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O Julho das Pretas, estabelecido em 2013 e inspirado no Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha (25 de julho), consolidou-se como uma das mais relevantes agendas do movimento feminista negro no Brasil. Esta iniciativa anual visa fortalecer a resistência e a memória das mulheres negras, impulsionando debates cruciais sobre igualdade racial, democracia, participação política e direitos.
A inspiração em Tereza de Benguela
A origem desta significativa data remete à figura de Tereza de Benguela, uma líder quilombola do século XVIII que merece reconhecimento histórico. Por aproximadamente duas décadas, ela comandou o Quilombo do Quariterê, localizado no atual Mato Grosso, um refúgio para escravizados e povos indígenas.
Após a perda de seu companheiro por volta de 1750, Tereza assumiu a liderança, organizando a administração da comunidade, impulsionando a produção agrícola, fomentando o comércio e coordenando a defesa contra as constantes ameaças do regime escravista. O quilombo manteve sua resistência até ser desmantelado pelas tropas coloniais por volta de 1770.
A liderança de Tereza de Benguela demonstrou que coragem, inteligência e capacidade política transcendem questões de cor ou gênero. Seu legado perdurou através dos séculos, continuando a inspirar mulheres negras que rejeitam o silêncio, a discriminação e a exclusão impostas pela sociedade.
Além de reverenciar uma figura histórica, o Julho das Pretas honra milhões de mulheres negras que, ao longo da história, foram pilares de suas famílias, organizaram comunidades, geraram conhecimento, preservaram culturas e contribuíram significativamente para o avanço social.
Esta mobilização anual reafirma a memória, celebra as conquistas alcançadas e renova o compromisso inabalável com a igualdade racial, a democracia e a ampliação de direitos fundamentais.
Desafios e protagonismo
Os desafios enfrentados ainda são imensos. As mulheres negras permanecem desproporcionalmente afetadas pela pobreza, violência e exclusão dos espaços de poder. No entanto, assim como Tereza de Benguela, elas emergem como protagonistas, reescrevendo a própria História.
A ascensão de cada jovem negra à universidade, a autonomia conquistada por trabalhadoras, cientistas, artistas e empreendedoras, e a eleição de lideranças negras pelo voto popular, demonstram a capacidade de ocupar qualquer espaço na sociedade. Contudo, essa jornada também nos lembra que o progresso é sempre uma construção coletiva.
Cada vitória alcançada é impulsionada pela força de inúmeras mulheres negras que as precederam, desafiando barreiras e abrindo caminhos não apenas para si, mas para as futuras gerações.
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