O Festival Literário das Periferias de Recife (Fliperifa) fortalece a literatura recifense, pernambucana e também nacional com a realização da sua 2ª edição da história. Com o tema “Leia a Rua”, o movimento é gratuito e acontece nas comunidades nos dias 8 de junho (local: “Afetoteca” - (biblioteca comunitária, bairro de Roda de Fogo, Zona Oeste), 15/06 (“Cores do Amanhã” - organização não governamental - ONG, bairro do Totó, Zona Sul), e 19/06 (“Ladobeco” - centro cultural, bairro do Arruda, Zona Norte). Todos os encontros ocorrem a partir das 14h, seguindo até o turno da noite.  

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A programação dispõe de acessibilidade comunicacional (intérprete de libras em um dos dias) e espaço infantil, com as atividades pensadas especialmente para a criançada, além de oficinas, rodas de conversa, feira de livros, atrações culturais, recital de poesia com o Slam das Minas PE, sempre concluindo a movimentação de cada dia, e presença do Coletivo Família Malanarquista, do Recife, com malabarismo, circo e arte de rua. Uma das ações coletivas de divulgação é a da colagem de lambes nas proximidades dos locais que estão sendo ocupados pelo festival.

Nesta nova edição, o Fiperifa dá continuidade às homenagens para mulheres negras de origem periférica e de diferentes gerações: Maria Cristina Tavares (mais conhecida como Maria Livreira - pedagoga pela Universidade Federal Rural de Pernambuco - UFRPE -, mestra em Educação, professora, educadora social, livreira e afroempreendedora) e Joy Thamires (poetisa, arte-educadora, redutora de danos, produtora cultural e defensora das causas negras e LGBTQI+). A pernambucana Maria Cristina, do bairro do Ibura (Zona Sul do Recife), nasceu em 1966 e atualmente tem a Maria Livreira (livraria independente), enquanto Joy é de 1993 e mora no Recife há dez anos, no bairro do Coque (Zona Norte do Recife), sendo natural de São Paulo/SP.  

Homenageadas da 2ª edição do Fliperifa são Maria Cristina Tavares (esquerda) e Joy Thamires
Foto: Thays Medusa



Vale lembrar que em 2024 duas mulheres negras e escritoras periféricas foram as homenageadas: Inaldete Pinheiro (nascida em 1946; ela é enfermeira sanitarista, fundadora do Movimento Negro no Recife e ativista do combate ao racismo) e Odailta Alves (nascida em 1979; ela é arte-educadora, atriz e ativista dos Direitos Humanos, com ênfase em práticas antirracistas).

A ideia deste festival de arte, educação e literatura é da pedagoga, educadora social e produtora cultural pernambucana Palas Camila. A curadoria é realizada pela poeta, escritora, cantora e compositora Bell Puã, pernambucana do Recife e cria do movimento Slam das Minas PE, além de autora de três livros. Ela também atuou como curadora na 1ª edição do Fliperifa. 

“O Fliperifa está voltando às ruas e quem recebe essa celebração de palavra, afeto e resistência são três territórios de potência viva. Em 2025, o festival literário também mantém sua identidade de fortalecimento e valorização das mulheres negras e da periferia, que são pérolas, e de reconhecimento das pessoas das próprias comunidades e dos próprios espaços culturais dentro de territórios periféricos no Recife. Na programação deste ano, a gente consegue ocupar as periferias nas Zonas Oeste, Sul e Norte, ampliando o festival. O Fliperifa é leitura viva, é rua que fala e é cultura que abraça”, reforça Palas.

A artista Bell Puã, do Recife, está novamente na curadoria do Fliperifa
Foto: Thays Medusa



A programação deste ano reúne uma diversidade de pautas artístico-culturais, como rodas de diálogo sobre “Literatura oral: poesia falada e a contação de histórias”, com Libélula, Jessicalen e Kemla Baptista, “Mercado literário: publicação e captação de recursos”, por Luciene Nascimento, Cássio Loko e Pato e “Estratégias de divulgação: literatura e redes sociais”, da autoria de Ester Dsan, Arteiro Poeta e Larissa Calado.

Já as formações funcionam por meio das oficinas: “Produção de zine”, com BiciCastelo; "Ancestralidade guiando nossos versos", por Joaninha Poeta; e "Vivências de mapas afetivos e poesia", da autoria de Cris Venceslau. No dia 19 de junho, ocorre justamente uma culminância do Fliperifa, com espaço aberto para participação e atrações culturais como Coco de Água Doce e Okado do Canal, a partir das 19h30, no Ladobeco (bairro do Arruda).

“A gente sonha, escreve e constrói coletivamente um festival com propósito, cuidado e compromisso com quem faz e vive a cultura todos os dias. Cada comunidade é lugar de encontros, escutas, poesia, oficinas, literatura marginal e tudo o que pulsa da e para as periferias. É mais do que um festival. É um compromisso com o direito à leitura, à arte, à imaginação porque, quando a palavra chega, ela planta coisas grandes. E a gente acredita no poder de transformar, território por território, com cada história contada”, contextualiza.

