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A artista pernambucana Clau Barros apresenta a performance solo “Mandinga” no Ọnà Dúdú, itinerância histórico-performativa por quatro estações-territórios negros do Bairro do Recife, que está na programação do Conecta Latinas. O circuito Ọnà Dúdú é realizado neste domingo (25 de maio), às 15h (concentração na Torre Malakoff, em frente à Praça do Arsenal, no Recife Antigo).
A programação é gratuita, mas não aberta para o público em geral. Está garantida a presença das mulheres e lideranças políticas da América Latina, Caribe e África, além das brasileiras de diversos estados. São 50 vagas destinadas exclusivamente para as pessoas que estão participando do evento.
“Mandinga” é uma das novidades entre as apresentações artístico-culturais da formação do Ọnà Dúdú, que também lança um roteiro com novo percurso, sendo aberto justamente com a performance da Clau Barros. Vale destacar que o Conecta Latinas é um encontro que reúne lideranças femininas negras, indígenas, jovens e LGBTQIA+ de mais de 20 países, com o Recife como cidade sede da edição deste ano, de 22 a 25 de maio.
Foto: Pericles Chagas
A performance autoral “Mandinga” surge do desejo de ecoar a voz do antes, do agora e do futuro. A atriz Clau Barros traz em sua narrativa poesias próprias e fragmentos de textos como o do poema “Gritaram-me Negra”, de Victoria Santa Cruz (1922-2014), poeta e ativista afroperuana. A cena da apresentação também reúne ancestralidade, dança e musicalidade (trilha sonora e instrumentos percussivos).
“Mandinga é uma performance ‘afrocentrada’ que dá voz a corpos negros. É o grito, do grito, do grito, mostrando a força e valorizando o povo preto”, pontua.
Foto: Adilson Aquino/@pelicula.de.vidro.galeria
Com essa performance, Clau já entrou em cena mais de cinco vezes. Inclusive, apresentou-se nas escolas públicas juntamente com a realização de oficinas de teatro. Em 2025, “Mandinga” abre suas atividades justamente no Ọnà Dúdú.
O Ọnà Dúdú tem a produção do dramaturgo e sacerdote de candomblé Marconi Bispo, que conduz a itinerância como ator-guia, juntamente com a artista Brunna Martins, e também apresenta o espetáculo autobiográfico "re_Luzir". O circuito sempre traz artistas e coletivos negros, resgatando memórias da negritude pernambucana, nacional e mundial. As palavras Ọnà e Dúdú são da língua africana Yorubá, falada principalmente na Nigéria. Ọnà significa rua, caminho, estrada, acesso, indicação, método, maneira e forma de se fazer algo. Ọnà também é arte, obra de arte e o nome de um rio africano. Já Dúdú tem o significado de ser preto e negro.
A ideia do solo “Mandinga” nasceu a partir do envolvimento com o espetáculo teatral “Alguém Pra Fugir Comigo” (estreou em 2017, no Festival Janeiro de Grandes Espetáculos), do Resta 1 Coletivo de Teatro, de Pernambuco, e do projeto de pesquisa “Baderna”, da autoria de Clau. A união entre as vivências rendeu a criação da sua performance.
As apresentações mais recentes do “Mandinga” aconteceram em 2024 na abertura da programação do Conselho Estadual de Representantes do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras em Educação de Pernambuco (Sintepe), Gelateca Cultural Maria Betânia de Carvalho e no Festival Rosa dos Ventres. Essas duas últimas foram realizadas na Praça de Jardim São Paulo (Zona Oeste do Recife).
Mulher negra de origem periférica e mãe, Clau Barros é atriz, arte-educadora, dançarina e estudante de pedagogia.
Conecta Latinas
As atividades da programação ocorrem na Torre Malakoff, em frente à Praça do Arsenal, no centro do Recife. Entre as presenças confirmadas no evento estão Valdecir Nascimento (Articulação de Mulheres Negras Brasileiras), Paola Cabezas (deputada nacional do Equador), Mikaelah Drullard (ativista e escritora travesti-negra) e Leonela Massocolo (ativista angolana). De 22 a 25 de maio no Recife, o Conecta Latinas tem a realização do Instituto Update em parceria com outras organizações que formam um comitê internacional: Afrocaracolas (México), Amuafroc (Colômbia), ANMIGA (Brasil), Auna (México), Corporación Amigos de Unesco (Colômbia), Instituto Alziras (Brasil), Instituto Marielle Franco (Brasil), Instituto Odara (Brasil), Mujeres de Azfalto (Equador), Kilombo Negrocentricxs (Chile), Unidas Somos Mais Fortes (Angola), Victory (internacional) e Instituto Update (regional).
Ọnà Dúdú - confira a itinerância para o Conecta Latinas
Data do circuito: 25/05 (domingo)
Horário da concentração: 15h (Torre Malakoff, centro do Recfe)
Entrada: gratuita, mas não aberta ao público geral (50 vagas destinadas exclusivamente para as pessoas que estão participando do evento)
Percurso
ESTAÇÃO 1: Torre Malakoff, em frente à Praça do Arsenal, s/n
Performance: "Mandinga", de Clau Barros
ESTAÇÃO 2: Solo Gens, Sede do Grupo São Gens de Teatro, rua do Apolo, nº 170
Performances: "Jurema Jazz", com Maestrina Neris Rodrigues e Thulio Xambá; Marconi Bispo, trecho do espetáculo autobiográfico "re_Luzir"
ESTAÇÃO 3: Muafro — Museu de Artes Afro-Brasil Rolando Toro, rua Mariz e Barros, nº 328
Performances: Ara Agontimé, com as artistas Dandara Marques e aline sou; Marconi Bispo, trecho do espetáculo autobiográfico "re_Luzir"
ESTAÇÃO 4: Torre Malakoff
Performances: "O Encontro da Tempestade e a Guerra", do Circo Experimental Negro, com Hammai Assis e Rob Silva; maestro Parrô Mello; fechamento com artistas do Ọnà Dúdú.
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