Nascida e criada no Jardim Catarina, em São Gonçalo (RJ), um dos maiores bairros populares da América Latina, Patrícia Marins conhece de perto os impactos do racismo, do sexismo e da exclusão econômica. Mulher preta, filha de empregada doméstica, ela enfrentou inúmeras barreiras até se tornar bancária, educadora financeira, colunista e palestrante reconhecida nacionalmente, tudo isso sem jamais esquecer suas origens.

“Eu sou filha de Dona Edna, uma mulher preta, trabalhadora doméstica, que me ensinou desde cedo a sonhar grande, mesmo quando o mundo dizia o contrário. Cresci no Jardim Catarina e foi de lá que eu saí para ocupar espaços que historicamente não foram pensados para mulheres como eu”, resumiu Patrícia.

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Com mais de 16 anos de experiência no Banco do Brasil, formação em Matemática pela UERJ e pós-graduações em Gestão Financeira, Vendas e Diversidade e Inclusão, Patrícia criou a comunidade Mulheres Pretas Finanças com um objetivo claro: ajudar mulheres negras a construírem uma relação mais saudável com o dinheiro, livre de culpa, medo e vergonha.

Seu primeiro contato com a educação financeira, no entanto, veio da dor. “Eu já me endividei, menti para o meu marido sobre uma viagem que não poderia pagar e quase perdi meu casamento. Foi aí que entendi como o dinheiro nos atravessa emocionalmente e como precisamos falar sobre ele com responsabilidade e afeto”, conta.

Educação antirracista

A proposta do Mulheres Pretas Finanças é unir educação antirracista, cuidado ancestral e ferramentas práticas de organização financeira, com escuta ativa e uma metodologia acolhedora. “Criei um espaço seguro, afetuoso e estratégico onde mulheres pretas podem aprender a cuidar do seu dinheiro e, principalmente, se considerarem merecedoras das riquezas”, pontuou.

Mais do que números, Patrícia fala de autoestima, poder de escolha e justiça econômica. “Muitas de nós fomos ensinadas a sobreviver, não a planejar. Carregamos traumas financeiros intergeracionais. Precisamos mudar esse imaginário”, explicou a especialista.

A atuação de Patrícia vai além dos atendimentos individuais. Ela participa de projetos com grandes instituições, ministra palestras em eventos de diversidade, equidade e inclusão, e escreve sobre justiça econômica e finanças decoloniais. Em todas essas frentes, reafirma o dinheiro como ferramenta de liberdade e afirmação.

“Quando uma mulher preta prospera sem se culpar, ela rompe com séculos de opressão. Ela entende que merece descanso, viagem, lazer e patrimônio. E, mais ainda, ela se torna referência para outras. A prosperidade consciente é uma forma de revolução que não espera ninguém: ela começa por nós.”

Evolução financeira

O impacto de seu trabalho aparece nas histórias que escuta. “Nunca esqueço de uma mulher que me disse: ‘Pela primeira vez, consegui comprar o material escolar dos meus filhos com o meu dinheiro, sem empréstimo, sem pedir ajuda.’ Isso me desmontou. Porque no fundo, é sobre isso: autonomia, dignidade, liberdade”, expressou Patrícia.

Hoje, Patrícia sonha alto. Quer criar uma escola e um aplicativo para empreendedoras negras, formar uma rede nacional de consultoras financeiras pretas e levar sua mensagem ainda mais longe. “Quero que nenhuma mulher preta do Brasil diga: ‘Nunca aprendi a cuidar do meu dinheiro.’”, pontuou.

E para aquelas que ainda duvidam do seu potencial, ela deixa um recado direto: “Finanças são, sim, para você. Porque o dinheiro é só um meio, e o seu fim é a liberdade. Você só não teve quem te ensinasse do seu jeito, com a sua história, no seu tempo. E é isso que eu estou aqui para fazer com essas mulheres. Segura firme, preta. Vai doer, mas vai valer a pena. Você é o que sua mãe sonhou em silêncio. E um dia, vai ensinar outras a sonharem também”,finalizou.

Do Jardim Catarina para o Brasil, Patrícia segue firme na missão de elevar o nível de vida financeira das mulheres pretas brasileiras.

SERVIÇO

Acompanhe Patrícia Marins em instagram.com/mulherespretasfinancas.