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A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em Araranguá celebrou, em 3 de julho, um marco histórico com a formatura de seus primeiros médicos indígenas e quilombolas, um feito que reflete o sucesso das políticas de ações afirmativas. Este grupo pioneiro inclui quatro profissionais do povo Kaingang, um do povo Macuxi e os primeiros médicos oriundos da Comunidade Quilombola Invernada dos Negros, de Campos Novos, reforçando o compromisso da UFSC Araranguá com a inclusão e a diversidade na área da saúde.
Entre os recém-diplomados, destacam-se Vagner de Souza e Isadora Carolune Bitencourt, ambos do Quilombo Invernada dos Negros, em Campos Novos. Do povo Kaingang, receberam seus diplomas Claudemir Moreira Vaz, Guilherme Prezotto, Jessica Flavia de Oliveira e Valter dos Santos. Marcos Alexandre Malheiros Sales, por sua vez, representa o povo Macuxi, somando-se a outros 27 novos profissionais formados na mesma cerimônia.
Melissa Negro Dellacqua, diretora do Centro de Ciências, Tecnologias e Saúde, enfatizou a importância dessa conquista. Segundo ela, “Essa conquista é resultado de políticas institucionais que ampliam não apenas o acesso, mas também as condições de permanência estudantil, reconhecendo que a democratização do ensino superior exige oportunidades reais para que todos possam concluir sua trajetória acadêmica”.
A professora também ressaltou que a UFSC aprovou, neste ano, a Política de Acesso e Permanência dos Estudantes Indígenas e Quilombolas, elaborada com a participação ativa da comunidade universitária. “Ver esses novos médicos e médicas concluindo sua formação demonstra, de forma concreta, o impacto dessas políticas e reforça o papel da universidade pública na promoção da equidade, da inclusão e da transformação social”, pontuou a diretora.
A voz da representatividade indígena na medicina
O evento contou ainda com a presença de Idjarrury Sompre, diretor do Departamento de Atenção Primária à Saúde Indígena. Médico e indígena Kaingang, ele fez questão de cumprimentar os novos colegas pela significativa conquista.
Em seu discurso, Sompre destacou o peso histórico da jornada para alguns dos formandos: “Para alguns de vocês, meus irmãos e parentes indígenas, essa jornada carregou um peso histórico adicional. O preço de formar um médico indígena não se mede apenas em custos financeiros ou anos de estudo. Ele se mede na superação de séculos de silenciamento, na resistência de um povo que teve sua voz e sua cultura desvalorizadas, e seu direito à saúde muitas vezes negado”.
O diretor salientou que os novos profissionais carregam em seus jalecos não apenas o conhecimento da medicina ocidental, mas também a sabedoria milenar de seus povos. Ele afirmou que “a presença de indígenas formados em medicina, em enfermagem, em diversas áreas da saúde, é a concretização de políticas pensadas e aprimoradas por nós e nossos parceiros”, reforçando que um Brasil “sem a presença indígena em espaços de decisão e construção” não é mais concebível.
Impacto da UFSC Araranguá na formação profissional
A professora Melissa Dellacqua também aproveitou a oportunidade para mencionar, em seu discurso, o impacto da UFSC Araranguá na formação de profissionais. O campus já formou um total de 1.371 egressos na graduação, incluindo 100 médicos, além de 489 mestres e 7 profissionais provenientes da Residência Multiprofissional em Saúde da Família. “Esses avanços evidenciam o compromisso da nossa instituição com a formação de excelência e com o desenvolvimento da região”, concluiu.
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