Na última quinta-feira (25), durante a London Climate Action Week, o secretário de Gestão do Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Sinapir), Clédisson Júnior, do Ministério da Igualdade Racial (MIR), participou de um painel crucial. O evento, promovido pela WSP Global em parceria com o Pacto Global de Prefeitos pelo Clima e Energia (GCoM), focou na **justiça racial** e na necessidade de transformar compromissos de **ação climática** em políticas públicas eficazes, visando responder às **desigualdades sociais e raciais** que afetam as **populações excluídas**.

Clédisson Júnior, representando o MIR, detalhou o engajamento da pasta na formulação da agenda climática nacional. Ele ressaltou a herança histórica do Brasil como o maior receptor de pessoas escravizadas da África e o último país das Américas a abolir a escravidão.

Os impactos duradouros desse passado, segundo o secretário, são cruciais para compreender a realidade enfrentada hoje pela população negra e por povos tradicionais, incluindo indígenas e quilombolas, tanto em áreas rurais quanto em centros urbanos e periferias.

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O secretário enfatizou que a crise climática afeta de maneira desproporcional esses territórios vulneráveis. Para mitigar essa situação, o Governo do Brasil, por meio de uma colaboração entre o MIR e o Ministério das Cidades, desenvolveu o Plano de Aceleração de Soluções para Periferias Urbanas e Assentamentos Informais.

Este plano, concebido para a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), visa promover espaços adequados, sustentáveis e resilientes, combatendo diretamente o racismo ambiental.

"A adaptação climática precisa partir de uma perspectiva antirracista", declarou Clédisson Júnior. Ele sublinhou a importância fundamental da participação social, argumentando que as próprias comunidades detêm o conhecimento necessário sobre seus desafios e, portanto, são protagonistas na construção de soluções eficazes.

Pelo Ministério das Cidades (MCID), o embaixador Antônio da Costa e Silva, chefe do Conselho Internacional da pasta, reforçou a necessidade de que a transição energética brasileira adote uma perspectiva que contemple os impactos históricos da escravização e do racismo na população negra.

O debate também trouxe à tona os desafios enfrentados por cidades em regiões severamente impactadas pelas mudanças climáticas, a formulação de políticas ambientais e a inclusão de mulheres e outros grupos sub-representados nas deliberações.

Perspectivas locais e internacionais

A mesa de discussões foi enriquecida com a visão prática de gestores e especialistas. Claudio Castro, prefeito de Renca, Chile, exemplificou uma abordagem inovadora, centrada nas particularidades locais e na infância como catalisador do desenvolvimento.

"Ao aprimorarmos a qualidade de vida das crianças e dedicarmos atenção aos seus espaços, como escolas e creches, elevamos as condições de vida de todo o município, beneficiando tanto a geração atual quanto as futuras", explicou o prefeito.

Complementando a discussão, Asma Jhina, conselheira Sênior de Finanças Climáticas Urbanas e Ação Inclusiva do GCoM, trouxe a perspectiva das ferramentas práticas. Ela defendeu a urgência de converter compromissos internacionais em ações tangíveis.

"A integração de gênero e a inclusão é crucial para enfrentar os riscos desproporcionais", afirmou. Jhina destacou que a desigualdade de gênero se entrelaça com outras barreiras sociais, como raça, educação e infraestrutura urbana, acentuando a vulnerabilidade e que a priorização de abordagens inclusivas resulta em estratégias mais eficazes e equitativas.

Finalizando, Susan Leadbetter, especialista em estudos de gênero da WSP, elucidou que, para uma abordagem interseccional eficaz, é imperativo reconhecer que a interação de cada pessoa com o espaço público é intrinsecamente moldada por suas múltiplas e coexistentes identidades.