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O sexto dia do Festival AKWAABA, realizado em São Paulo em 27 de maio de 2026, marcou um ponto alto na discussão sobre temas cruciais para a transformação social. Promovido pelo Ministério da Cultura, através da Fundação Cultural Palmares, o evento aprofundou debates sobre educação antirracista, o impacto da literatura negra e o potencial da economia criativa.
A noite foi encerrada com celebrações culturais, incluindo shows e exibições de cinema negro, reafirmando o compromisso do festival em fortalecer as conexões entre Brasil, África e a diáspora africana.
Idealizado pelo Ministério da Cultura, com a execução da Fundação Cultural Palmares, o Festival AKWAABA visa estreitar os laços entre Brasil, África e a diáspora africana. A iniciativa utiliza a cultura, a memória, a arte e a diplomacia cultural Sul-Sul como pilares para uma nova jornada de intercâmbio político-cultural.
O evento reafirma o pan-africanismo e a ancestralidade, destacando as contribuições históricas do continente africano para a formação da sociedade brasileira. Essa proposta alinha-se à defesa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que, na 6ª Teia Nacional, enfatizou a necessidade de o Brasil “pagar a dívida histórica com a África”.
Nesse contexto, o AKWAABA se consolida como um marco cultural e político, projetando novas vias de cooperação afro-diaspórica para os próximos anos, impulsionando a valorização da cultura afro-diaspórica.
A programação do sexto dia, ocorrida nesta quarta-feira (27), foi dedicada a seminários e atividades culturais que reuniram uma diversidade de vozes. Pesquisadores, gestores públicos, escritores, artistas e representantes institucionais aprofundaram discussões sobre os eixos temáticos centrais do festival.
Educação antirracista e a Lei nº 10.639/2003
Pela manhã, o painel “Os desafios do ensino da história e da cultura africana na Lei nº 10.639/2003” abriu os trabalhos. O debate provocou uma reflexão aprofundada sobre os avanços e os obstáculos enfrentados na implementação efetiva da legislação que tornou obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira e africana nas escolas do Brasil.
Os participantes sublinharam a educação como uma ferramenta essencial no combate ao racismo estrutural. Reafirmou-se, portanto, a urgência de fortalecer políticas públicas que promovam a valorização da ancestralidade africana e afro-brasileira no ambiente educacional.
O encontro contou com a presença de especialistas como o historiador Rafael Maximiniano, diretor de Educação e Formação Artística da Secretaria de Formação, Livro e Leitura do Ministério da Cultura. Também participaram a educadora e escritora Sinara Rúbia, a pesquisadora Zizele Ferreira e a professora Giane da Silva Vargas.
A mesa foi complementada por Clélia Mara dos Santos, diretora de Políticas de Educação Étnico-Racial e Educação Escolar Quilombola do Ministério da Educação, enriquecendo o diálogo sobre as políticas públicas.
As discussões abrangeram uma série de tópicos relevantes, desde a formação docente e a produção de materiais didáticos adequados. Também foram abordadas a representatividade negra nos currículos escolares e as experiências pedagógicas afro-referenciadas.
Os desafios enfrentados pelas redes públicas de ensino na consolidação de uma educação para as relações étnico-raciais foram amplamente debatidos, buscando soluções e melhores práticas para o futuro.
O poder da literatura negra na transformação social
No período da tarde, a programação seguiu com o painel “Literatura Negra”, que celebrou a potência da escrita como um instrumento de memória, resistência e construção identitária. A literatura negra foi destacada como um motor de transformação social.
O encontro reuniu um seleto grupo de escritores, pesquisadores e agentes culturais. Eles debateram o papel fundamental da literatura afro-diaspórica na ampliação de narrativas sobre pertencimento, ancestralidade e representatividade cultural.
Entre os participantes do debate estavam Andressa Marques, coordenadora-geral do Plano Nacional do Livro e Leitura do Ministério da Cultura, e o professor marfinense Koffi Tougbo. A escritora Calila das Mercês, a jornalista e pesquisadora Luciane Reis, e a escritora, atriz e dramaturga Cristiane Sobral também contribuíram com suas perspectivas.
As intervenções dos palestrantes enfatizaram a literatura negra como um território vital para a preservação da memória coletiva e para o enfrentamento dos silenciamentos históricos. Foram discutidos, ainda, os desafios persistentes enfrentados por autores negros no mercado editorial brasileiro.
Os participantes também abordaram a importância de políticas públicas de incentivo à leitura, a democratização do acesso ao livro e o fortalecimento de editoras independentes. A valorização das tradições orais negras foi apontada como elemento crucial na construção do pensamento afro-diaspórico contemporâneo.
Economia criativa e políticas afirmativas para a população negra
Encerrando a série de seminários do dia, o painel “Economia Criativa e Políticas Públicas Afirmativas para a População Negra e PNAB” analisou a cultura como um vetor estratégico. O objetivo foi discutir seu papel no desenvolvimento social, econômico e identitário.
A mesa contou com a participação de Mariana Braga, chefe da Assessoria de Participação Social e Diversidade do Ministério da Cultura, e Bianca Pereira, diretora de Políticas para Promoção da Igualdade Racial do Tocantins. Também estiveram presentes Luiz Galina, diretor regional do Sesc São Paulo; Marcos Canetta, pesquisador e mestre em Gestão do Patrimônio Cultural; e o consultor e estrategista Paulo Rogério Nunes.
As discussões focaram no fortalecimento da economia criativa negra e na ampliação do acesso de artistas e produtores culturais negros a mecanismos de fomento. Os impactos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) no incentivo à diversidade cultural e na democratização dos recursos públicos foram amplamente debatidos.
O painel destacou como setores como audiovisual, moda, gastronomia, música, literatura, design e tecnologia consolidam a cultura negra. Eles se tornam, assim, um espaço vibrante de inovação, geração de renda e fortalecimento de redes afro-diaspóricas tanto no Brasil quanto no exterior.
Noite de celebração: música e cinema negro
A noite culminou com uma rica programação cultural, que reforçou a diversidade artística do festival. Às 19h30, a cantora Ayana Amorim subiu ao palco, apresentando um repertório que mesclou referências afro-brasileiras com sonoridades contemporâneas e influências da música popular negra.
Em seguida, o DJ Nyack agitou o público com uma seleção que explorou o hip hop, a música negra global e a cultura urbana. Sua performance reafirmou a presença marcante da diáspora africana nas pistas e na produção musical contemporânea brasileira.
O cinema negro também teve seu espaço, com a exibição do filme “Você Está no Caminho Certo” (2026), dirigido por Marcos Corrêa. A programação cinematográfica incluiu, ainda, o longa “Revolta dos Búzios” (2024), do cineasta Antonio Olavo.
Este último filme resgata a história da Revolta dos Búzios, um movimento popular e antiescravista ocorrido na Bahia no final do século XVIII. A obra conecta memória, resistência negra e a luta por liberdade, temas que dialogam diretamente com os propósitos do AKWAABA.
Entre intensas reflexões, encontros produtivos, arte e celebração, o sexto dia do Festival AKWAABA reafirmou seu papel como um espaço de construção coletiva. Ele fortalece os laços entre África, Brasil e a diáspora, consolidando a cultura negra como um instrumento vital de memória, reparação, pertencimento e projeção de futuro.
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