O deputado federal Henrique Vieira (PSOL-RJ) utilizou seu perfil no Instagram para veicular um vídeo contundente, no qual condena veementemente o racismo perpetrado pela torcida argentina, especialmente diante dos recentes episódios de discriminação registrados durante a Copa do Mundo de 2026, sediada nos Estados Unidos, México e Canadá. A iniciativa de Henrique Vieira surge como um alerta crucial sobre a escalada do discurso de ódio e a "banalização do mal" que, segundo ele, ganha força globalmente.

No material audiovisual, o parlamentar e pastor reproduz trechos de um cântico racista e transfóbico entoado por torcedores argentinos durante a Copa do Mundo do Catar, em 2022. A letra ofensiva atacava a origem nigeriana e camaronesa dos pais do atacante francês Kylian Mbappé, além de fazer uma referência transfóbica à modelo Ines Rau, então associada ao jogador pela imprensa.

“É preciso dizer que isso não é aceitável, não está na boca simplesmente de um grupo de racistas criminosos. Isso está ganhando fôlego no mundo, na boca de políticos, de pessoas com autoridade, com influência, uma certa banalização do mal”, declarou Vieira, sublinhando a gravidade da situação.

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Escalada de casos de racismo no futebol

A manifestação de Vieira ganha particular relevância em um cenário de incidentes recentes e alarmantes. Em 3 de julho, durante a vitória da Argentina sobre Cabo Verde em Miami, o influenciador norte-americano Darren Jason Watkins Jr., conhecido como IShowSpeed, foi alvo de ofensas racistas, sendo chamado de “macaco” por uma torcedora argentina enquanto vestia a camisa da seleção africana.

O deputado enfatiza as consequências perigosas da desumanização. “O final disso é sempre a barbárie, é sempre o genocídio, é sempre a licença para sair matando. Primeiro você mata simbolicamente, primeiro você retira da pessoa a sua humanidade e depois é licença para matar sob o silêncio, a indiferença ou o aplauso”, alertou, traçando um paralelo sombrio entre o discurso de ódio e a violência física.

Em resposta a esses episódios, a Fifa confirmou a abertura de uma investigação formal sobre as condutas dos torcedores argentinos na mesma semana dos acontecimentos, reforçando o compromisso da entidade em combater o preconceito no esporte.

Outro caso de repercussão envolveu a senadora paraguaia Celeste Amarilla, do Partido Liberal Radical Autêntico, que publicou mensagens de cunho racista contra Kylian Mbappé nas redes sociais. A ação ocorreu após a eliminação do Paraguai para a França nas oitavas de final da Copa do Mundo.

Mbappé classificou as declarações da parlamentar como “desprezíveis” e “indignas” de seu cargo. A Federação Francesa de Futebol encaminhou o caso ao Ministério Público da França, e o governo paraguaio prontamente emitiu uma nota oficial repudiando as falas da senadora.

Dados da Fifa sobre o discurso de ódio

Um levantamento recente da Fifa, realizado por meio do Serviço de Proteção às Redes Sociais, revelou a dimensão do problema. Mais de 6 milhões de publicações foram monitoradas durante a fase de grupos do torneio, com 225 mil encaminhadas para revisão humana. Dentre os conteúdos identificados como abusivos, o abuso racial representou 11%, tornando-se a categoria mais frequente entre as manifestações de ódio detectadas.