De um laboratório de ritmos afro, no bairro de Peixinhos (Olinda/PE), passando pelos palcos de todo o país, sobretudo em São Paulo (SP), os percussionistas pernambucanos autorais brasileiros André Malê, Marcos Matias e Toca Ogan criaram a banda Pra Mateuz Poder Dançar, que nasceu há mais de 20 anos em trabalho paralelo à Nação Zumbi (PE) e Otto, de Belo Jardim (Agreste de Pernambuco). Além de tocar, eles cantam e compõe como linha de frente da formação.
No início da década 2000, o grupo fez um monte de shows em São Paulo, inclusive sendo atração principal de uma edição do antigo Musikaos, da TV Cultura, em 2002.
Da esquerda para direita: Toca Ogan, André Malê e Marcos Matias - Foto: Cacau Lamaia
Com raízes africanas, a banda define-se sonoramente como "afrojazzlatinobrasileiro", a partir de ideias do sincretismo, que é uma reunião de diversas doutrinas. O trio de músicos da Pra Mateuz Poder Dançar tem relação direta com a banda Nação Zumbi (Matias e Toca, ambos percussionistas do grupo) e o cantor e compositor Otto, que tem Malê na percussão.
Na Pra Mateuz Poder Dançar, eles assumem o protagonismo de uma produção que mistura ritmos da África e música caribenha — rumba, cumbia e guaracha — com bases do próprio manguebeat e outras vertentes e estilos de som.
“Mesclamos as tradicionais batidas de percussão com as notas e acordes do baixo, com a bateria, passando também a incluir riffs de guitarra na produção dos ritmos afrojazzlatinobrasileiros, que ecoam a poética sonora, social e política do afrobeat e perpetua a cultura manguebeat”, destaca André Malê.
PraMateuzPoder Dançar traz uma celebração que já se revela em seu próprio nome. A banda também reúne em sua formação uma diversidade de músicos pernambucanos, tanto os das antigas como os da nova cena, entre eles Bactéria (teclados), ex-Mundo Livre S/A e artista do movimento manguebeat, Max Matias (bateria), Parrô (sax), Márcio Oliveira (trompete), Ozeas (trombone), Léo do Peixe (baixo) e Júnior Tap (guitarra).
“A gente faz referência a um personagem do folclore pernambucano que, com a música, os batuques, a dança, a alegria dos festejos, celebra a boa fase da colheita nos caminhos”, explica Marcos Matias.
Toca Ogan, integrante da Nação Zumbi desde o disco “Da Lama ao Caos” (primeiro álbum de Chico Science & Nação Zumbi), é protagonista como cantor e compositor da PraMateuzPoder Dançar.
"A gente se uniu para fazer um som nomeado afrobeat. A gente fala que todo mundo tem um beat no corpo, todo mundo tem um chip na mente, mas a base do corpo é um computador orgânico”, acrescenta.
Parcerias
Em 2021, a banda voltou a fazer show, em parceria com o Peixe Voador, produzido pelos pernambucanos Cacau Lamaia (produtor, compositor e músico) e Pedro Bettin (produtor musical). O Pólvora Estúdio, situado no bairro de Apipucos, Zona Norte do Recife, foi o local da apresentação, transmitida nas plataformas digitais.
No ano de 2022, a PraMateuzPoder Dançar produziu um show em família com seus batuques, vocais e acordes, ao vivo no Estúdio Apollo 17, no centro do Recife. Na ocasião, a banda estreou o seu canal no mundo digital. A partir de uma roda familiar, a apresentação foi realizada em conjunto com a Quintal do Mundo, banda pernambucana autoral brasileira.
"É uma celebração entre bandas de família, de pai e de filho. São duas bandas que formam uma só. Estamos nos abraçando em família e essa conexão física com o outro já nos deixa mais alegres. A música tem uma energia poderosa, assim como o abraço, e a gente transmite esse amor ao lado de quem a gente ama”, resume Marlley Matias.
Comunicador social & jornalista. De Caruaru/PE, criado no Recife. Atua com assessoria de imprensa artístico-cultural e atualmente é assessor de imprensa/mídias sociais do Coco Raízes de Arcoverde/PE.
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