A atriz e rainha de bateria Quitéria Chagas contou em sua autobiografia lançada recentemente, sobre uma situação ocorrida quando ainda estava na União da Ilha, no final da década de 90.

O relato de Quitéria passa por uma situação onde ela observava mulheres brancas e loiras, em sua maioria, basicamente ocupando lugares que deveriam ser ocupados por mulheres pretas, que muitas vezes, eram colocadas para apoiar e ajudar quem era contratada.

“Sempre fui militante, visionária e audaciosa. Ano após ano, entrava uma mulher branca e loira que precisava ser contratada para aprender a sambar com as passistas da escola, pois a passista não podia sair da bateria. Aquilo me revoltava profundamente. Não entrava na minha cabeça que uma pessoa preta precisava se submeter a ensinar uma pessoa branca a sambar, enquanto a pessoa preta não podia ocupar um lugar de protagonismo.”, relembra Quitéria.

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Nesse contexto, Quitéria e todas as passistas presentes naquela situação se perguntavam o porquê deste espaço não ser cedido a elas, que estavam preparadas para ocupá-los.

“Por que nós, que somos passistas, não podemos ocupar aquele lugar? Por que não temos rainhas de bateria pretas, passistas?’. A resposta que ouvi, de um homem preto, foi direta e dura: “Neguinha, esse lugar não é para você. Tem que pagar. Tem dinheiro?”. Essa era a realidade da época. A frase “Esse cargo não nasceu para vocês, pretos” doeu profundamente. Aquilo me atingiu lá no fundo. Mas sou o tipo de pessoa que, ao ouvir que um lugar não me pertence ou que não posso estar em determinado espaço, encontro uma forma de ocupar esse lugar.”, disse Quitéria.

Na autobiografia de Quitéria, A Rainha Que Quebrou Barreiras, essa e outras vivências são retratadas com mais detalhes, diretamente do ponto de vista da rainha, que conta suas lutas e barreiras enfrentadas em toda a sua carreira e vida pessoal.