O Centro de Articulação de Populações Marginalizadas (CEAP) e a Favelivro inauguraram, na última quinta-feira (25), a Biblioteca Maju Coutinho na sede da instituição, no bairro da Saúde. A cerimônia ocorreu em alusão ao Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e ao Dia Nacional de Tereza de Benguela, com o objetivo de exaltar o protagonismo feminino negro e criar um polo de incentivo à leitura.

Homenagens e reflexões sobre a memória negra

A jornalista e apresentadora Maju Coutinho participou ativamente da solenidade ao lado de seus pais, João Raimundo Coutinho e Zilma Coutinho. Durante a recepção, a homenageada comemorou a abertura do espaço comunitário com abraços, fotos e doações de livros para o acervo inicial.

A abertura oficial do evento foi realizada pelo presidente do CEAP, professor Ele Semog. Logo em seguida, a professora doutora Mariana Gino mediou uma mesa de debate com intelectuais e educadoras como Helena Theodoro, Verônica Marcílio, Lavini Castro e Janete Ribeiro, além de Maju Coutinho.

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O painel abordou temas centrais como a importância da educação antirracista, o fortalecimento da literatura afro-brasileira e a preservação do patrimônio imaterial. Os participantes destacaram como o conhecimento serve de pilar estratégico para a transformação de realidades periféricas.

Apresentações culturais e discurso marcante

A programação artística contou com apresentação musical da cantora Segura Nega e performance de dança ancestral do Balé Aya, integrante do Bloco Afro Ilú Axé Muvuka. Os espetáculos ressaltaram os laços culturais e a identidade afrodescendente presentes na iniciativa.

Em seu pronunciamento, Maju Coutinho relembrou a luta histórica das mulheres negras desde a abolição da escravatura em 1888. Citando a pensadora Angela Davis, a jornalista enfatizou que sua presença naquele espaço resulta diretamente da movimentação de gerações que a antecederam.

A diretora executiva adjunta do CEAP, Mariana Gino, ressaltou que batizar o espaço com o nome da jornalista celebra também a trajetória de quatro décadas da entidade na defesa da cultura e do acesso ao conhecimento.

Exibição de documentário e presenças ilustres

No encerramento das atividades, o Coletivo de Mulheres da CONAQ exibiu o documentário Cafuné. A produção retrata os desafios vividos por defensoras de territórios quilombolas e propõe ações de autoproteção no campo socioambiental.

O público acompanhou ainda um recital de poesia comandado pelo pai da homenageada, João Raimundo Coutinho. A solenidade reuniu personalidades como a médica Thelminha, a ativista Nilcemar Nogueira, o diretor Jorge Espírito Santo e a empresária Suzy Clementino.

Resultado do esforço conjunto do CEAP e da Favelivro, com apoio de redes antirracistas locais, a nova biblioteca consolida-se como um centro permanente de pesquisa, literatura e cidadania comunitária.

FONTE/CRÉDITOS: Thays Andrade