O Festival Literário das Periferias (Fliperifa), no Recife/PE, fortalece e valoriza mulheres da cultura afronordestina que são referências artísticas nacionais. Essas pérolas negras são Bell Puã (PE), Inaldete Pinheiro (PE) e Odailta Alves (PE), todas de origem periférica. Elas atuam na literatura brasileira. 

Conheça @fliperifape

Fliperifa prepara a sua 2ª edição. Na estreia, realizada na Capital pernambucana em 2024, o tema foi “O Direito à Literatura”, ocupando espaços culturais nas comunidades da Torre (Rioteca), Pina (Livroteca Brincante do Pina) e Ibura (Associação da Tancredo Neves), respectivamente. Na ocasião, o projeto também fez conexão com escolas municipais das respectivas localidades.

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O Festival Literário das Periferias é uma iniciativa de arte e educação, sendo criado pela pedagoga, arte-educadora e produtora cultural Palas Camila, além de aprovado no edital público "Multilinguagens Recife Criativo", da Lei Paulo Gustavo (LPG), do município Recife, por meio da Secretaria de Cultura/Fundação de Cultura da Cidade do Recife.

O movimento possui acessibilidade comunicacional, com intérprete de libras nas atividades artísticas. O festival é gratuito, abrindo inscrição para as oficinas (direito a emissão de certificado). Na 1ª edição, 30% das vagas das formações foram destinadas às pessoas que mobilizam diariamente a área da educação pública. Também é possível a participação no festival como expositor e expositora. A exposição, venda ou troca de livros fica sob responsabilidade da própria pessoa.

A programação reúne atividades como rodas de diálogo e formações em espaços arte-educativos, intervenções da “Malateca” em escolas municipais, uma em cada bairro contemplado pelo projeto, e recitais de poesia. A Malateca consiste em uma biblioteca viva e itinerante, transportada em malas de viagem. Foi criada em 2018 pela pedagoga, arte-educadora e mediadora de leitura Magda Alves. As ações são marcadas por trocas e distribuição de livros, varal de poesias, recital poético e contação de histórias.

“O Direito à Literatura defende que todas as pessoas tenham acesso à arte, principalmente às expressões literárias. O Festival Literário das Periferias busca compartilhar o papel das comunidades recifenses nos debates sobre a literatura. Estamos perpetuando a arte nas zonas sul, leste e oeste da cidade do Recife e consideramos que os encontros são uma troca cultural entre essas regiões, além da expansão de saberes e conhecimentos. A gente sempre luta para potencializar as expressões literárias nas zonas periféricas como uma forma de mudança social, mediante o incentivo à leitura e à escrita, entendendo também a importância da periferia traçar suas próprias narrativas”, explica Palas Camila, também coordenadora geral.

Vale destacar que as rodas de diálogo e as formações movimentam os espaços educativos das periferias diretamente com arte. Os encontros são concluídos com Slam (recital de poesia), trazendo a tradição oral como ponto importante dentro das comunidades. As ações dispõem de uma produtora atitudinal e de uma intérprete de libras.

Entre as atividades realizadas está a do Recital Já Pá Rua (uma homenagem a Japa, poeta das ruas recifenses que teve sua vida interrompida precocemente. Andreyvson Richard da Silva foi um artista marginal que fazia das ruas, praças e coletivos o seu palco diário, recitando e espalhando arte pelo centro da cidade. O Já Pá Rua também é idealizado pelo poeta e multiartista Sofio, que resgata a memória de Japa e dá continuidade ao seu legado por meio do recital aberto para quem quiser declamar poemas ou competir com suas criações poéticas na modalidade slam.  

Também na 1ª edição, houve rodas de conversas (“Escrevivências na cidade do Recife”, trazendo Karinne Costa como convidada e o convidado Marcondes FH, além da mediação de Amanda Timóteo; “Caneta de Mulher Escrita é Sobrevivência” - convidada: Priscila Ferraz, convidado: Elke Falkonier, mediador: Marcone Ribeiro), oficinas (“Conhecendo a Literatura Marginal Contemporânea”, que é mediada por Patricia Naia; “Rima - Entre a Escrita e o Freestyle” - mediação: Original Lety), e Slam — Recital Já Pá Rua — em cada dia da programação. 

