O mestre e artista pernambucano Manoelzinho Salustiano (56 anos de idade e natural de Abreu e Lima) realiza a aula-espetáculo “Maracatu de Baque Solto e as Histórias dos Mestres de Terreiro”, com três sessões no Recife, todas gratuitas no mês de maio e de classificação indicativa livre. As duas primeiras ocorrem no Teatro Hermilo Borba Filho (centro recifense), nos dias 19/05 (terça-feira) e 20/05 (quarta-feira), às 14h30 (retirada do ingresso às 14h). Já a terceira sessão acontece no Instituto Casa Astral (bairro do Poço da Panela, Zona Norte), dia 28/05 (quinta-feira), às 19h (abertura dos portões de acesso ao local: a partir das 18h30). Todas as apresentações dispõem do recurso de acessibilidade em Libras (Língua Brasileira de Sinais) para pessoas com deficiência auditiva.

As atividades do projeto têm o objetivo de resgatar, conservar e fortalecer as tradições indígenas no Maracatu de Baque Solto, a partir das memórias de mestras e mestres mais antigos. Assim como existe a necessidade de compartilhar com cuidado essas histórias da cultura popular por meio de diversas artes, da comunicação e de narrativas atuais. Manoelzinho destaca como propósito a visibilidade, a valorização e o pertencimento das expressões artísticas e culturais. A aula-espetáculo reúne poesias, músicas e audiovisual (imagens e vídeos), além das performances ao vivo com a participação de Caboclos de Lança e Arreiamá (Caboclo de Pena).

“A ideia dessa aula é para a gente entender o que é essa cultura do Maracatu de Baque Solto, que começa batendo o mulungu (uma árvore) dentro dos engenhos de cana-de-açúcar de Pernambuco e tem uma continuação. Uma cultura que tem ainda muito a se estudar, a se pesquisar… Uma cultura em que a principal dança é o currupio, nada mais, nada menos do que um toré indígena. Às vezes, por ser chamado de maracatu, acha-se que é de origem africana”, explica Manoelzinho Salustiano.

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No dia 19 de maio, a sessão de abertura é exclusiva para convidadas e convidados no Teatro Hermilo Borba Filho, que no dia 20/05 recebe uma nova apresentação com 40 vagas disponíveis para o público em geral (ingressos no teatro a partir de 14h - acesse e confira). Já no Instituto Casa Astral, no dia 28/05, 20 vagas foram disponibilizadas (ingressos no local a partir de 18h30 - Acesse e confira). Todos os encontros estão sujeitos à lotação. 

Vale sempre lembrar que Manoelzinho Salustiano (data de nascimento: 31 de outubro de 1969) atua como artesão de bordados, sobretudo carnavalescos. As suas próprias obras de arte são feitas à mão, utilizando lantejoulas que criam cores, texturas e brilhos decorativos dentro da prática do bordado. “Eu não pinto, mas bordo!”, diz ele. O artista também confecciona as golas dos Caboclos de Lança, funcionando como mantos protetores, com toda a sua simbologia e impacto visual, e estandartes. 

Manoelzinho Salustiano é Doutor Honoris Causa (2020) e Notório Saber em Cultura Popular (2021), ambos pela Universidade de Pernambuco (UPE), campus Mata Norte. Além das conquistas, os títulos reconhecem seus conhecimentos, envolvimento, sensibilidade e continuidade, vindos de tradições indígenas, afro-brasileiras, quilombolas e outras manifestações populares e artístico-culturais.

“Maracatu de Baque Solto é de origem indígena. Depois é que surgem as influências africanas, a partir dos anos 60, quando se coloca a corte do Maracatu de Baque Virado dentro do Maracatu de Baque Solto. Então, essa aula é para a gente pensar melhor, aprender ainda mais sobre o que é o Maracatu de Baque Solto, sua origem, de onde veio e para onde vai, o que se tornou e como está atualmente”, conta o mestre.  

Durante as aulas-espetáculo, os Caboclos de lanças e o de Pena encenam artisticamente como eram os conflitos entre os maracatus antes da época em que concluiu os enfrentamentos. “Essas coisas não aconteciam sem um sentido, tinham um significado e um motivo para ocorrer, e a sua explicação vem justamente da tradição indígena presente no Maracatu de Baque Solto”, diz o artista.

Manoelzinho Salustiano também é multiplicador de saberes por ser o filho mais velho de Manoel Salustiano Soares, conhecido como Mestre Salustiano (1945-2008), cortador de cana, ator, rabequeiro, músico, compositor e artesão brasileiro da Zona da Mata Norte de Pernambuco (natural do município de Aliança). Esse contexto significa o repasse de uma sabedoria familiar pela prática cultural. Manoel Salustiano, por exemplo, produziu espetáculos e uma diversidade de festas populares/folguedos tradicionais, com essa organização mantida até hoje pela família, preservando a identidade, formando e inspirando gerações e transformando socialmente.  

Assim como seu pai, Manoelzinho Salustiano tornou-se antes de tudo um brincante, depois uma voz viva e ativa, e ainda por cima uma liderança da cultura popular de raiz da região da Zona da Mata de Pernambuco. Lá é onde tem Maracatu de Baque Solto, Cavalo Marinho, Mamulengo, Ciranda, Caboclinhos, entre outras expressões, manifestações, folguedos, rodas de poesia, encontros artístico-culturais, rodas de diálogos, festejos, lembranças, acontecimentos, vivências, tecnologia ancestral, atualidade etc.

“Maracatu de Baque Solto e as Histórias dos Mestres de Terreiro” é uma atividade que Manoelzinho produz com a sua filha Gabi Salustiano e já vem sendo desenvolvida há alguns anos, sobretudo nesse passado mais recente. O nome do projeto também faz um trocadilho com a biografia do próprio mestre. O título do livro é “Manoelzinho Salustiano: histórias de um mestre no terreiro", lançado em 2021 e que conquistou o Prêmio Literatura Clarice Lispector na categoria melhor biografia, no ano de 2022.

