A 11ª Marcha de Mulheres Negras de São Paulo reuniu centenas de manifestantes neste sábado (25), na Praça Franklin Roosevelt, para reivindicar reparação histórica, democracia e representatividade política. O ato público no centro da capital paulista também marcou os 10 anos da morte de Luana Barbosa, símbolo da luta contra a violência policial e o racismo estrutural.

Coordenadora de Educação e Pesquisa do Geledés – Instituto da Mulher Negra, Suelaine Carneiro ressaltou que a mobilização busca assegurar direitos fundamentais. Segundo a ativista, o movimento exige justiça, o fim da violência e a garantia do Bem Viver para a população feminina negra em todo o território nacional.

Uma década de mobilização por Luana Barbosa

A manifestação integrou as celebrações do Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e do Dia Nacional de Tereza de Benguela. Com o lema “Há 10 anos por Luana Barbosa e por todas nós!”, a programação contou com marchas pelas ruas centrais, apresentações artísticas, discursos políticos e uma aula pública com intelectuais como Cida Bento, Lenny Blue e Astrogilda.

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Irmã de Luana, Roseli Barbosa relembrou a contínua cobrança para que os responsáveis pelo crime sejam julgados por júri popular. Ela destacou a relevância do suporte prestado pelo Geledés durante essa década de busca por responsabilização legal dos policiais militares envolvidos na abordagem truculenta ocorrida em Ribeirão Preto (SP), em 2016.

A vítima faleceu após ser agredida fisicamente durante uma fiscalização ao solicitar ser revistada por uma policial feminina. Em trecho do seu manifesto, a organização do evento pontuou que a impunidade dos agentes mantém a necessidade de ocupação das ruas e da continuidade dos protestos.

Desafios e representatividade política

Além do resgate histórico das mobilizações iniciadas em 2016, a socióloga Fernanda Chagas celebrou a trajetória de dez anos de caminhada do movimento no centro de São Paulo. Ela enfatizou a relevância de manter a ocupação dos espaços públicos na defesa contínua de direitos.

Por fim, a ativista Neon Cunha destacou a importância de saudar a trajetória das griôs e refletir sobre o legado de Luana Barbosa. Para ela, a memória da vítima impulsiona debates profundos sobre as interseccionalidades de raça, identidade de gênero e orientação sexual na sociedade brasileira.

FONTE/CRÉDITOS: Thays Andrade