A maioria absoluta da equipe técnica da 1ª edição do festival foi formada por mulheres: Jéssica Jansen (coordenadora de produção e produtora local da comunidade do Bode), Tássia Seabra (produção local do Ibura e comunicação), Mila Barros (produtora atitudinal), Magda Alves (idealizadora da Malateca e comunicação), Thays Medusa (fotógrafa), Vânia (alimentação), Jaks Interpretações (intérprete de libras), além das homenageadas Inalde Pinheiro e Odailta Alves, da curadora literária Bell Puã e da idealizadora e coordenadora Palas Camila. Também integram o time Eduardo Gomes (produção local - bairro da Torre) e Daniel Lima (assessoria de imprensa).

Bell Puã

Ela fez a curadoria literária da 1ª edição do festival. Além do mais, é autora de três livros: “É que dei o perdido na razão” (2018), “Lutar é crime” (2019) - finalista do Prêmio Jabuti em 2020 - e “Nossa História do Brasil: Pindorama em poesia”, lançado em 2024. Além de escritora, poeta, compositora e cantora, a artista pernambucana autoral brasileira tem mestrado em História pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Natural do Recife e com 31 anos de idade, é referência do slam (gênero de poesia falada semelhante ao rap improvisado), sendo cria do coletivo Slam das Minas PE (batalha de poesia falada).  

Inaldete Pinheiro 

Inaldete Pinheiro de Andrade (1946), que vive em Pernambuco há mais de cinco décadas, é enfermeira sanitarista, fundadora do Movimento Negro do Recife e ativista do combate ao racismo, além de escritora, ensaísta e vigilante dos direitos humanos incluindo a justiça ambiental. Sua arte tem contribuído para a constituição de uma bibliografia voltada para o ensino da História e das culturas africana e afro-brasileira, que estão nas manifestações pernambucanas e nordestinas. Entre suas publicações literárias estão “Maracatu de Real Realeza”, “Escritos das Escravidões” e “Uma Aventura do Velho Baobá, todas de 2021. Inclusive, ela foi uma das convidadas do lançamento do livro "Nossa História do Brasil: Pindorama em poesia", da escritora Bell Puã. 

Odailta Alves

Odailta Alves (1979), além de escritora, é educadora, atriz e ativista dos Direitos Humanos, com ênfase em práticas antirracistas. Nasceu na comunidade de Santo Amaro (Recife/PE). É vencedora nacional dos concursos de poesia “Da Casa de Espanha” (2016) e do “Elas por Elas” (2019). Em 2022, ganhou o prêmio Penalonga de Teatro de PE, com o seu monólogo Clamor Negro. Ela tem oito livros publicados, entre eles "Clamor Negro” (2016), “Letras Pretas” (2019) e “Afrochego: poemas para acalentar meu povo” (2023).

Ficha técnica da 1ª edição

Homenageadas: Inaldete Pinheiro @inaldetepinheirode e Odailta Alves @odailtaalves
Idealizadora do projeto e coordenação geral: Palas Camila @palascamila
Curadoria literária: Bell Puã @bellpua_
Coordenadora de produção e produtora local da comunidade do Bode: Jéssica Jansen @jessic4jansen
Produção local do Ibura e comunicação: Tássia Seabra @tassia_seabra
Produção do bairro da Torre: Eduardo Gomes @eduagomes
Produção atitudinal: Mila Barros @milabarrospinta
Idealizadora da Malateca e comunicação: Magda Alves @magmangue
Fotografia: Thays Medusa @medusa_tr3
Alimentação: Vânia Silva @vaniams22
Assessoria de imprensa: Daniel Lima @daniel_sal94
Intérprete de libras: Jaks Interpretações @jaksinterpretacoes

FONTE/CRÉDITOS: Foto: Thays Medusa