O Afoxé Ọmọdé Ọba (Crianças do Rei), grupo cultural artístico de terreiro formado na periferia da zona sul da capital faz apresentações nos meses de setembro e outubro por espaços culturais da capital paulistana. O grupo homenageia personalidades negras de diferentes áreas da Cultura Brasileira, entre eles, o ator e sambista Aílton Graça, a escritora e poeta Tula Pilar, o músico e capoeirista Mestre Môa do Katendê, falecido durante as eleições de 2018, e a mestra da dança e professora Renata Kabilaewatala.   

As apresentações acontecem nos meses de setembro e outubro, em espaços culturais da capital como: a Escola de Samba Lavapés Pirata Negro, o Centro Cultural Olido, a Casa de Cultura Chico Science, o Espaço de Cultura Adebankê, além de apresentações no terreiro Axé Olho D’Água. O projeto foi contemplado pela 3ª edição do Edital de Apoio à Cultura Negra para cidade de São Paulo - Secretaria Municipal de Cultura.

Ao som de Ijexá, ritmo consagrado para diversos orixás, dentre eles Oxum e Oxalá, o Afoxé Ọmọdé Ọba (Crianças do Rei) sai desde 2019 em cortejo pelas ruas das periferias da cidade de São Paulo, cantando, tocando e dançando memórias ancestrais negras de terreiros, rememorando as tradições dos Afoxés. Com o objetivo de ressignificar as ocupações das ruas e palcos, o intuito do grupo é mostrar a beleza no festar, resistir, e fazer ecoar poesias ancestrais que por vezes são silenciadas pelo preconceito e racismo religioso presente no país.

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Com a abertura pós pandêmica de COVID-19, o grupo vem se apresentando em eventos da capital como: Dia da Capoeira – Encontro da Cultura Afro, 1º Prêmio “Afoxé é o Ritmo do Ijexá”, Celebração à Liberdade Religiosa e a Cidadania, e Lavagem da Escadaria do Theatro Municipal.

Sobre os homenageados

Aílton Graça

Ailton Graça é ator, bailarino e compositor. Investiu no teatro ainda na juventude, na década de 1980, com peças amadoras e experiências circenses, principalmente como palhaço. Começou a despontar para a fama com o filme Carandiru (2003), que deu origem à série Carandiru, Outras Histórias (2004), na Globo, seguido de outras experiências na telona e na TV. A estreia em novelas foi em América (2005), na Rede Globo. Seguiu na emissora, atuando em Cobras & Lagartos (2006), Três Irmãs (2008), Cama de Gato (2009), Avenida Brasil (2012), entre outras produções. Sempre apaixonado por Carnaval, assumiu em 2019 a presidência da escola de samba Lavapés, a mais antiga de São Paulo.

Mestre Moa do Katendê

Músico, capoeirista, arte-educador e fundador do Afoxé Badauê, Mestre Môa do Katendê fez história em Salvador nos anos 80, levando 8 mil pessoas para as ruas, promovendo a reafricanização do carnaval baiano e influenciando uma geração de artistas da MPB. Discípulo do capoeirista Mestre Bobó, Moa começou a praticar capoeira no Dique Pequeno, onde nasceu e morreu. Mais tarde envolveu-se com o grupo Viva Brasil, da folclorista e pesquisadora Emília Biancardi. Antes de formar o Afoxé Badauê em 1978, compôs para o renomado Ilê Ayê. O artista faleceu em 2018 em decorrência de um crime de ódio durante as eleições de 2018.

Renata Kabilaewatala

Renata Kabilaewatala, é artista da dança, praticante de capoeira angola, mãe de Zabelê e Regina, filha de Ademir e Irene. Professora do curso de Licenciatura em Dança da Universidade Federal de Goiás, membro do Núcleo de Pesquisa e Investigações Cênica Coletivo 22 (NuPICC). É Doutora pelo Programa de Pós-graduação em Artes da Unicamp, com projeto "Corpo Limiar e Encruzilhadas: Capoeira Angola e Sambas de Umbigada no processo de criação em Dança Brasileira Contemporânea". Realizou o Doutorado Sanduíche (Capes), na Faculdade de Motricidade Humana em Lisboa (Portugal). Também na Unicamp, defendeu a dissertação de mestrado "Mandinga da Rua: a construção do corpo cênico em dança brasileira contemporânea" (2004). Mesma universidade em que em 2001, concluiu a graduação em Dança (bacharelado e licenciatura).

