Protagonismo Negro Na Música Cresce Em Meio À Desigualdade Em Indústria Que Movimenta US$ 33 Bilhões
Em meio a uma indústria que capta US$ 33 bilhões e cresce em 8% a.a (ao ano), segundo a Mordor Intelligence, o mercado da música tem mostrado que artistas negros conseguem transformar barreiras em protagonismo. Durante o Novembro Negro, mês dedicado à visibilidade e à valorização da cultura ‘afro’, as discussões sobre desigualdade e oportunidades na música vêm ganhando destaque no país.
Dados cruzados do Panorama do Mercado Global de Música, da Mordor Intelligence, com o estudo britânico ‘Black Lives in Music’ (BLiM), revelam que 88% dos profissionais negros na música concordam que há barreiras na progressão de carreira. O estudo evidenciou que, mesmo com a expansão do mercado, ainda existe uma longa caminhada para artistas afrodescendentes.
Desigualdade E Mercado Independente
Um paralelo traçado com o estudo ‘Black Lives in Music’ mostra que 38% dos músicos profissionais negros obtêm 100% de sua renda da música, em comparação com 69% dos brancos, evidenciando a má distribuição dos recursos. O alerta chamou a atenção de profissionais e gestores de talentos, como a empresária Marcela Silva, que gerencia as carreiras dos cantores Zai (MPB) e Cinara (R&B).
“Se olharmos para a última meia década, o que mais chama atenção é o protagonismo da arte negra, cada vez mais presente e contundente na cena”, explica Marcela. Ela destaca que a cena independente vem sendo um pilar dessa transformação, com o amadurecimento dos artistas que investem em propósito, coerência e identidade.
Protagonismo E Tendências
A gestora cultural observa que a identidade deixou de ser apenas estética e passou a ser um símbolo de diferenciação e autenticidade, sendo abraçada pela comunidade negra. Nomes como Cinara, Liniker, Xênia França, BK’ e Duquesa exemplificam um modelo de carreira que se apoia na verdade artística e na autonomia.
Marcela conclui que o consumo musical deixou de ser apenas sobre o ‘som’ e passou a ser um símbolo social. “O futuro do entretenimento está na interseção entre ‘arte’ e ‘verdade’; e quem compreender isso primeiro, ditará o novo tempo da música brasileira”, finaliza.
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