entanto, ela enfatizou que “com muito trabalho, persistência e preparação, você consegue alcançar o sucesso. Mas é preciso preparação”.

Marquinhos de Osvaldo Cruz e a essência do samba

O renomado cantor e compositor Marquinhos de Osvaldo Cruz iniciou sua intervenção provocando a plateia com uma reflexão: “O que é o samba? O que é a roda de samba para vocês?”.

Marquinhos, que se declara não ser produtor cultural, mas um apaixonado pelo samba, narrou sua motivação para agir. Ao notar o declínio da relevância cultural de Madureira, mesmo com a presença de escolas icônicas como Portela e Império Serrano, ele decidiu intervir.

Recordando seus dias como caixeiro na loja de seu pai, onde convivia com mestres como Monarco, percebeu seu potencial para revitalizar o samba local. Essa percepção o levou à criação do Trem do Samba, uma iniciativa que parte da estação Oswaldo Cruz em direção ao Centro do Rio.

“Quando trabalhei como caixeiro na loja do meu pai, onde iam amigos dele, como Mestre Monarco, vi que poderia ajudar na recuperação da cultura em Madureira”, compartilhou Marquinhos. Ele destacou que o surgimento do Trem do Samba, que celebra 30 anos, e da Feijoada da Família Portelense, com 23 anos, são provas vivas de que “o samba é economia e cultura para todos”.

O samba como ferramenta de transformação social pela Ambev

Lucas Lima, diretor de Políticas Públicas da Ambev, trouxe à tona um artigo de Beth Carvalho para a empresa, que ressaltava o samba como expressão do povo que sofre. Lima enfatizou o papel transformador do samba e das rodas de samba na redução da violência e no fortalecimento da convivência social em regiões vulneráveis do Rio de Janeiro.

“Lembrei de como as rodas de samba trouxeram paz e tranquilidade para as comunidades do Rio”, afirmou Lima. Ele concluiu que “foi a cultura que conseguiu reduzir a violência em alguns locais e fazer com que as pessoas tivessem mais dignidade em seus territórios”.

Para finalizar, Lucas Lima apresentou o edital “Brasilidades” da Ambev, reforçando o compromisso da empresa com a valorização da cultura brasileira.

Este artigo foi originalmente publicado em Carnavalesco.

FONTE/CRÉDITOS: Colaboração Carnavalesco