Em um movimento estratégico para o Carnaval 2027, a Mocidade Independente de Padre Miguel implementou um sistema inédito de gestão da comunidade e cadastramento digital. Esta iniciativa, que utiliza tecnologia avançada, já registrou 881 componentes em maio, demonstrando um novo entusiasmo e adesão, e visa otimizar a organização e valorizar a participação dos integrantes da escola.

Rodrigo Coutinho, diretor executivo da agremiação, expressou o ineditismo da situação: “Isso nunca aconteceu na Mocidade”. A fala se refere não apenas ao recorde de recadastramentos no primeiro fim de semana, mas à nova mentalidade que impulsionou a adoção deste modelo inovador de gestão para a comunidade.

Desenvolvido por Felipe Rodrigues, coordenador do departamento comunitário, o sistema inclui um banco de dados abrangente. Ele coleta informações detalhadas dos componentes, como nome, altura, peso e tamanho, utilizando cintas que detectam automaticamente as medidas corporais durante a triagem.

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O processo de inscrição contempla ainda um questionário para mapear o histórico de cada indivíduo com a escola. Após o recadastramento, cada componente recebe sua carteirinha e a camisa oficial da agremiação.

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Este novo método proporciona um retrato em tempo real da comunidade, solucionando um problema crônico. Anteriormente, em novembro, a escola enfrentava dificuldades para fechar a grade de fantasias das alas, com muitas vagas permanecendo abertas. Isso levava à prática da “grade fantasma”, que consistia em estimativas para completar os pedidos.

Com o novo banco de dados, essas estimativas imprecisas são substituídas por dados concretos. “Consigo visualizar quantos tamanhos P, M, GG e calçados 39 temos em toda a escola”, detalhou Coutinho. Ele acrescenta que, a partir desses dados, é possível “tirar uma média por gênero em cada ala para complementar a grade de forma precisa”.

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Outra inovação significativa é o controle de presença dos componentes, realizado via carteirinha e um aplicativo dedicado. Durante os ensaios, o diretor de ala acessa o sistema pelo celular para registrar a presença ou ausência, devolvendo o documento ao final da atividade. Este método é simples, rastreável e elimina o uso de papel. Rodrigo Coutinho ressalta que, embora haja um backup físico para eventuais falhas, ele está certo de que a novidade será bem aceita.

O calendário da agremiação prevê uma média de 25 ensaios, dos quais o componente deverá comparecer a 20. Serão toleradas até cinco faltas sem necessidade de justificativa. A partir da sexta ausência, contudo, será exigida comprovação do motivo, estabelecendo uma regra clara de participação.

“Acabou na Mocidade a prática do componente vir quando quiser e pegar a fantasia”, enfatizou Coutinho. Ele deixou claro que “a escola vai valorizar quem comparece aos ensaios”. A antiguidade na agremiação não será um fator: “se o componente não frequentar os ensaios e não justificar as faltas, será cortado, mas terá a oportunidade de retornar no ano seguinte”, concluiu.

Essa disciplina, no entanto, vem acompanhada de recompensas. Um exemplo é o escalonamento das taxas de inscrição: o primeiro lote custou R$50, enquanto o segundo foi de R$70. O terceiro período de recadastramento, previsto para depois da Copa do Mundo, ainda terá seus valores divulgados.

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Além disso, camisas da Boutique da Mocidade serão sorteadas entre os componentes com maior frequência nas atividades da escola. “É uma série de medidas para valorizar mais o componente que frequenta o ensaio e que vai chegar na avenida evoluindo e cantando bem”, afirmou o diretor executivo.

Para Coutinho, essas transformações na gestão da comunidade alinham-se à própria identidade da agremiação. Ele argumenta que “a melhor escola do carnaval para fazer isso é a Mocidade, por ser uma escola de vanguarda que busca inovação, ou pelo menos deveria ter buscado ao longo de sua trajetória. Em algum momento, isso se perdeu”.

A escola planeja desfilar com aproximadamente 1.400 componentes nas alas de comunidade, distribuídos em 16 ou 17 alas, sem incluir a bateria, baianas, velha guarda, compositores e alas coreografadas.

Na atual fase da Mocidade, a união entre tradição e modernidade na nova gestão da comunidade promete fazer a Estrela Guia de Padre Miguel brilhar ainda mais intensamente.

FONTE/CRÉDITOS: Colaboração Carnavalesco