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A nova edição do livro “Ayà Mí O Já! Eu Não Tenho Medo” (literatura infantojuvenil e afrorreferenciada) é mais do que uma publicação física independente. De autoria das mulheres negras Jamila Marques e Keise Barbosa (ambas escritoras) e Letícia Carvalho (ilustradora), a obra reeditada chega com tecnologias digitais, animações, trilha sonora, acessibilidades e experiências interativas para crianças e adolescentes. Além disso, traz narrativas relacionadas às periferias do Recife, à natureza e ao Quilombo de Cuieiras (Igarassu/PE - Região Metropolitana do Recife), às margens do Rio Timbó, que banha o Litoral Norte de Pernambuco.
Com o recurso de acessibilidade da interpretação em Libras, o lançamento do livro acontece no Centro de Promoção dos Direitos da Mulher Marta Almeida (rua do Bom Jesus, nº 147, Bairro do Recife), dia 31 de janeiro (sábado), às 14h, com acesso gratuito. Esta 2ª edição une oralitura — conceito da autoria da pensadora negra Leda Maria Martins —, animações, música e uma solução em realidade aumentada (RA). Vale dizer também que o resultado da obra literária é coletivo, durante um longo ciclo de imersão, trocas e aprendizados da equipe.
A programação de lançamento é composta por atividades artístico-culturais: roda de conversa com a equipe; apresentação musical do grupo Edún Ará Sangô; contação de história do livro “Ayà Mí O Já! Eu Não Tenho Medo” com Joaninha Dias; sessão de autógrafos; e interação visual com a obra.
O resumo do livro diz: “Sabia que todas as crianças negras guardam uma magia dentro de si? Ayo, a personagem principal, descobre desde muito cedo que pode viajar nas curvas do tempo dos caracóis para encontrar no passado conhecimentos sobre si, sua família e seu povo”.
A 2ª edição surge do projeto “Oralituras Digitais em Multimodalidades (RA) da Literatura Ayà Mí O Já! Eu Não Tenho Medo”, que tem como objetivo a reedição e ampliação de um livro infantojuvenil afrorreferenciado. A proposta movimenta literatura, tecnologias imersivas e memória e ancestralidade negra, para uma nova versão do livro físico acompanhada de animações disparadas por meio da realidade aumentada, com conteúdos acessados pelo aplicativo web. A consultoria e solução digital foram construídas por Sérgio Monteiro (Lelo).
“O livro ‘Ayà Mí O Já! Eu Não Tenho Medo’ reúne memórias das autoras, cruzadas com histórias inventadas e florestadas em territórios históricos onde a vida negra também se manifesta: nas periferias e no quilombo. Esta edição tem como propósito experimentar as escrevivências e estender a oralidade presente na narrativa por meio da tecnologia digital. A proposta do livro engloba animações, música, ancestralidade e realidade aumentada para criar uma interação que potencializa e sensibiliza a leitura, além de promover a internalização dos saberes ancestrais da cultura e história afro-brasileira e africana”, declara Jamila Marques.
Literatura que potencializa o reconhecimento de crianças negras sobre sua identidade e cultura afrodiaspórica, “Ayà Mí O Já! Eu Não Tenho Medo” tem incentivo público, sendo financiado pela Lei Paulo Gustavo (LPG), por meio do edital Recife Criativo, da Prefeitura da Cidade do Recife, juntamente com a Secretaria de Cultura da Cidade do Recife e a Fundação de Cultura da Cidade do Recife. Além do mais, recebe o apoio da Secretaria da Mulher do Recife, Centro de Promoção dos Direitos da Mulher Marta Almeida e Recife das Mulheres. Já as parcerias são com o Centro Cultural Grupo Bongar - Guitinho da Xambá; Joaninha Dias; Iyá Marisqueiras e toda comunidade de Cuieiras.
“Queremos alargar a travessia das crianças através de uma leitura que se complementa com outras tecnologias para expandir as oralidades presentes na narrativa. Desde 2023, estamos, coletivamente, estudando e criando essa experiência para que as nossas crianças possam vivenciar no corpo a literatura de forma acessível, sensível, divertida e pedagógica”, acrescenta a escritora Jamila Marques.
Ancorada nos estudos sobre a educação e a ancestralidade, a reedição do livro é fruto dos caminhos do Quilombo de Cuieiras, a partir do conhecimento da sua história de formação e do compartilhamento do saber. Existe uma relação direta com a vinda do povo de Camunda e Cabinda e a extensão do Quilombo do Catucá, em Camaragibe (RMR).
“Como a pequena Ayo, estamos dialogando com o tempo para acessar memórias ancestrais. Nos inspiramos na memória para potencializar o presente e a travessia dos medos que surgem nas infâncias negras. ‘Ayà Mí O Já! Eu Não Tenho Medo’ também é um chamado para que as futuras gerações cresçam cheias de histórias que inspirem a sonhar e realizar”, destaca Keise Barbosa.