“Manoelzinho é um mestre de Maracatu de Baque Solto, de cavalo marinho, de mamulengo, que domina várias artes, os rituais religiosos, o fazer das fantasias e estandartes, o bordado, a confecção das indumentárias e muito mais. Ele sabe os cânticos. Não costuma cantar no maracatu, e mesmo assim explica como é que canta, fala a diferença de um samba, de um galope e de uma marcha”, detalha Gabi.

“Maracatu de Baque Solto e as Histórias dos Mestres de Terreiro” tem incentivo público, com o financiamento do edital do Sistema de Incentivo à Cultura (SIC), por meio da Fundação de Cultura da Cidade do Recife, da Secretaria de Cultura e da Prefeitura da Cidade do Recife. A realização é assinada pelo próprio Manoelzinho Salustiano, com produção pernambucana coletiva e autoral entre Gabi Salustiano, Ynan Produções e Br3ch4 Lab Audiovisual (Ingrid Veloso e Layane Santos), a identidade visual e design por Katarina Scervino e a assessoria de imprensa de Daniel Lima, além do apoio do Instituto Social e Cultural Casa Astral e Apolo-Hermilo (Centro de Formação e Pesquisa das Artes Cênicas). 

Gabi Salustiano explica a escolha do nome-título para as aulas-espetáculo, pautadas pela identidade racial e classe social, além de potencializada pelo conceito de toda a ancestralidade. 

“Ficou ‘Maracatu de Baque Solto e as Histórias dos Mestres de Terreiro’ porque tem como base a memória e a oralidade, já que no Maracatu de Baque Solto os conhecimentos são repassados pela tradição oral. Essa linguagem falada é compartilhada por quem veio antes, que repassa o saber para as pessoas mais novas, e é assim que vai continuando e mantendo a tradição viva. É isso que faz um mestre da Cultura do Baque Solto”, conta.

Pela circularidade do tempo e sua concepção, Manoelzinho Salustiano levou a cultura popular pelo mundo afora, chegando até as Américas Central (Cuba - 1998 e 2010),  do Norte (Estados Unidos - 2003 e 2014), e do Sul (Venezuela - 2008; Chile - 2024), além da Europa (França - 2005) e do continente africano (Cabo Verde - 2014). Nessas circulações por esses países, apresentou-se, facilitou oficinas e realizou aulas-espetáculos e palestras sobre artes, história e música, além de fazer exposições dos seus trabalhos de bordados.

“Viajamos com as aulas-espetáculo ‘Mantos’. Ela ganhou esse apelido. Em maio de 2024, a gente apresentou na cidade do Recife a aula-espetáculo “Mantos: No Baque Solto da Cultura Popular, Maracatu, Memória e Mantos”. No final desse mesmo mês viajamos para o Chile com o projeto de intercâmbio “Mantos- Vestimenta, Memória e Identidade dos Povos Ameríndios, Tecendo Conexões entre Brasil e Chile”, em que nos apresentamos na Universidade Austral do Chile, em Valdivia, e no Instituto Guimarães Rosa em Santiago, no Chile. Ainda em 2024, Mestre Manoelzinho apresentou “Mantos: Maracatu de Baque Solto uma conexão com a natureza” no Centro de Invenção Cultural em Brasília e no Museu do Mamulengo em Glória do Goitá. E em 2025 essa mesma aula também foi apresentada no Casa do Carnaval no Recife, e em 2026 no Centro Cultural Banco do Brasil no Rio de Janeiro. E agora chegou a vez de Recife receber essa nova aula-espetáculo “Maracatu de Baque Solto e as Histórias dos Mestres de Terreiro”, lembra Gabi. 

Caboclo de Lança

Gabi Salustiano traz reflexões sobre a existência de uma referência imensa do Maracatu de Baque Solto. “A gente costuma ver muito caboclo de lança do maracatu em peças de publicidade, em propagandas, mas como se constrói um caboclo de lança? O que é um caboclo de lança? Só quem sabe essas respostas são as mestras e os mestres. O que a gente faz no baque solto tem como base a oralidade e essa transmissão de saberes”, pontua.

Aula-espetáculo “Maracatu de Baque Solto e as Histórias dos Mestres de Terreiro” (2026; classificação indicativa livre) - confira a programação gratuita no mês de maio (datas, locais e horários)

19/05 (terça-feira) e 20/05 (quarta-feira): Teatro Hermilo Borba Filho (Cais do Apolo, nº 142, Bairro do Recife), às 14h30

Dia 01 (19/05): exclusivo para convidadas e convidados

Dia 02 (20/05): 40 vagas disponíveis para o público em geral (ingressos no local a partir de 14h)

Observações: sujeito à lotação; a inscrição pelo formulário garante sua vaga se o ingresso for retirado até às 14h30 do dia (confira)

Início da retirada do ingresso: 14h

Abertura dos portões do local: 14h30

Espetáculo: 15h


28/05 (quinta-feira): Instituto Casa Astral (Rua Joaquim Xavier de Andrade, nº 104 - bairro: Poço da Panela, Zona Norte), às 19h

20 vagas disponíveis para o público em geral (ingressos no local a partir de 18h)

Observações: sujeito à lotação; a inscrição pelo formulário garante sua vaga se o ingresso for retirado até às 18h30 (confira) 


Início da retirada do ingresso e abertura dos portões do local: 18h30

Espetáculo: 19h

Todas as apresentações dispõem do recurso de acessibilidade em Libras (Língua Brasileira de Sinais) para pessoas com deficiência auditiva