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No dia 23 de fevereiro, o Prof. Dr. Babalawô Ivanir dos Santos receberá em sua casa o Prof. Mamadou Ba - Intelectual e ativista, que vem sendo perseguido em Portugal por conta dos seus posicionamentos antirracistas. Mamadou Ba, luso senegalês, nascido no Senegal e doutorando no Canadá, na Universidade de British Columbia, no Departamento de Gênero, Raça e Justiça Social. Formado em Letras pela Universidade Cheikh Anta Diop, se especializou em Tradução, pela Universidade de Lisboa, e vem atuando, principalmente, como dirigente da ONG SOS Racismo. Em 2021, foi distinguido com o prémio internacional Front Line Defenders, atribuído a ativistas de direitos humanos em risco, pela sua dedicação à luta antirracista.
E nessa quinta, Ivanir dos Santos reunirá intelectuais brasileiros, artistas e lideranças políticas para uma recepção e acolhimento ao Prof Mamadou Ba. A partir das 19h, na Mangueira.
Mamadou Ba, 49 anos, vem ao longo dos últimos anos trabalhando na luta contra o racismo em Portugal. O encontro será realizado pelo Centro de Articulação de Populações Marginalizadas (CEAP) e contará ainda com a presença de intelectuais negros, artistas, lideranças religiosas, militantes do movimento negro e lgbtqiapn+.
ONG SOS Racismo. A instituição (1990) tem sido duramente ofendida pelos detratores da democracia objetiva dos em movimentos sociais como o neonazismo e que organizaram, inclusive, uma marcha contra a organização e contra Mamadou, além de conteúdos violentos e racistas produzidos para mobilização das redes sociais. É importante salientar que o racismo e a xenofobia no continente europeu é uma das tristes realidades vividas por pessoas negras, sejam elas nascidas em países europeus e/ou imigrantes dos países africanos e americanos. Em 2022, após fortes repercussões do caso de racismo em Portugal envolvendo o filho do ator Bruno Gagliasso e da apresentadora Giovanna Ewbank, o presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, deliberou uma nota oficial na qual repudia o crime e admitiu que há setores racistas e xenófobos entre seus conterrâneos. O caso não só revela essa faceta do racismo europeu como também mostrou que, assim como acontece no Brasil, que ainda se vive sobre a glorificação do passado colonial, que carrega uma grande dívida histórica com as populações negras que ainda vivem à margem da sociedade devido o racismo estrutural que ainda se faz presente nas relações poder social, econômico, cultural e espiritual.
A pauta da agenda, ao recepcionar e acolher Mamadou Ba, que também atuou como assessor parlamentar na Assembleia da República em Portugal, não foca apenas na necessidade de fortalecimento de ações e medidas nacionais internacionais no combate ao racismo, como também abertura para a construção de laços e solidariedades em uma luta que precisa ser coletiva. É importante pontuar que tanto o Babalawô Ivanir como também o CEAP, sempre estiveram à frente das lutas antirracistas, em prol da população marginalizada e contra as intolerâncias.
A Prof. Dra Mariana Gino, que é especialista em História da África e Secrétaire Générale du Centre International Joseph Ki-Zerbo pour l'Afrique et sa Diaspora/N'an laara an saara. (CIJKAD-NLAS), pontua que “O racismo é uma das heranças coloniais europeias que ainda se faz presente nas diversas relações cotidianas e tem por finalidade desmobilizar e desacreditar na luta antirracismo”. Gino, tem suas pesquisas voltadas para a trajetória intelectual do Professor Joseph Ki-Zerbo (político e historiador de Burquina Fasso), ainda rememora que: “Boa parte dos intelectuais negros africanos que ousaram lutar contra o racismo e escancarar as diferenças estruturais ocasionadas por esse crime, foram perseguidos e/ou marginalizado”.
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