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A Orquestra Iorubá de Pernambuco ocupa o bairro de Peixinhos (Quilombo do Catucá - Recife/PE), com o objetivo de visibilizar o protagonismo das pessoas da própria comunidade e bairros vizinhos por meio da arte-educação. As atividades artísticas e culturais, como oficinas e shows, são realizadas nas proximidades do Nascedouro de Peixinhos, equipamento público com mais de 100 anos de história e que fica nos limites entre Recife e Olinda. Inclusive, o Nascedouro pede socorro há um tempo.
“A feitura dessas atividades educativas é também uma celebração à memória, à música, à ancestralidade e ao saber do povo afro-brasileiro. As oficinas são formadas por pessoas da própria comunidade de Peixinhos (Quilombo do Catucá) e da escola”, declara Parrô Mello.
Mais do que técnica musical, a formação artístico-cultural também tem como narrativa o legado, a identidade cultural e o resgate dos antepassados históricos, além do que existe de atual e de novo na arte e música pernambucana, sobretudo na cultura popular.
“Esses momentos possibilitam o pertencimento e a valorização das raízes da cultura negra e ancestral na comunidade, por meio de uma intervenção cultural de fortalecimento, para a formação de crianças e adolescentes dentro do próprio território quilombola, no Nascedouro de Peixinhos, onde tem uma escola nas proximidades”, acrescenta Maia.
Os oito encontros da “Oficina e Concerto- aula” totalizaram 32 horas/aula. Todas as atividades formativas deste respectivo projeto ocorreram às segundas, quartas e sextas-feiras na Escola Monteiro Lobato, como um espaço de resistência cultural e de criação de conexões.
“Em um "palco" de aprendizado para transformar vidas, num território cheio de histórias e desafios, as aulas foram um acesso e uma oportunidade à cultura para as pessoas da comunidade quilombola e bairros vizinhos. A Orquestra Iorubá de Pernambuco tem a consciência de que com arte-educação a identidade da cultura afrobrasileira, afroindígena e ancestral é fortalecida, atualizada e resgatada como memória e legado”, pontua Parrô.
Conexão Brasil-África
Em um dos encontros, articulado por João Monteiro, a delegação de Abomey, cidade do Benin, na África, vivenciou a ação formativa. K.L Antoine Djédou (prefeito de Abomey), Mr. Eric Dagba, Guy Mesmin Behanzin (da prefeitura de Abomey) e Dozo Malemba (tradutor) visitaram a escola Monteiro Lobato. Na ocasião, diversas apresentações foram realizadas, como circo, música, teatro, capoeira, e as audições dos alunos das oficinas da Orquestra Iorubá.
A vivência com as pessoas de Abomey, terra de reis e rainhas e com diversidade cultural do continente africano, trouxe a busca por um futuro mais ancestral com potência no campo da educação, da tecnologia e principalmente da cultura.
Publicado por:
Daniel Lima
Comunicador social & jornalista. De Caruaru/PE, criado no Recife. Atua com assessoria de imprensa artístico-cultural e atualmente é assessor de imprensa/mídias sociais do Coco Raízes de Arcoverde/PE.
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