Danielian São Paulo apresenta, a partir de 26 de maio, a exposição As feras / Às feras, de Ana Neves. Sob o olhar curatorial de Ariana Nuala, a seleção de dez obras inéditas investiga a construção do ser humano enquanto consciência e corpo, revelando um estado de rito onde imagem, linguagem e movimento andam juntos.

Nas obras de As feras / Às feras, emergem figuras que unem o corpo à fauna, à flora e a objetos. Signos como o canavial, a onça e o boi remetem não só à Zona da Mata pernambucana, onde reside e trabalha, mas também a dilemas de resistência e pertencimento. Pontes compõem cenas marcadas por movimento, nas quais a artista articula experiências de trânsito e memória a partir de um repertório ligado ao território onde vive.

Com origem na literatura, sua prática artística mantém um conflito entre palavra e imagem como eixo de produção, em suas obras coexistem camadas que estreitam a artista da própria memória. Ao partir de seu imaginário, Neves compõe cenas de carga simbólica, onde símbolos presentes na sua trajetória são desmembrados, rejeitando interpretações fixas ou definitivas. 

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Em seus trabalhos, a linha insiste e retorna sobre si mesma. “Os desenhos e pinturas parecem feitos sob pressão. A linha delimita, retorna, reforça, insiste sobre si mesma. Como se precisasse repetir para fazer aparecer. Em alguns momentos, quase fere a superfície. Em outros, falha, rareia, deixa o corpo escapar. Há áreas onde a matéria se adensa, a cor acumula, pesa, e outras onde tudo parece prestes a desaparecer”, afirma Ariana Nuala, no texto curatorial. Sua produção é acompanhada por elementos recorrentes, como estruturas curvas que sugerem pontes ou locais de trânsito, uma instabilidade onde o enunciado não é o desejo de encontro, mas a vontade de chegada.