Samba de Cacete: Reconhecimento Cultural e Resistência Quilombola no Pará

O Samba de Cacete, manifestação cultural de origem africana presente nas comunidades quilombolas do Baixo Tocantins, foi oficialmente reconhecido como Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial do Estado do Pará. O título foi concedido pela Assembleia Legislativa do Pará (Alepa) após a aprovação unânime do projeto de lei nº 825/2023, apresentado pelo deputado estadual Carlos Bordalo.

Origem e Importância Cultural

Com raízes que remontam aos tempos dos quilombos, o Samba de Cacete é uma expressão cultural que combina música, canto e dança. Originalmente difundido nas comunidades remanescentes de quilombos em regiões como Mola, Tomazia e Igarapé Preto, essa prática era uma forma de celebração e resistência, realizada ao final de mutirões agrícolas.

Valorização da Cultura Afrodescendente

O reconhecimento do Samba de Cacete como patrimônio imaterial não só valoriza a cultura afrodescendente no Pará, mas também ressalta a importância de preservar essas tradições que carregam a história e as lutas dos negros na Amazônia. Como apontado pelo grupo Samba de Cacete do Pilão, de Cametá, a prática é um símbolo da ancestralidade e da resistência do povo negro.

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Expressão Artística e Tradição

O nome "Samba de Cacete" se refere aos instrumentos usados na música: dois pedaços de madeira, chamados cacetes, que são batidos no curimbó (um tipo de tambor) para marcar o ritmo. A dança é caracterizada por trajes coloridos, saias amplas e adornos que refletem a herança cultural das comunidades quilombolas. Esta manifestação cultural tem sido preservada e transmitida por gerações, como evidenciado no trabalho do grupo Samba de Cacete do Pilão, liderado por Mestra Iolanda do Pilão.

Impacto e Reconhecimento Nacional

A trajetória do Samba de Cacete ganhou destaque nacional através do documentário "Mestras", dirigido por Aíla e Roberta Carvalho, que foi o primeiro documentário paraense a competir no Festival de Gramado, um dos mais importantes eventos de cinema do Brasil. Este reconhecimento reflete o crescente interesse pela valorização das tradições culturais do Pará.