Projeto Agricultura Social: Reparação Histórica Para Comunidades Rurais Do Rio

Neste sábado, em Areal, na Região Serrana do Rio de Janeiro, o Governo do Estado realiza a 2ª edição do projeto Agricultura Social, em parceria com a Corga Produções. A ação vai além da simples entrega de serviços: ela representa um gesto concreto de reparação histórica e justiça social para os territórios rurais e periféricos, que, muitas vezes, são invisibilizados no debate público.

Combate À Invisibilidade e ao Abandono

O projeto se volta para comunidades onde vivem, majoritariamente, famílias negras e trabalhadores do campo, que há décadas enfrentam o abandono do Estado. Nessas áreas, a carência de políticas públicas é notória, faltando serviços de saúde, educação, documentação, segurança alimentar e incentivo à produção. Não por acaso, são essas as mesmas populações que carregam no corpo e na terra as cicatrizes da desigualdade.

Ao levar para Areal ações como capacitações técnicas, implantação de hortas comunitárias, emissão de documentos, atendimento médico e atividades educativas, o Agricultura Social planta mais que hortaliças: planta cidadania. Planta o reconhecimento de que essas pessoas têm direito ao básico. Direito ao cuidado, à inclusão, à terra, à voz.

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Não se trata apenas de promover oficinas ou montar tendas de atendimento. Trata-se de uma política pública que reconhece o valor dos saberes tradicionais, da resistência negra e da potência periférica do campo. Um projeto que entende que não há sustentabilidade sem equidade racial, sem redistribuição de oportunidades e sem o enfrentamento direto das estruturas que ainda excluem milhões de brasileiros do acesso pleno à cidadania.

Ao contrário do que muitos pensam, a periferia não está só na cidade. Ela existe no campo, nas encostas, nos assentamentos, nas áreas rurais onde o transporte não chega e onde a política só aparece em época de eleição. É por isso que ações como essa precisam ser defendidas, ampliadas e replicadas.

Que o Agricultura Social não seja apenas um evento pontual, mas o início de uma virada de chave no modo como o poder público se relaciona com a população negra, periférica e rural. Porque quando o Estado escolhe estar presente nesses territórios, ele não está fazendo um favor. Está fazendo o mínimo: reconhecendo direitos.

FONTE/CRÉDITOS: Divulgação