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A primeira edição da Mulher Tambor - O Tempo Mostra Indígena-Afro, Latino-Americana e Caribenha, que acontece nos dias 3 e 4 de julho de 2026, em Recife, Pernambuco, prestará homenagem a duas das mais importantes lideranças das religiões de matriz africana no estado: Mãe Joana Cavalcante e Mãe Maria Helena Sampaio. O evento, gratuito e aberto ao público, será realizado no Ilê Obá Aganjú Okoloyá, em Dois Unidos, e no Ilê Axé Oxum Deym, no Pina, colocando as mulheres de terreiro no centro da programação para reconhecer seus saberes como patrimônio vivo.
Idealizada pelo Laboratório de Intervenção Artística (LAIA), a iniciativa busca valorizar as mulheres de terreiro como guardiãs de memórias, musicalidades, práticas culturais e conhecimentos ancestrais. A mostra reunirá mães-mestras, artistas, pesquisadoras e lideranças de religiões de matriz africana, promovendo um rico intercâmbio de experiências e saberes.
Legado e ativismo das homenageadas
As homenageadas desta edição construíram trajetórias marcadas pela articulação entre espiritualidade, cultura, educação e atuação política. Mãe Joana Cavalcante, Yalorixá do Ilê Axé Oxum Deym e liderança da Nação do Maracatu Encanto do Pina, entrou para a história ao se tornar a primeira mulher a assumir o posto de Mestra de uma nação de maracatu no Brasil.
Ela também fundou o movimento Baque Mulher, ampliando o protagonismo feminino na cultura popular por meio da percussão, e é símbolo da preservação das tradições afro-brasileiras e do protagonismo das mulheres de axé.
Já Mãe Maria Helena Sampaio, yalorixá, griot e idealizadora da Quinta-Nagô, dedicou sua vida à preservação do axé, integrando espiritualidade, arte-educação e musicalidade. Sua atuação a tornou uma importante referência na luta contra o racismo e a intolerância religiosa, além de ser fundamental na valorização da tradição Nagô em Pernambuco. Ambas são pilares de suas comunidades e da cultura afro-brasileira.
Programação diversificada e inclusiva
A mostra oferecerá uma programação vasta e acessível, organizada em três eixos principais. Pela manhã, as rodas de conversa como "Rufos Prescritos no Negro-Femininas" e "Biografias Sonoras Femininas do Tambor: Direito à Criação Musical e Percussiva" promoverão debates aprofundados sobre memória sonora, criação musical, direitos culturais, equidade de gênero e enfrentamento às violências contra mulheres negras e de terreiro.
À tarde, as oficinas formativas "Toadas do Atlântico Negro Matrifocal" e "Epistemologia do Tambor Natural e Cultural" serão dedicadas às epistemologias afro-indígenas, cantos tradicionais e musicalidades rituais. No início da noite, os pocket shows "Céu de Mulheres" e "Trovão de Mulheres" celebrarão a força artística, espiritual e simbólica das mulheres de terreiro.
Além das homenageadas, a programação contará com a participação da Mãe-Mestra Maria da Quixaba e da Yakekerê Helaynne Sampaio Olefun, fortalecendo o diálogo intergeracional e a continuidade das tradições.
"O conhecimento não está apenas nos livros. Ele vive no corpo, na palavra, no toque do tambor, nos modos de cuidar, cantar, vestir, celebrar e viver em comunidade", afirma a curadoria. A declaração destaca o desejo de reconhecer essa sabedoria e sua centralidade na formação cultural do país, além de convidar à reflexão sobre os desafios enfrentados por mulheres negras, de terreiro e periféricas.
Feira dos povos: economia do axé em destaque
Durante todo o evento, a Feira dos Povos reunirá empreendedoras, artesãs, artistas e coletivos culturais. Com apoio da Feira das Mulheres Pretas e da PeriFeira, o espaço promoverá a economia do axé por meio de:
- Artesanato;
- Arte indígena;
- Gastronomia afro-brasileira e caribenha;
- Literatura;
- Moda e design.
A primeira edição da Mulher Tambor foi contemplada pelo Edital Mãe Gilda de Ogum, uma iniciativa do Ministério da Igualdade Racial em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que visa fortalecer ações desenvolvidas por terreiros e comunidades tradicionais de matriz africana em todo o país.
Serviço
- Evento: Mulher Tambor - O Tempo Mostra Indígena-Afro Latino-Americana e Caribenha
- Quando: 3 e 4 de julho de 2026
- Horário: Das 9h às 20h
- Onde: Ilê Obá Aganjú Okoloyá (Rua Mendes Coelho, 231, Dois Unidos) e Ilê Axé Oxum Deym (Rua Oswaldo Machado, 504, Pina) - Recife/PE
- Mais informações: @mulhertambormostra
- Entrada: Gratuita
Publicado por:
Raynaia Uchôa
Jornalista e assessora de imprensa. Movida pela paixão de contar histórias que aproximam pessoas e valorizam a cultura popular. Acredito na comunicação como uma forma de inspirar o mundo de maneira positiva. De Recife/PE
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