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Sexta, 01 de julho de 2022

Negras e Negros

Larissa Nunes desabafa sobre importância de personagem estruturada no amor em Além da Ilusão

Larissa Nunes fala sobre personagem em Além da Ilusão

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Estreia com o pé direito. Assim foi o pontapé inicial de Larissa Nunes, a professora Letícia, de Além da Ilusão. Sucesso no folhetim das 18h, a atriz conta estar feliz da vida por poder contar, já no seu primeiro papel na TV, a história de uma personagem negra com substância e estruturada no amor, fugindo da exploração da sensualidade ou da violência.

“Eu sou apaixonada por livros. Leio vários e foi o teatro que me abriu o espaço para ter sempre um livro na minha cabeceira. Atualmente, estou lendo dois ‘Vidas Rebeldes, Belos Experimentos’, de Saidiya Hartman; e relendo ‘Dom Casmurro’, de Machado de Assis”, conta.

Com o ano agitado de trabalhos, além da novela, Larissa, que é a atriz e também cantora – ela tem um carinho especial pelo seu primeiro EP LARINU como o seu trabalho favorito no mundo da música – aguarda pelo lançamento do seriado O Rei da TV, que conta a vida de Sílvio Santos, no canal Star+.

“Na série faço a Cleusa, que é uma assistente de produção e em seguida diretora do programa do Silvio Santos. Ela é uma mulher bem eficiente, regrada e séria. Divido essa personagem com a atriz Cassia Damasceno. Para dar vida a essa personagem cortei o cabelo e engordei. Acho que vocês verão a trajetória do Silvio Santos de um ponto de vista diferente”, diz.

Confira a entrevista na íntegra:

RD1 – No folhetim você dá vida à romântica professora Letícia. Como é conseguir um papel relevante na TV já na sua estreia no mundo das novelas?

Larissa Nunes – Sou atriz há 12 anos, mas no audiovisual tenho apenas cinco anos de experiência. É pouco tempo e sinto que é um presente ter nas mãos a chance de me apresentar para o grande público com a Letícia.

A história do meu núcleo é marcada por grandes acontecimentos e, ao mesmo tempo, ainda consegue falar com o jovem de 2022 – quando olho o twitter e vejo a quantidade de pessoas comentando em tempo real o capítulo da novela, sinto que estou fazendo parte de mais um fenômeno, de algo bonito que está dando bons resultados e trazendo à tona discussões importantes.

Dar vida à Letícia é uma conquista pessoal por fazer uma personagem negra com substância?

Acredita que a TV e o cinema precisam mostrar histórias gentis de mulheres pretas e não apenas as de traumas?

É o que tantas mulheres negras das artes e da política brasileira esperam. Lélia Gonzalez, intelectual brasileira importantíssima, olhou para a nossa dramaturgia com essa necessidade. Faço minha carreira mirando em personagens que me desafiem e que não me coloquem num lugar que eu não possa crescer e aparecer de verdade. E falando de entretenimento, acho que ninguém mais quer assistir a histórias repetidas. Imagina sentar de frente para uma tela e ver a mesma história, os mesmos diálogos vazios, a mesma violência sem substância? Além de ser desrespeitoso, torna-se chato. O público precisa nos ver como realmente somos.

Fui atrás das histórias das professoras que me deram aula. Fui procurar saber se alguma mulher da minha família já deu aula e quais eram seus desafios. A Letícia também vive sua ocupação de uma maneira leve. Para ela é um prazer ver aquelas crianças da vila. E não se deslumbra ao entender que para ser uma professora mais respeitada, vai enfrentar coisas pesadas como o racismo na disputa de uma vaga de emprego.

Na novela ela quer ser escritora, Você também tem paixão pelos livros?

A Letícia toma esse gosto pelos livros, pela educação – assim como o Bento (Matheus Dias). Eu sou uma apaixonada por livros. Leio vários e foi o teatro que me abriu o espaço para ter sempre um livro na minha cabeceira, para ler, pelo menos, 20 minutos por dia. Ler é criar repertório… Atualmente, estou lendo dois (quando tenho tempo e não estou gravando ou cantando, claro!): “Vidas Rebeldes, Belos Experimentos”, de Saidiya Hartman; e estou relendo “Dom Casmurro”, de Machado de Assis.

Sinto que ser atriz é, realmente, o meu ofício, à minha missão. Mas o jornalismo me deu outras qualidades que tento aprimorar sempre como o hábito da escrita: a curiosidade e o desejo de ouvir as pessoas. Acho que foi isso que extraí do jornalismo e levo comigo! (risos)

Se seguisse a carreira como jornalista, gostaria de trabalhar em que área da profissão? Na cobertura do mundo dos famosos?

Ao dar entrevista, em algum momento gostaria de estar do outro lado sendo a entrevistadora?

Eu uso os meus amigos de cobaia (risos). Quando um amigo tem uma história para contar, eu adoro fazer todas as perguntas possíveis e de um jeito bem sincero. O jornalismo me ensinou que uma pergunta bem feita faz toda a diferença.

Acho que o meu primeiro EP (álbum de poucas faixas) LARINU segue como o meu trabalho favorito. Escrevi uma música chamada ‘Sagrada’ (disponível no Spotify) falando da mulher e da sua força e beleza universal. Desde então lancei alguns trabalhos e, em breve, estará saindo coisa nova.

Ao começar a criar uma canção, o que busca passar em suas letras?

Qual música ou artista nunca falta na sua playlist?

Acho que em todas as minhas playlists sempre coloco ‘Toda Menina Baiana’, do Gilberto Gil.

Morar sozinha é um grande aprendizado e estou no começo… Eu sempre tentei ser bem organizada morando com a minha mãe e não consigo deixar à minha casa bagunçada. Parece que nada flui! Então, gosto de cuidar de onde durmo, de colocar um incenso bom, de comprar plantas; e aproveito minha própria companhia – mas gosto de receber os meus novos amigos em casa.

Além da novela, este ano você tem a estreia da série O Rei da TV, que fala sobre a vida de Silvio Santos. Qual será o seu trabalho na série?

Fonte/Créditos: MÁRCIO GOMES - RD1

Créditos (Imagem de capa): Larissa Nunes fala sobre personagem em Além da Ilusão (Imagem: Divulgação / Victor Pollack)

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