Tula Pilar

Poetisa, escritora e performer. Mãe de Samantha, Pedro e Dandara. Nascida em Minas Gerais, Tula Pilar foi presença preciosa nos saraus e eventos culturais de São Paulo, em especial da zona Sul. Seu rosto, sorriso e alegria inundavam os territórios e reverberam sua força nos microfones e espaços que recebiam suas poesias. Foi coordenadora do Raizarte, coletivo de música, dança e poesia, que fundou junto de seus filhos, vendedora da revista Ocas-Organização Civil de Ação Social, participou do projeto Trecho 2.8-Criação e Pesquisa em Fotografia. É autora dos livros “Palavras Inacadêmicas”, produzido de forma independente em 2004, e “Sensualidade de fino trato”, publicado pelo selo do Sarau do Binho em 2017. Também teve participação em obras coletivas, como o “Negras de Lá, Negras Daqui”, lançado em fevereiro de 2019. Faleceu em abril de 2019, deixando a responsabilidade coletiva de preservar o seu legado junto à suas crias. Pilar vem recebendo homenagens e honrarias desde então, dentre elas: dar nome ao Salão Nobre da Biblioteca Mário de Andrade (São Paulo) e homenagem da Marcha das Mulheres Negras de São Paulo em 2020.

Sobre o Afoxé Ọmọdé Ọba

Nascido no ano de 2019, o Afoxé Ọmọdé Ọba (Crianças do Rei), é idealizado por Wellington Campos e tem enquanto patronos as divindades Ibeji e Xangô, dois orixás masculinos cujas mães estão intrinsecamente relacionadas as divindades femininas Oxum, Oyá e Yemanjá. Fundado por Lilian Soares, Wellington Campos, Patrícia Souza e Felipe Stchuci, teve como berço a periferia da zona sul da cidade de São Paulo, contando com a presença e participação de pessoas provenientes de pontos distintos da cidade e de outras cidades da região. Migrou para a periferia da zona leste, especificamente para o bairro do Jardim Tietê, ocupando os pergolados de praças públicas, como uma ação afro-afirmativa de democratizar o acesso para todos(as/es). O Afoxé saiu às ruas pela primeira vez com a Marcha do Movimento de Mulheres de Heliópolis e Região, uma das maiores comunidades da cidade de São Paulo. O convite partiu da cofundadora Patrícia de Souza que é integrante do Movimento Negro de Heliópolis e Região. De lá para cá, o grupo já se apresentou em diversas ações culturais da capital paulistana e segue na luta para ocupar e retomar espaços culturais lutando contra o racismo religioso.

 

Serviço

Apresentações do Afoxé Ọmọdé Ọba

Setembro:

R. B. E. E. S. Lavapés Pirata Negro

07.09 às 13h | 09.09 às 19h | 10.09 às 16h

End: Av. Barro Branco, 770 - Vila do Encontro, São Paulo

Centro Cultural Olido

23.09 às 16h | 24.09 às 16h

End: Av. São João, 473 - Centro Histórico de São Paulo, São Paulo

Outubro:

Espaço de Cultura Adebankê

07.10 às 19h | 08.10 às 16h

End: R. Durande, 175 - Artur Alvim, São Paulo

Ilé Ìyá Ojú Omi Àse Ayrá Nlá- Olho D’Água

12.10 às 19h

End: Rua Adão Lorenzini 233 - Jardim Nove de Julho, São Paulo

Casa de Cultura Chico Science

21.10 às 19h | 22.10 às 16h

End: Rua Abagiba, 20, Av. Pres. Tancredo Neves, 1265 - Vila Moinho Velho, São Paulo

 

FONTE/CRÉDITOS: (foto: Reinaldo Meneguim)