Como fez na edição de estreia, o Fliperifa mantém a ideia de circular a iniciativa por três escolas municipais, uma de cada bairro contemplado, que recebem a visita da “Malateca”, uma biblioteca viva e móvel, transportada em malas de viagem. Foi criada em 2018 pela pedagoga, arte-educadora e mediadora de leitura Magda Alves. As intervenções são marcadas por trocas e distribuição de livros, varal de poesias, recital poético e contação de histórias.

Afroempreendedora pernambucana, Maria Livreira tem uma livraria independente itinerante
Foto: Thays Medusa



O tema da segunda edição do Fliperifa já está no mundo, ou melhor, nos muros, postes, lambes e nas entrelinhas da cidade. “Entre muros e vozes há literatura. A vida nos leva a enxergar o que muitas vezes passa batido, como uma frase no muro, um grafite na esquina, um recado deixado por mãos que quase sempre passam por anônima, e que têm o poder de mudar o nosso dia ou até nossa forma de ver o dia a dia”, explica Bell Puã.

A curadora e poeta Bell também potencializa a reflexão sobre a temática “Leia a Rua”. “Porque a rua também é livro, é mensagem, é arte viva, é palavra que pulsa”, destaca.  

Joy Thamires mora no Recife há dez anos, no bairro do Coque (Zona Norte)
Foto: Thays Medusa



Assim como em 2024, o Fliperifa tem o incentivo público, com o financiamento desta 2ª edição pelo Edital Multilinguagem - Lei Aldir Blanc Recife (PNAB), Governo Federal, Fundação de Cultura Cidade do Recife, Secretaria de Cultura e Prefeitura do Recife. No ano passado, o Festival Literário das Periferias de Recife teve “O Direito à Literatura” como tema, ocupando espaços culturais nos bairros da Torre (“Rioteca"), na Zona Norte recifense, Pina (“Livroteca Brincante do Pina”) e Ibura (“Associação da Tancredo Neves”), ambos na Zona Sul.

“O Festival Literário das Periferias é um encontro de troca e formações onde as vozes que ecoam são de artistas das favelas. Entre oficinas, rodas de conversa, espaço infantil e slam, a cena literária se fortalece e se conecta podendo ampliar ainda mais seus conhecimentos. Pretendemos assim dar continuidade nessa segunda edição atingindo outros espaços e garantindo um intercâmbio de culturas e escritas, acreditando que é nesse processo que residem nossos sucessos e resistências”, pontua Palas.

Inscrições

A inscrição é necessária para participar das oficinas (inscreva-se), com direito a emissão de certificado. As vagas são para o público em geral, com prioridade para pessoas das comunidades, negras, indígenas, LGBTQIAPN+ e mulheres. 30% das vagas ficam para a população que movimenta diariamente a área da educação pública. Também é possível, via formulário de inscrição, a participação no festival como expositor e expositora. A exposição, venda ou troca de livros fica sob responsabilidade da própria pessoa.

2º Festival Literário das Periferias do Recife (Fliperifa) - “Leia a Rua”

Confira a programação gratuita


08/06 (domingo) - Local: “Afetoteca” (Avenida Bicentenário da Revolução Francesa, nº 74, bairro de Roda de Fogo)

14h - Mesa 1 - “Literatura oral: poesia falada e a contação de histórias”, com Libélula, Jessicalen e Kemla Baptista;

16h - Oficina de produção de zine, com BiciCastelo;

18h - Recital de poesia, com Slam das Minas PE;


15/06 (domingo) - Local: “Cores do Amanhã” (Avenida Garota de Ipanema, nº 02 - bairro do Totó)

14h - Mesa 2 - “Mercado literário: publicação e captação de recursos”, com Luciene Nascimento, Cássio Loko e Pato;

16h - Oficina: "Ancestralidade guiando nossos versos", com Joaninha Poeta

18h - Recital de poesia, com Slam das Minas PE;


19/06 (quinta-feira) - “Ladobeco” (Avenida Professor José dos Anjos, nº 121, bairro do Arruda)

14h - Mesa 3 - “Estratégias de divulgação: literatura e redes sociais”, com Ester Dsan, Arteiro Poeta e Larissa Calado;

16h - Oficina: "Vivências de mapas afetivos e poesia", com Cris Venceslau

18h - Recital de poesia, com Slam das Minas PE;

19h30 - Culminância: espaço aberto para participação; Coletivo Família Malanarquista; Coco de Água Doce; Okado do Canal.

Ficha técnica

Idealização e coordenação geral: Palas Camila
Curadoria: Bell Puã
Artistas homenageadas: Maria Livreira e Joy Thamires
Coordenação de produção: Talyta Aquino
Fotografia: Thays Medusa
Coordenação de comunicação e da Malateca: Magda Alves
Coordenação de comunicação: Tássia Seabra
Coordenação de produção: Mila Barros e Talyta Aquino
Produção local (“Afetoteca” - Roda de Fogo): Emanuela Frutuoso
Produção local (“Cores do Amanhã - Totó): Tati Naara
Produção local (“Ladobeco”- Arruda): Amanda Dias
Design: Laís Patrício
Contabilidade: Maíra Cabral
Audiovisual: Kael
Assessoria de imprensa: Daniel Lima
Incentivo público: Edital Multilinguagem - Lei Aldir Blanc Recife (PNAB), Governo Federal, Fundação de Cultura Cidade do Recife, Secretaria de Cultura e Prefeitura do Recife.

FONTE/CRÉDITOS: Foto: Thays Medusa