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A filha do pobre pode ser diplomata? A EDIPE acredita na força das redes colaborativas. Os cursos pré-universitários demonstraram a possibilidade de mudança estrutural da comunidade universitária. Em que pese ainda passar por desafios em relação a permanência dos estudantes na Universidade, é inegável o sucesso das políticas de ação afirmativa. Tais políticas precisam avançar, também, nos cursos de pós-Graduação.

Modelo semelhante pode ser utilizado em relação à carreira públicas, especialmente aquelas que lidam com a formação da imagem do Brasil no exterior: Diplomacia e Oficial de Chancelaria. O atual Programa de Ação Afirmativa é precário e feito para não funcionar na medida em que individualiza a distribuição dos recursos como se fosse da responsabilidade do candidato negro encontrar meios e modos de aprovação. Os resultados do atual programa mostram a necessidade de aprimoramento dos seus mecanismos, bem como a importância do incentivo a redes colaborativas, como aconteceu nas Universidades Públicas.

Por muito tempo, o imaginário da população brasileira associou a figura do Diplomata à elite econômica do país. A história do Brasil, especialmente, a história da política externa brasileira, transmite a falsa ideia que os diplomatas da elite brasileira seriam, de fato, aqueles que fazem a imagem do Brasil no exterior. Estudamos para o concurso de admissão a carreira de diplomata, o CACD, para reverenciar o Barão do
Rio Branco, que dá nome a Escola Diplomática do Estado brasileiro, o Instituto Rio Branco. Infelizmente, há estudantes periféricos que se deixam seduzir pela historiografia sugerida. Esse é o custo da nossa aprovação nesse concurso público. Lima Barreto? Não. Carnaval, samba, futebol, rap, funk, tranças, roupa, moletom, boné aba reta? Não. Somos o primeiro país fake News da América Latina, uma vez que vendemos a imagem de um país ocidental. Há diferenças na formulação da imagem do Brasil no exterior que vendem um Brasil do Lago Sul (em Brasília). E faz isso de maneira deliberada. Não por outro motivo, a EDIPE criou o Instituto Rio...Negro.

O Instituto Rio...Negro reúne uma rede colaborativa de internacionalistas periféricos que formulam a política externa periférica. É composta não apenas por candidatos ao concurso de admissão a carreira de Diplomata, mas também, por professores, intelectuais, diplomatas de carreira, todos interessados em reoxigenar a velha política externa brasileira. Se você quiser tirar a política externa brasileira da UTI, então pode procurar pelo Instituto Rio... Negro

FONTE/CRÉDITOS: Cesar Santos