O Festival Lula Côrtes leva a psicodelia nordestina para o centro do Recife, chegando ao Brilho Cultural no dia 29 de maio (sexta-feira), às 21h. Neste ano de 2026, o festival celebra os 50 anos de “Flaviola e o Bando do Sol”, disco do poeta, cantor e compositor recifense Flávio Lira, artisticamente conhecido como Flaviola (em memória). Para interpretar ao vivo às canções desse disco raro, lançado em 1976 pelo selo Solar (Recife), é anunciado o show tributo da banda pernambucana Anjo Gabriel, com a presença de artistas da região Nordeste, a exemplo do cearense Fernando Catatau, líder do Cidadão Instigado. Já na abertura da noite, apresenta-se o paraibano Totonho e os Cabra. 

A apresentação do grupo Anjo Gabriel também reúne a participação de artistas da música autoral de Pernambuco, como Lua Paiva, Juvenil Silva, Marcelo Cavalcante e Dmingus, que inclusive é o produtor musical do “Ex-Tudo”, segundo álbum solo de Flaviola, cujo lançamento aconteceu em 2020, nas plataformas digitais. Outra atração musical pernambucana do Festival Lula Côrtes 2026 é DJ Vibra, presente na convivência com o artista e ao mesmo tempo na produção desse disco lançado na pandemia. Vale dizer que Dmingus, natural de Arcoverde (Sertão), e Vibra, de Caruaru (Agreste), representam o interior do estado. Já Lua Paiva é uma artista do Cabo de Santo Agostinho (Região Metropolitana do Recife). Juvenil Silva e Marcelo Cavalcante são ambos do Recife. 

Os ingressos estão à venda antecipadamente na internet, com os seguintes preços no 1º lote: R$ 65 (meia); R$ 75 (social + 1kg de alimento não perecível para doação à Cozinha Solidária Santa Luzia do MTST), e R$ 130 (inteira). Todas as entradas promocionais já foram adquiridas pelo valor de R$ 55. 

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A relação com o centro do Recife está na história do festival de raiz pernambucana, realizado de maneira independente e sob a direção de Nemo Côrtes, da Rede Lula Córtex. Por falar em curiosidades na zona central recifense, “Flaviola e o Bando do Sol” foi lançado juntamente com a obra “Paêbirú - Caminho da Montanha do Sol”, de Lula Côrtes e Zé Ramalho, no antigo Nosso Teatro, onde fica exatamente o Teatro Valdemar de Oliveira, em estado de abandono, no bairro da Boa Vista. Além de Lula Côrtes (1951-2011), os artistas pernambucanos Paulo Rafael, Robertinho de Recife, Zé da Flauta e Fernando Amaral, entre outros, participaram desse primeiro disco de Flaviola, gravado no estúdio da Rozenblit. 

Mais do que uma homenagem, o propósito do festival é fortalecer a conexão interestadual, que definia o movimento “udigrudi", nomenclatura da cena artística e cultural dos anos 1970, sobretudo no contexto recifense e de Pernambuco. Tornou-se destaque tanto regional como nacionalmente. 

“O festival volta seus olhos para outra obra fundamental do ‘Udigrudi’ pernambucano e celebra os 50 anos deste disco icônico, resgatando a histórica colaboração entre musicistas do Nordeste. Em 1976, o sol brilhou dobrado com o lançamento simultâneo de Paêbiru e Flaviola. Em 2026, queremos mais do que lembrar essas datas, esse ‘nascimento duplo’ e a longevidade de obras históricas para a música brasileira que seguem influenciando gerações… Queremos retomar a prática da conexão entre os músicos do Nordeste, como se fazia nos anos 70. Ter show do Totonho (e os Cabra) e da Anjo Gabriel, convidando Fernando Catatau, é reativar essa conexão que sempre foi a alma da psicodelia nordestina, juntando Paraíba, Ceará e Pernambuco”, declara Nemo Côrtes. 

Este ano, o radialista e músico Marco da Lata — fundador da Rozenbeat, primeira gravadora cooperativa do Brasil com foco na produção fonográfica analógica — assume a coordenação musical. Ao reunir artistas de Pernambuco, Totonho e os Cabras (de 1964: faz 62 anos de idade em 2026), natural de Monteiro/PB, município do interior que fica no Cariri paraibano (Sertão), e Fernando Catatau (de 1976: completa 55 anos de idade em 2026), de Fortaleza/CE e que vai lançar o aguardado disco da banda Cidadão Instigado (criada em 1996), são reativadas também relações criativas das artes. Foram essas fusões que já fizeram do Nordeste a vanguarda psicodélica da música brasileira. Na edição de 2025, por exemplo, a banda Anjo Gabriel (fundada em 2005) fez um show no Teatro do Parque em celebração aos “50 anos do Paêbirú - Caminho da Montanha do Sol”, com a participação do cantor, compositor e instrumentista Jarbas Mariz, criado em João Pessoa/PB.  