Uma das animações da obra é com a canção em yorubá “Orin Ibeji”, interpretada pelo Edún Ará Sangô, grupo musical pernambucano autoral. O detalhe é que a música é lançada na voz do cantor e compositor Leonardo Salomão (em memória). Com as ilustrações de Letícia Carvalho, a direção de arte, diagramação e animações são assinadas pelo artista pernambucano Diego Mancha Negra, destacando um imaginário centrado na África e na diáspora para as infâncias negras.
Não tem como pensar literatura sem torná-la acessível para todas as pessoas. As ferramentas de inclusão — libras (intérprete/janela), audiodescrição e legendas — estão inseridas no livro, com a consultoria da Centrae Acessibilidade Comunicacional, criada pela pernambucana Poliana Alves e pioneira em Pernambuco, sendo composta por mulheres negras, periféricas, LGBTQIAPN+ e com deficiência. A equipe da Centrae reforça que cada criança acessa os textos, as imagens e os sons de um jeito próprio.
“Os recursos de acessibilidade também dialogam com memórias comunitárias, vivências periféricas e saberes ancestrais. O propósito é garantir os direitos à leitura, à literatura, à informação e à comunicação para as crianças. Falamos sobre como comunicar de forma ética, inclusiva e sensível, especialmente quando tratamos de infâncias negras, suas histórias, suas narrativas e suas múltiplas formas de ser e perceber o mundo”, pontua Keise Barbosa.
Com uma diversidade de profissionais de Pernambuco na equipe técnica, as funções são assumidas por Jamila Marques e Keise Barbosa (escritoras e cogestão); Letícia Carvalho (ilustrações); Mariana Andrade (revisora); Maria Gesis (produção geral); Diego Mancha Negra (direção de arte, diagramação e animações); Wassi Kamal Amoussa (tradução da canção em yorubá “Orin Ibeji”); Akin (ator de captura de movimento - Ayo); Omilare (dubladora - Ayo); Poliana Alves (consultoria em Acessibilidade Comunicacional); Sérgio Monteiro (consultoria e desenvolvedor em realidade aumentada); Túlio Seabra e Ubira Machado (audiovisual e fotografias); Rebecka Santos (mídias sociais); e Joaninha Dias (leitura e contação de História).
“Ayà Mí O Já! Eu Não Tenho Medo” (lançamento da 2ª edição do livro de literatura infantojuvenil e afrorreferenciada - 2026)
Data: 31 de janeiro (sábado)
Local: Centro de Promoção dos Direitos da Mulher Marta Almeida (rua do Bom Jesus, nº 147, Bairro do Recife)
Horário: 14h
Entrada: gratuita
Programação
Abertura oficial e início do lançamento;
Roda de conversa com a equipe;
Apresentação musical do grupo Edún Ará Sangô;
Contação de história do livro Ayà Mí O Já! Eu Não Tenho Medo, com Joaninha Dias;
Sessão de autógrafos;
Interação visual com a obra literária.
Ficha técnica
Realização: “Ayà Mí O Já!” Literatura afrorreferenciada para crianças
Escritoras e cogestão: Jamila Marques e Keise Barbosa
Ilustrações: Letícia Carvalho
Revisora: Mariana Andrade
Produção geral: Maria Gesis
Direção de arte, diagramação e animações: Diego Mancha Negra
Consultoria em Acessibilidade Comunicacional: Centrae | Poliana Alves
Consultoria e desenvolvedor em realidade aumentada: Sérgio Monteiro (Lelo)
Trilha sonora, arranjo e gravação da canção "Orin Ibeji": Edún Àrá Sangô
Tradução da canção em yorubá “Orin Ibeji”: Wassi Kamal Amoussa (curso de Yorubá Iniciante - PROLEM/UFF).
Ator de captura de movimento (Ayo): Akin Amorim Braga
Dubladora (Ayo): Omilare Monteiro de Oliveira
Audiovisual e fotografias: Túlio Seabra e Ubira Machado
Mídias sociais: Rebecka Santos
Leitura e contação de história: Joaninha Dias
Parcerias: Centro Cultural Grupo Bongar - Guitinho da Xambá, Iyá Marisqueiras e toda comunidade do Quilombo de Cuieiras.
Incentivo público: financiamento pela Lei Paulo Gustavo (LPG), por meio do edital Recife Criativo, da Prefeitura da Cidade do Recife, juntamente com a Secretaria de Cultura da Cidade do Recife e a Fundação de Cultura da Cidade do Recife
Apoio: Secretaria da Mulher do Recife, Centro de Promoção dos Direitos da Mulher Marta Almeida e Recife das Mulheres
Publicado por:
Daniel Lima
Comunicador social & jornalista. De Caruaru/PE, criado no Recife. Atua com assessoria de imprensa artístico-cultural e atualmente é assessor de imprensa/mídias sociais do Coco Raízes de Arcoverde/PE.
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