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O Observatório Lupa revelou uma intensa campanha de desinformação contra o PL da Misoginia (Projeto de Lei 896/2023) que se espalha pelas redes sociais, coordenada por políticos de direita. O levantamento, divulgado após a aprovação do projeto no Senado em março de 2026, aponta para a disseminação de narrativas falsas, teorias conspiratórias e até conteúdos gerados por inteligência artificial, com o objetivo de minar a proposta que visa incluir a "condição de mulher" na Lei 7.716/1989.
Para compilar os dados, os pesquisadores da Lupa monitoraram mais de 289 mil publicações no X (antigo Twitter) entre 24 de março e 30 de abril de 2026.
Além disso, foram analisados 6,3 mil posts no Facebook, 2,9 mil no Instagram e cerca de mil no Threads, permitindo identificar padrões de comportamento e picos de desinformação nas plataformas digitais.
O Projeto de Lei 896/2023, atualmente em debate no Congresso Nacional, define misoginia como "a conduta que exterioriza ódio ou aversão às mulheres".
Se aprovado na Câmara dos Deputados sem modificações, o texto alterará a Lei do Racismo (Lei 7.716/1989), adicionando a "condição de mulher" como critério de discriminação.
A proposta estabelece penas de dois a cinco anos de prisão, além de multa, para indivíduos que praticarem atos enquadrados como misóginos.
O estudo do Observatório Lupa aponta que o ápice da campanha de desinformação foi registrado em 25 de março, apenas um dia após a aprovação do PL no Senado.
Esse pico foi significativamente impulsionado por um vídeo compartilhado pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).
No conteúdo, o parlamentar associou o PL da Misoginia a trechos do PL 4224/2024, da senadora Ana Paula Lobato, que abordava a Política Nacional de Combate à Misoginia, mas que não integrava o texto aprovado no Senado.
A publicação de Nikolas Ferreira alcançou, em apenas 24 horas, mais de 751 mil visualizações, conforme o levantamento.
Posteriormente, o vídeo foi removido e repostado, desta vez sem a menção ao projeto de lei de autoria da senadora Ana Paula Lobato.
Entre as principais narrativas falsas disseminadas, destaca-se a alegação de que o projeto de lei restringiria a liberdade de expressão e seria uma ferramenta para "perseguir a direita".
Outra linha de desinformação afirmava, de forma equivocada, que questionar uma mulher sobre a Tensão Pré-Menstrual (TPM) poderia resultar em prisão.
O relatório do Observatório Lupa conclui que "as publicações mais virais sobre o PL da Misoginia têm explorado, sobretudo, o medo como motor de engajamento".
Os pesquisadores também identificaram conteúdos falsos sugerindo que a proposta resultaria em "demissões em massa" de mulheres ou até mesmo criminalizaria trechos da Bíblia Sagrada.
A pesquisa revelou o uso de inteligência artificial na criação de vídeos enganosos sobre as supostas consequências da legislação.
Um exemplo notório envolveu publicações que alegavam que empresários estariam demitindo mulheres para evitar futuros processos relacionados à nova lei.
Influenciadores e narrativas misóginas
Além de Nikolas Ferreira, outros nomes influentes na disseminação desses conteúdos incluem o senador Flávio Bolsonaro (PL), o vereador paulistano Lucas Pavanato (PL), o comentarista político Caio Coppola e a influenciadora Babi Mendes.
O relatório também sublinha o aumento do uso de termos associados à cultura "redpill", que interpreta o projeto de lei como uma ameaça aos homens.
Houve ainda menções irônicas e recorrentes a aplicativos de transporte, com o intuito de sugerir um temor por acusações falsas em interações diárias.
Os pesquisadores ressaltam que as postagens ignoram um aspecto fundamental do PL: a misoginia, no contexto da proposta, refere-se a práticas discriminatórias que causem "constrangimento, humilhação, medo ou exposição indevida" em razão do gênero feminino.
O estudo conclui que, "ao ignorar esse contexto essencial, as postagens distorcem o debate público e contribuem para a ampliação da desinformação".
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