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O curta-metragem de animação "Planeta Fome", dirigido por Édier Wiliam e produzido em Porto Velho, Rondônia, alcançou um marco significativo ao ser selecionado para mais de 100 festivais e mostras de cinema internacionais. Viabilizado com o essencial apoio da Lei Paulo Gustavo, o filme tem circulado por mais de 20 países, conquistando prêmios e levando a reflexão sobre a fome e a desigualdade social, tema central inspirado em episódios da pandemia da Covid-19, para audiências globais.
Para o diretor e roteirista Édier William, cada nova seleção representa uma oportunidade para que a história do filme alcance um público inédito em diferentes cidades e países. Ele ressalta ainda que esse sucesso é um reconhecimento do esforço de uma equipe que desenvolveu uma obra autoral em Porto Velho, uma localidade afastada dos grandes polos de produção audiovisual do país.
A secretária do Audiovisual do Ministério da Cultura (MinC), Joelma Gonzaga, aponta o êxito de "Planeta Fome" como prova da excelência do cinema produzido na região Norte. Ela enfatiza que os recursos de políticas públicas, como a Lei Paulo Gustavo, são cruciais para financiar e exportar a diversidade cultural brasileira.
"O sucesso de Planeta Fome pelo mundo é a prova concreta de que o talento audiovisual está em todas as regiões do Brasil", afirma Gonzaga. Ela complementa que a descentralização do fomento, ao chegar à ponta, gera resultados extraordinários, demonstrando a capacidade do cinema nortista de competir e encantar globalmente.
A inspiração por trás de "Planeta Fome"
A narrativa de "Planeta Fome" brota de um episódio marcante da pandemia da Covid-19, quando a chocante imagem de famílias disputando restos de ossos em açougues expôs a dura realidade da fome no Brasil. Édier William relata que a cena o impulsionou a criar uma distopia.
O filme se passa em 2125, numa Porto Velho sem vegetação, onde a fome transcende a mera desigualdade. A trama acompanha uma mulher negra, mãe solo, e seu filho de oito anos em sua luta pela sobrevivência e dignidade, buscando provocar uma profunda reflexão sobre a naturalização da pobreza e da desigualdade, mesmo que ambientada no futuro.
Édier William atribui o vasto interesse pela obra à união entre a universalidade de seu tema e a identidade singular que ela carrega. Questões como a fome, a desigualdade e a busca por dignidade são compreendidas globalmente, mas o filme as explora sob uma perspectiva autenticamente brasileira e amazônica.
A ausência de diálogos é outro fator crucial, permitindo que a narrativa seja conduzida exclusivamente por imagens, animação, trilha sonora e desenho de som. Essa escolha artística facilita a superação de barreiras linguísticas, ampliando seu alcance e impacto internacional.
Para o diretor, a calorosa recepção de "Planeta Fome" demonstra que o cinema da Amazônia possui a capacidade de dialogar com o cenário global sem perder suas raízes. Ele critica a representação limitada da região, muitas vezes restrita a imagens da floresta ou a narrativas externas.
"Nós também produzimos animação, ficção científica, distopias e histórias urbanas, políticas e contemporâneas", afirma William, expressando a esperança de que o sucesso de sua obra pavimente o caminho para futuras produções da região.
Trajetória e fomento essencial
Atualmente, "Planeta Fome" continua sua jornada por festivais e mostras, tanto no Brasil quanto no exterior, com compromissos agendados até março de 2027. O próximo estágio planejado é a sua disponibilização em plataformas de streaming, ampliando ainda mais seu alcance.
O financiamento para a produção do curta-metragem foi obtido através de um edital municipal da Lei Paulo Gustavo, gerido pela Fundação Cultural de Porto Velho (Funcultural). O projeto, selecionado na categoria de produção de curta-metragem de até 15 minutos, recebeu um aporte de R$ 81.666,66.
Édier William destaca a importância vital da Lei Paulo Gustavo para a concretização do filme. Ele explica que a animação, por ser uma linguagem que demanda tempo, estrutura e profissionais especializados em diversas fases, seria inviável sem o investimento público.
"O recurso permitiu remunerar profissionais, movimentar a cadeia produtiva local e transformar uma inquietação social em uma obra que hoje representa Porto Velho e Rondônia em diferentes partes do mundo", finaliza o diretor, ressaltando o impacto transformador do fomento cultural.
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