Nesta quarta-feira (19), data do Dia Nacional de Luta da População em Situação de Rua, o estado do Rio de Janeiro registrou a segunda maior população em situação de rua do Brasil, com 35.406 pessoas inscritas no CadÚnico. O avanço da extrema pobreza, as dificuldades de acesso à habitação e o rompimento de vínculos familiares impulsionam esses indicadores no território fluminense.

Dados de maio de 2026 apontam que o CadÚnico contabilizava 388.855 brasileiros vivendo sem teto em todo o país. São Paulo lidera o ranking nacional com 159.290 cadastrados, seguido pelo Rio de Janeiro na segunda colocação e por Minas Gerais em terceiro lugar, com 34.849 registros.

Legislação e políticas públicas

Para enfrentar o cenário, o Legislativo fluminense aprovou a Lei 9.302/21, que criou a Política Estadual para a População em Situação de Rua. A medida visa assegurar direitos vitais e ampliar o acolhimento temporário, além de combater a extrema vulnerabilidade decorrente da falta de habitação regular.

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A legislação garante acesso simplificado a serviços de saúde, educação, moradia, trabalho e assistência social. Além disso, prevê programas habitacionais, ações de segurança alimentar, qualificação profissional e proíbe terminantemente qualquer discriminação, inclusive contra pessoas com dependência química.

Entre os municípios do estado, a capital concentra o maior contingente de cadastrados. Veja a distribuição dos dados nas principais cidades:

  • Rio de Janeiro: 22.352 pessoas;
  • Niterói: 1.015 pessoas;
  • Duque de Caxias: 977 pessoas;
  • Nova Iguaçu: 727 pessoas;
  • Volta Redonda: 488 pessoas;
  • São Gonçalo: 484 pessoas;
  • Maricá: 471 pessoas;
  • Macaé: 402 pessoas;
  • Cabo Frio: 333 pessoas;
  • Petrópolis: 305 pessoas.

Histórico de superação

Além das estatísticas, histórias individuais revelam possibilidades de transformação. O escritor Leonardo Motta viveu um ano e três meses nas ruas devido ao vício em álcool, cocaína e crack, após duas décadas de dependência. Hoje, sóbrio há nove anos, ele é casado, reside na Ilha de Paquetá e já publicou três livros.

Criador da Revista na Calçada, publicação poética focada em dar visibilidade às vivências urbanas, Motta participa de um encontro na Biblioteca Estadual, no centro da capital. Ele enfatiza a importância de buscar auxílio: “O conselho que deixo para quem está nessa situação é que aceite ser ajudado. De um lado, existe alguém disposto a ajudar; do outro, é preciso que a pessoa também aceite essa ajuda”.

FONTE/CRÉDITOS: Douglas Corrêa - Repórter da Agência Brasil