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Morre Mãe Carmen, Líder Do Terreiro Do Gantois E Guardiã Da Ancestralidade Em Salvador
O Candomblé brasileiro perdeu uma de suas vozes mais respeitadas na madrugada desta sexta-feira, 26 de dezembro de 2025. Carmen Oliveira da Silva, amplamente reverenciada como Mãe Carmen, ialorixá do Terreiro de Gantois, faleceu aos 98 anos de idade, em Salvador. A líder religiosa estava à frente do Ilé Iá Omi Axé Iamaxé desde 2002, dando continuidade a uma linhagem histórica que fundamentou as tradições de matriz africana no país.
Nascida em 29 de dezembro de 1926, na própria Casa do Candomblé, Mãe Carmen era a filha caçula de Mãe Menininha do Gantois. Sua trajetória foi marcada pela dedicação silenciosa e firme aos saberes tradicionais, tendo sido iniciada na religião ainda na infância, aos 7 anos de idade. Antes de assumir a liderança espiritual do terreiro, ela atuou como contadora aposentada do Tribunal de Contas do Estado da Bahia, unindo a sabedoria administrativa ao zelo pela espiritualidade herdada de sua mãe e de sua irmã, Mãe Cleusa de Nanã.
Cerimônias De Despedida E Sepultamento
As homenagens póstumas à ialorixá ocorrem nesta sexta-feira, a partir do período da tarde, no próprio Terreiro do Gantois, localizado no bairro da Federação, em Salvador. O velório seguirá durante toda a noite, permitindo que a comunidade do povo de santo, autoridades e admiradores prestem suas últimas reverências. O enterro está programado para este sábado, 27 de dezembro de 2025, em horário e cemitério na capital baiana a serem confirmados pela Associação de São Jorge Ebé Oxóssi.
Legado De Sabedoria E Resistência Espiritual
A partida de Mãe Carmen ocorreu em uma sexta-feira, dia consagrado a Oxalá, seu Orixá regente, o que carrega um profundo simbolismo para seus seguidores. O Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania, em nota oficial, destacou que sua vida permanece como um exemplo de firmeza espiritual e compromisso com as raízes africanas. Sob sua condução, o Gantois reafirmou seu papel como um centro de identidade, memória e resistência cultural.
Mãe Carmen deixa duas filhas, três netos e quatro bisnetos, que representam a continuidade de um legado que segue vivo na história e na fé. Para a comunidade religiosa, sua missão continua inscrita como fonte de sabedoria para as futuras gerações, garantindo que o axé e os ensinamentos transmitidos por ela sigam orientando a tradição ancestral do Candomblé na Bahia e em todo o Brasil.
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