O Melanina Acentuada Festival retorna a Salvador para sua oitava edição, de 28 de julho a 3 de agosto, com uma programação diversificada que inclui espetáculos, debates e lançamentos em múltiplos espaços culturais da cidade. O evento deste ano presta uma significativa homenagem aos 80 anos do lendário Teatro Experimental do Negro (TEN), celebrando seu legado e aprofundando as discussões sobre a dramaturgia negra contemporânea.

As atividades do festival estarão distribuídas por importantes locais como o Goethe-Institut Salvador, Teatro Sesc Casa do Comércio, Teatro Jorge Amado, Teatro Martim Gonçalves e SESI Rio Vermelho. A iniciativa visa promover reflexões aprofundadas sobre a dramaturgia negra atual, reunindo talentos de estados como Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo.

Destaques da programação: espetáculos, debates e lançamentos

Durante seus sete dias, o público terá acesso a 23 atividades culturais diversas. A agenda inclui sete espetáculos teatrais, um show de stand-up comedy, pocket shows, cinco ateliês de ideias, entrevistas públicas, leituras dramáticas, sessões de compartilhamento de poéticas, oficinas e lançamentos de livros.

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Entre os pontos altos da programação, destacam-se as estreias de "TYBYRA – Uma Tragédia Indígena Brasileira" e "Black Machine". O festival também marca o aguardado retorno de produções aclamadas como "MACACOS", de Clayton Nascimento, e "Namíbia, Não!", que comemora 15 anos em cena.

A cerimônia de abertura está agendada para 28 de julho, no Goethe-Institut Salvador, e contará com a primeira apresentação de "TYBYRA – Uma Tragédia Indígena Brasileira", seguida por um pocket show da banda Cabokaji.

A partir daí, os dias subsequentes serão preenchidos com uma sequência de espetáculos, discussões, encontros com autores e atividades formativas, que se estenderão por diversas localidades da capital baiana.

Celebrando o legado: 80 anos do Teatro Experimental do Negro

O foco central desta edição do festival é a rica trajetória do Teatro Experimental do Negro (TEN), fundado por Abdias do Nascimento. O evento se propõe a analisar a profunda influência desse grupo seminal na produção artística negra brasileira.

Para Aldri Anunciação, idealizador do festival, a iniciativa transcende uma mera comemoração histórica. "Ao celebrar os ‘80 anos do Teatro Experimental do Negro’, o Melanina Acentuada reforça que o legado construído pelo ator, dramaturgo e ativista dos direitos civis e humanos pela população negra, Abdias do Nascimento, permanece vivo até os dias atuais - nas práticas artísticas contemporâneas", afirmou Anunciação.

Ele complementa que "mais do que uma homenagem, esta edição busca compreender como as ideias inauguradas pelo TEN, em 1944, no Rio, continuam reverberando nas dramaturgias, nas pesquisas, nos corpos em cena e na organização da produção cultural afrodiaspórica. É um convite para reconhecer como as histórias do teatro negro se cruzam em oito décadas de passado, presente e narrativas afrofuturistas".

Explorando novas fronteiras: narrativas afroindígenas em destaque

Adicionalmente à celebração do TEN, a programação do festival inova ao integrar produções focadas em narrativas afroindígenas. Exemplos notáveis incluem o espetáculo "TYBYRA – Uma Tragédia Indígena Brasileira", escrito por Juão Nyn, e a performance da banda Cabokaji, que apresenta um repertório rico em inspirações indígenas e afro-brasileiras.

Aldri Anunciação comenta sobre essa expansão temática: “Assim como trouxemos a ‘Ancestralidade Futurística’, o conceito de tempo espiralar e outras narrativas afrodiaspóricas em 2025, neste ano, queremos ir mais além, com a herança afroindígena e novos conceitos emergindo do papel para os teatros. É o meu desejo que o Melanina possa reescrever as histórias que construíram a cidade, o país e a cultura como conhecemos, através dos próprios autores”.

Encontro de talentos: artistas de diversas regiões

O festival também se destaca por reunir um elenco de talentos de diferentes estados, incluindo nomes como Eugênio Lima, Luciany Aparecida, Juão Nyn, Sulivã Bispo, Johayne Hildefonso, Daniel Arcades, Lincoln Oliveira, Paulo Henrique dos Santos, Fernando Lufer e Marina Esteves. Esses artistas contribuirão com espetáculos, debates e uma série de atividades que enriquecem a produção artística negra contemporânea.

Concebido por Aldri Anunciação em 2012, o Melanina Acentuada foi fundado com o propósito de aumentar a visibilidade de autores, artistas e pesquisadores negros. Em sua trajetória, o festival já levou ao palco mais de 40 espetáculos, solidificando-se como um espaço vital para a dramaturgia negra no Brasil.

Informações gerais do Melanina Acentuada Festival – 8ª edição

  • Período: De 28 de julho a 3 de agosto.
  • Locais: Goethe-Institut Salvador (Vitória), Teatro Sesc Casa do Comércio (Caminho das Árvores), Teatro Jorge Amado (Pituba), Teatro Martim Gonçalves (Canela) e SESI Rio Vermelho (Rio Vermelho).
  • Ingressos: A maioria das atividades é gratuita. Para os espetáculos, os ingressos custam R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia), e podem ser adquiridos pela plataforma Sympla.
FONTE/CRÉDITOS: Redação