O 1º Seminário Nacional das Rodas de Samba, encerrado nesta quarta-feira (24) no simbólico Renascença Clube, no Rio de Janeiro, culminou na entrega de importantes demandas ao Ministério da Cultura (MinC). Pesquisadores, sambistas e gestores culturais uniram esforços para solicitar um mapeamento abrangente das rodas de samba em todo o país e a profissionalização dos trabalhadores do setor, visando fortalecer essa fundamental expressão cultural e econômica.

O evento, que teve como um dos painéis centrais "Políticas Públicas: Territórios que Transformam o Brasil", discutiu as principais necessidades e as vias para a construção de políticas eficazes de apoio. A colaboração entre o poder público e a sociedade civil organizada foi um ponto crucial, conforme ressaltado por Fabrício Antenor, gestor de projetos do MinC.

Antenor enfatizou a natureza transversal da pauta, que envolve diversos ministérios – como Igualdade Racial, Trabalho e Saúde. "É muito bom que tenham sido feitas essas cartas para o Ministério da Cultura, para que a gente possa fazer a provocação", declarou, sublinhando a importância dessas contribuições diretas.

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A necessidade de dados nacionais

Entre as reivindicações mais urgentes, destaca-se a criação de um mapeamento nacional das rodas de samba e dos espaços culturais dedicados ao samba. Thiago Carvalho, músico e consultor, exemplificou a realidade da Bahia e salientou que "É a partir daí que vamos saber quanto produzimos para o PIB, por meio do samba, da nossa arte e da nossa cultura".

Músicos e sambistas também propuseram a criação de um Fórum Nacional de Rodas de Samba. Este fórum teria como objetivo manter uma discussão contínua e permanente sobre as necessidades do setor. A cantora e professora Marina Íris expressou otimismo, afirmando: "Eu saio daqui muito encorajada e animada para fazer com que o que foi discutido não fique apenas no campo das ideias".

Wanderson Luna, representante da Rede Carioca das Rodas de Samba, reforçou a essência política do samba, que desde sua origem tem sido um meio de transformação social. "A nossa única chance de transformar vidas era, e continua sendo, por meio das rodas de samba", concluiu Luna, destacando a relevância cultural e social da manifestação.

Profissionalização e o reconhecimento territorial

Outra demanda fundamental levantada durante o Seminário foi o reconhecimento dos trabalhadores das rodas de samba como profissionais que necessitam de proteção social. Anderson Lins, do Sesc do Rio de Janeiro, pontuou que "o samba tem essa linguagem universal, essa estrutura e essa poética que nos traz identidade. Mas, ao mesmo tempo, é profissão."

Lins complementou que uma roda de samba vai além dos artistas, envolvendo "articuladores e profissionais importantes que viabilizam a existência dessa manifestação cultural", ressaltando a complexidade e a cadeia de trabalho por trás de cada evento.

A importância de considerar as particularidades de cada território e cidade também foi salientada. Aline Vila Real, diretora de Difusão Regional da Funarte, mencionou a Política Nacional das Artes, aprovada este ano, que visa promover, proteger e fomentar as expressões artísticas em todo o Brasil.

Vila Real enfatizou que "a política pública é feita a partir dos territórios, e não pelo Estado direcionado ao território", reconhecendo que a vida cultural do país se constrói a partir dessas realidades locais.

Roberta Martins, secretária de Articulação Federativa e Comitês de Cultura, garantiu que o MinC não apenas analisará as cartas entregues, mas também consolidará as contribuições e críticas recebidas pelas redes sociais. "Todo o material será analisado para a construção coletiva de uma proposta concreta de políticas direcionadas para as rodas de samba", finalizou, reforçando o compromisso com a participação popular.