Maceió, capital de Alagoas, acolheu de 1º a 3 de julho o Encontro de Mestras e Mestres do Notório Saber no Brasil, uma iniciativa do Ministério da Cultura (MinC). O evento reuniu representantes das 27 unidades da Federação, pesquisadores, docentes e gestores, com o propósito de ampliar o reconhecimento dos conhecimentos das culturas tradicionais e populares como elementos cruciais para a produção de saber no país.

A solenidade inaugural destacou o firme compromisso do MinC, através da Secretaria de Cidadania e Diversidade Cultural (SCDC), em valorizar as culturas tradicionais e populares.

Além disso, sublinhou o papel fundamental de mestras e mestres como protagonistas na geração de conhecimento nacional. A realização do encontro conta com a parceria estratégica do Instituto Federal do Ceará (IFCE), por intermédio do Consórcio do Notório Saber.

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Márcia Rollemberg, secretária de Cidadania e Diversidade Cultural do Ministério da Cultura, enfatizou a importância do evento como um marco. Ela ressaltou que ele fortalece as políticas públicas de cultura e reconhece os saberes enraizados nos territórios.

"Venho do SUS, da luta pelos direitos fundamentais, e vejo hoje, em Maceió, o embrião do Sistema Nacional de Cultura. A cultura é um direito de todos, está na Constituição, e as fontes desse conhecimento estão exatamente onde vocês estão", declarou Rollemberg.

Homenagens e manifestações culturais

A noite de abertura foi permeada por momentos de grande emoção. Iniciou-se com uma tocante homenagem póstuma a Mozart Viana da Silva, uma figura emblemática da cultura popular alagoana, membro da Federação das Organizações da Cultura Popular e do Artesanato Alagoano (Focuarte) e fervoroso defensor das tradições culturais do Brasil, que faleceu no mês anterior.

Na sequência, o palco foi tomado pela energia do grupo Guerreiro Comigo Ninguém Pode, que apresentou uma das mais autênticas manifestações da cultura popular de Alagoas. A cerimônia culminou com a execução do Hino Nacional, interpretado de forma emocionante pelo mestre Lula Sabiá, acompanhado de sua sanfona.

A diversidade do patrimônio cultural brasileiro foi visivelmente reafirmada pela presença de um amplo espectro de participantes na abertura. Além das autoridades governamentais, o evento contou com a participação de mestras e mestres, pesquisadores, docentes, representantes de universidades e institutos federais, bem como de organizações culturais de todas as regiões do país.

Autoridades e lideranças na mesa de honra

A mesa de honra da solenidade reuniu diversas personalidades e autoridades. Estavam presentes Márcia Rollemberg, secretária de Cidadania e Diversidade Cultural do Ministério da Cultura; Tião Soares, diretor de Promoção das Culturas Tradicionais e Populares da SCDC; Douglas Apratto Tenório, vice-reitor do Centro Universitário Cesmac; e Ana Uchôa, pró-reitora de Extensão do Instituto Federal do Ceará.

Completaram a composição João Lemos, presidente da Federação das Organizações da Cultura Popular e do Artesanato Alagoano (Focuarte); a Mestra Cícera Leite Paz de Freitas, representante dos Mestres do Patrimônio Vivo de Alagoas; Gil do Jongo de Piquete, mestre da Cultura Tradicional do Jongo; Miryel Cavalcante Melo Neto, presidente da Fundação Municipal de Ação Cultural de Maceió; e Ivan Barsand, presidente da Associação dos Folguedos Populares de Alagoas (Asfopal).

Douglas Apratto Tenório, vice-reitor do Centro Universitário Cesmac, expressou a satisfação da instituição em sediar o evento, realçando a relevância da convergência entre os saberes tradicionais e o universo acadêmico.

"Receber este encontro no Cesmac reafirma o compromisso da instituição com uma educação aberta ao diálogo entre diferentes formas de produção do conhecimento. As mestras e os mestres das culturas tradicionais e populares carregam saberes fundamentais para a formação do país, e é uma honra contribuir para aproximar esses conhecimentos do ambiente acadêmico", afirmou Tenório.

Debates e perspectivas futuras do Notório Saber

Dando continuidade à agenda, a Mestra Capitã Pedrina, professora do Programa de Notório Saber da Universidade Federal da Bahia (UFBA), proferiu uma conferência marcante. Sua fala inaugurou oficialmente os debates que se estenderiam pelos três dias do encontro.

A programação subsequente explorou uma variedade de temas cruciais, incluindo as experiências do Notório Saber no contexto universitário brasileiro, a intrínseca relação entre cultura e educação, os desafios dos direitos autorais dos conhecimentos tradicionais e a proposta de criação da Rede Nacional de Universidades e Institutos para o Notório Saber de Mestras e Mestres das Culturas Tradicionais e Populares.

Esta última iniciativa visa fortalecer a articulação entre instituições de ensino, pesquisadores e os guardiões dos saberes ancestrais, promovendo uma troca contínua e enriquecedora.

Tião Soares, diretor de Promoção das Culturas Tradicionais e Populares da SCDC, salientou que o encontro configura um avanço significativo para expandir o reconhecimento institucional de mestras e mestres.

"Quando falamos em ancestralidade, reconhecemos que muitos vieram antes de nós. Este encontro não pretende reinventar a roda, mas reconstruir caminhos para que esse reconhecimento aconteça de forma efetiva. Mais do que uma certificação, buscamos o reconhecimento do Notório Saber para pessoas que, ao longo da história, foram subalternizadas e que hoje reivindicam o lugar que lhes pertence: o de professoras e professores doutores dos espaços onde a educação acontece", declarou Soares.

Agenda dos próximos dias e reconhecimento

A agenda do evento prossegue com mesas de discussão focadas nos diálogos entre cultura e educação, nas práticas do Notório Saber em instituições de ensino superior e nos desafios inerentes aos direitos autorais e à salvaguarda dos conhecimentos tradicionais.

Além das palestras e debates, o encontro inclui apresentações culturais e uma cerimônia especial de concessão do Título de Notório Saber, promovida pelo Centro Universitário Cesmac.