Espaço para comunicar erros nesta postagem
A seleção da França voltou a ser alvo de episódios de racismo antes da semifinal da Copa do Mundo contra a Espanha, após declarações polêmicas do ex-primeiro-ministro espanhol Mariano Rajoy. Em um artigo publicado no jornal El Debate no último fim de semana, o político conservador questionou a nacionalidade dos atletas franceses, reacendendo um debate diplomático e social sobre xenofobia no esporte de alto rendimento.
Rajoy, embora tenha elogiado o desempenho técnico do time, afirmou que a equipe "não tem nenhum jogador francês". A fala ecoa ataques recentes sofridos pelo craque Kylian Mbappé e outros membros do plantel, frequentemente questionados por suas origens étnicas por setores da extrema-direita europeia e sul-americana.
Reação do governo espanhol
O atual premiê da Espanha, Pedro Sánchez, utilizou suas redes sociais para repudiar veementemente as falas de seu antecessor. Segundo Sánchez, o pertencimento a uma nação deve ser medido pelo vínculo afetivo e pela vontade de contribuir com o país, e não pela cor da pele ou ascendência.
"A Espanha pertence a quem a ama e a constrói, não a quem a desonra com declarações xenófobas", declarou o líder espanhol. Ele encerrou sua mensagem desejando que, no confronto decisivo marcado para 14 de julho, o racismo seja o único perdedor dentro e fora de campo.
O ministro dos Transportes da Espanha, Óscar Puente, foi ainda mais incisivo ao classificar a postura de Rajoy como uma "imbecilidade pós-franquista". Enquanto isso, o Partido Popular (PP), legenda à qual Rajoy é filiado, optou pelo silêncio institucional sobre o ocorrido.
Indignação na política francesa
Na França, líderes de diferentes espectros políticos manifestaram revolta imediata. Olivier Faure, do Partido Socialista, enfatizou que a França é uma nação política unida por valores republicanos, e não uma "nação étnica", independentemente de religião ou cor de pele.
Fabien Roussel, do Partido Comunista, lembrou que a seleção francesa tem sido alvo sistemático de ataques para tentar desestabilizar o grupo. Já a ministra Naïma Moutchou defendeu que a Federação Francesa de Futebol (FFF) adote medidas judiciais contra as ofensas recorrentes.
Histórico de ataques na Copa do Mundo
O caso envolvendo Rajoy não é um fato isolado nesta edição do mundial. Recentemente, a vice-governadora da província argentina de Mendoza, Hebe Casado, gerou crise diplomática ao chamar o time francês de "equipe africana sem classe" após a eliminação do Paraguai.
Em resposta, a Embaixada da França na Argentina declarou Casado como persona non grata. O embaixador Romain Nadal reafirmou que o caráter racista das falas é indiscutível e que tais atitudes desqualificam qualquer autoridade de participar de diálogos de cooperação bilateral.
Nossas notícias
no celular
Comentários
Para comentar realize o login em sua conta!
Login Cadastre-se