O Metrô de São Paulo, em parceria com o Instituto Liberta, iniciou neste mês uma campanha abrangente para combater a violência sexual contra crianças e adolescentes. Batizada de "Conversas que protegem", a iniciativa utilizará estações e vagões de quatro linhas do sistema metroviário para disseminar informações cruciais sobre o tema, com a expectativa de alcançar 17,5 milhões de pessoas entre 18 e 29 de março.

A campanha prevê a distribuição de 20 mil exemplares do "Guia Saber Liberta" nas estações Luz e República. Este material impresso, desenvolvido pelo Instituto Liberta, oferece orientações detalhadas para pais e cuidadores sobre como abordar a temática da violência sexual com crianças de até 10 anos.

Com uma linguagem acessível e descomplicada, o guia e as peças da campanha visam capacitar adultos a dialogar com os pequenos sobre sentimentos, a diferença entre toques seguros e inseguros, a identificação de pessoas de confiança e a importância da segurança no ambiente digital.

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Um QR Code presente em todo o material da campanha direcionará o público diretamente para a versão digital do "Guia Saber Liberta", ampliando o acesso às informações.

A disseminação da mensagem ocorrerá em diversos pontos estratégicos: vagões, totens de atendimento e telões das linhas 1-Azul, 2-Verde, 3-Vermelha e 4-Amarela exibirão conteúdos pertinentes. A Linha 4-Amarela, em particular, terá seus vagões completamente adesivados com as informações da campanha.

A urgência da campanha é corroborada por dados alarmantes. Conforme informações oficiais do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), divulgadas pelo Observatório da Criança e do Adolescente, o número de notificações de violência sexual no Brasil mais que dobrou em uma década.

Enquanto em 2016 foram registrados 23.407 casos, o total no ano passado atingiu 59.887 notificações. Desse montante, 9.819 vítimas eram crianças de 1 a 4 anos, representando 16,3% do total.

O grupo etário mais afetado foi o de 10 a 14 anos, com 25.409 casos, correspondendo a 42,4% das vítimas no último ano.

Atenção aos perigos da internet

Um desafio adicional para pais e responsáveis é a compreensão dos significados de emojis e outros símbolos frequentemente utilizados em mensagens nas redes sociais. Essa dificuldade pode comprometer a identificação de riscos e a proteção de crianças e adolescentes contra predadores sexuais, que muitas vezes se disfarçam como pares da mesma faixa etária.

Para auxiliar nesse combate, o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), através do Núcleo de Prevenção à Violência Extrema (Nupve), lançou recentemente o portal "Decodificando os Sin@!s".

A plataforma oferece um banco de dados sobre emojis e símbolos, detalhando seus significados, variações e níveis de ambiguidade. É uma ferramenta essencial para pais e autoridades, permitindo identificar os símbolos mais associados à pedofilia, que são de conhecimento comum entre agressores, mas desconhecidos pelo público geral.

FONTE/CRÉDITOS: Colaboração