“O festival reafirma a existência da cena independente atual e suas criações autorais, respeitando a identidade e a memória. Além disso, é possível atualizar o mercado musical a partir das novas narrativas que surgem ao longo dos anos. A viabilização dessa engrenagem cultural depende também do fortalecimento da cena”, acrescenta Nemo Côrtes. 

Em 2026, completam-se cinco anos da partida de Flávio Tadeu Rangel Lira (1952-2021),o Flaviola. No passado recente, o disco “Flaviola e o Bando do Sol” foi relançado, ganhando um LP em 2020. Nesse mesmo ano, houve uma retomada do artista em relação ao mercado comercial de música (registros fonográficos), com o lançamento do álbum “Ex-tudo”. Seu surgimento artístico aconteceu em 1972, virando referência no universo musical e para a cena psicodélica. 

Cozinha Solidária 

Assim como nas outras edições, o Festival Lula Côrtes vai além da curadoria artística. Isso porque existe uma ação social realizada em parceria com a Cozinha Solidária Santa Luzia do MTST, que recebe as doações dos alimentos arrecadados presencialmente, no dia 29 de maio. 

Conceito & loja

A identidade visual tem assinatura local, com arte e design de Laura Morgado e ilustração de André Valença. A partir dessas criações, foram lançadas camisas e cartazes (produtos estão liberados na pré-venda), e combos compostos por materiais e ingressos. Vale lembrar que ambos atuaram na equipe técnica da edição passada. 

Sete décadas e meia

No mês de maio também é celebrado o aniversário do recifense Lula Côrtes — cantor, compositor, músico, pintor e poeta. No dia 9 de maio de 2026, a data comemorativa coincide com os 75 anos de idade. Ele é referência da arte e da música psicodélica brasileira, além de ter conquistado reconhecimentos em nível nacional e mundialmente. O artista é considerado um dos maiores nomes do movimento de contracultura — bombou nos anos 70 no Recife —, como influenciador da junção de ritmos locais com o rock.

Lula Córtex

Sempre na busca por resgatar, preservar e expandir a vida e obra de Lula Côrtes e criar o que dá sentido à vida, a Rede Lula Córtex (desde 2015) desempenha um papel central em funções complexas do cérebro como na memória, atenção, consciência, linguagem e percepção.

Agente Secreto

Lula Côrtes, juntamente com Zé Ramalho, está na trilha sonora do filme pernambucano, premiadíssimo internacionalmente e em território nacional. A faixa única composta pelas canções “Trilha de Sumé / Culto à Terra / Bailado das Muscarias (Terra)”  — do disco “Paêbirú” (1975)  — é uma das escolhidas para a obra de cinema, lançada em 2025. 

SERVIÇO - Festival Lula Côrtes: 50 anos de “Flaviola e o Bando do Sol”

Data: 29/05/2026 (sexa-feira)

Local: Brilho Cultural (rua Ulhôa Cintra, nº 122 - bairro Santo Antônio, centro do Recife)

Horário: 21h

Ingressos à venda na internet: confira os valores do 1º lote - R$ 65 (meia); R$ 75 (social + 1kg de alimento não perecível para doação à Cozinha Solidária Santa Luzia do MTST), e R$ 130 (inteira) 

Ação social: doação de alimentos para a Cozinha Solidária Santa Luzia (MTST)

ATRAÇÕES

Totonho e os Cabra (PB) - representando a força e a irreverência da música paraibana; 

Banda Anjo Gabriel (PE)  interpreta "Flaviola e o Bando do Sol" - participação de Fernando Catatau (CE), líder do Cidadão Instigado participa do festival no ano em que lança o aguardado disco da banda; Lua Paiva, Juvenil Silva, Marcelo Cavalcante e Dmingus, nomes que mantêm viva a chama da cena independente e da experimentação sonora

Dj Vibra (PE): Nas picapes conviveu com Flaviola durante seus últimos anos e na produção do seu disco “Ex-tudo”.

FICHA TÉCNICA

Direção geral: Nemo Côrtes

Produção: Bruna Mascaro

Coordenação musical: Marco da Lata

Assistente de produção: Paula Pagu

Design: Laura Morgado

Ilustração: André Valença